Ginásio de Esportes abandonado em Tanabi só é usado para jogos políticos

Concluído há cinco anos, faltando apenas licença dos Bombeiros, equipamento só tem utilidade como palanque

O governo federal investiu R$ 1,3 milhão no Ginásio de Esportes de Tanabi, a Caixa Econômica Federal deu a obra como concluída, não há objeção da Controladoria Geral da União, como nenhuma manifestação contrária da Procuradoria Geral da República, mas, até agora, não houve pontapé inicial de uma partida de futsal, ninguém sacou para abrir uma partida de vôlei e jamais alguém enterrou uma bola no cesto, finalizando um jogo de basquete.

O ginásio é o pivô de um jogo político que começou há cinco anos e parece não ter fim próximo, pelo menos para 2018.  O lance mais recente desse jogo em que os esportistas são meros expectadores, é do vereador Fabrício Missena (PP)  tentando, segundo seus críticos, impressionar a torcida com o lance de uma Comissão Especial de Investigação sobre o caso, mas acabou vaiado por lideranças de seu próprio partido.

“O que eu acho, e é o mesmo que o Canela (vereador Tenente Canela) acha é que não é hora de CEI, é hora de comprar as 150 cadeiras e colocar o ginásio para funcionar, porque  mais do que CEI, o que o povo quer é entrar no ginásio, participar de jogos, da Copa TV TEM. Não é hora de investigação, mesmo porque tem uma investigação ( na Câmara) da água que se arrasta há um ano e nada se resolve e uma CEI vai jogar o ginásio nessa pendenga e nada vai ser resolvido”, criticou o jornalista Correia Neto, representante do deputado federal Fausto Pinato na cidade e responsável pela organização do partido na cidade e pelo ingresso de Missena e Canela nele.

Para o jornalista, por se tratar de recursos federais, a investigação sobre a aplicação do dinheiro caberia a Procuradoria da República e vê a iniciativa do vereador como “uma tentativa do Missena de atrair os holofotes da imprensa. E conseguiu.”

CEI

A referência que Correa faz a “compra de 150 cadeira” é relativa a exigência do Corpo de Bombeiros para liberar o uso do equipamento. Exigência que é vista como descabida pelo ex-prefeito José Francisco de Mattos Neto, em cuja gestão foi realizada a obra. Para ele, a obrigatoriedade das cadeiras é exigida para estádios de grandes eventos. “Trata-se de um ginásio para eventos pequenos, para competições locais ou regionais, como a Copa da TV TEM.”

Fabrício Missena defende a necessidade  de investigação, segundo ele, para apurar responsabilidade de pessoas e empresas envolvidas na construção, se houve eventual desvio de recursos, se houve falhas na execução do projeto e porque o ginásio não foi inaugurado e colocado à disposição da população. Assim, o vereador pretende fazer sentar no banco dos suspeitos, José Francisco, sua sucessora, Bel Repizo e o atual, Norair da Silveira.

Para que a Câmara avalie o pedido de investigação, é necessário o aval de quatro vereadores. Segundo Missena, apenas Rose de Paula (PSOL) e Rodrigo Bechara (PODEMOS) se comprometeram a assiná-lo, faltando ainda um voto. Para que o pedido seja aceito, são necessários seis votos no plenário.

O ex-prefeito José Francisco concorda com Correa que a iniciativa do vereador Missena é mais um palanque político em torno da obra que se aproxima do ridículo, como paródia da novela o Bem Amado, da década de 70 do século passado,  cujo tema central era a inauguração de um cemitério. “É a mesma história da estátua do índio, quando o Alberto (Víctolo, ex-prefeito) e o Norair se revezavam na prefeitura, um colocava o índio na praça e o outro mudava de lugar.”

José Francisco frisa que todas as etapas da obra foram auditadas pela Caixa Econômica Federal  e que as prestações de contas também foram auditadas pela Controladoria da União e  que a Procuradoria Geral da República arquivou denúncia feita por um morador.

O ex-prefeito refuta os argumentos de que o projeto foi mal feito e que a arquibancada estaria fora de padrão. “O grau de inclinação da arquibancada é o mesmo do Estádio Alberto Victolo, é o mesmo do Tobogã da Vila Belmiro (estádio do Santos), não há nada de errado com o projeto e nada impede o ginásio de ser utilizado. Temos um patrimônio público que a população quer ocupar se deteriorando porque um prefeito quer desvalorizar o trabalho de outro”, acredita José Francisco.

Ele lembrou também que o ginásio já foi utilizado em um campeonato local e que a ex-prefeita Bel Repizo cogitou de inaugurar o equipamento com o nome de um irmão dela.

A Voz Regional tentou, mas não conseguiu contato com Bel Repizo, que sucedeu José Francisco na prefeitura e, em tese, deveria ter inaugurado a obra.

Liberação

Segundo a secretaria de comunicação da prefeitura, é intenção do prefeito Norair da Silveira colocar o ginásio para uso dos esportistas, mas adverte haver “um longo percurso a ser percorrido” para tanto. Para colocar o “ginásio em condições” serão necessárias etapas, relatadas como espera de emissão de parecer da Procuradoria da União em resposta a ofício do prefeito relatando a “falta de condições de uso” da obra, que reconhece como concluída no documento. Depois de recebido o parecer, deverão ser feitas a vedação da cobertura, adequação da arquibancada e colocação de cadeiras.   Porém, essas “adequações” serão precedidas da captação do recurso, estimado em R$ 400 mil.  Por ora, há a promessa de  R$ 150 mil de uma deputada que estaria em análise na Caixa Econômica Federal para a compra das cadeiras e para o restante “estaremos à procura de mais recursos”, finaliza a nota da prefeitura.

Por ano de eleição, em 30 dias, fecham-se as torneiras de liberação de dinheiro dos governos estadual e federal e estarão abertas as campanhas eleitorais. E serão os políticos que continuarão com a bola do jogo e entrarão na quadra do ginásio. Profissionais do esporte político como Carlão Pignatari (PSDB), Orlando Bolçone (PSB), Fausto Pinato (PP) e Itamar Borges (MDB), os mais votados na cidade, vão prometer o ginásio aberto para 2019. Mas o ingresso o povão paga antecipado, em outubro deste ano, na urna. E paga caro.

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