João Francisco Neto: A 4ª Revolução Industrial

Da agenda de debates do recente Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça) surgiu uma previsão sombria para a humanidade: nos próximos dois anos, cerca de cinco milhões de empregos deverão desaparecer, pelos efeitos da inteligência artificial. É a chamada 4ª Revolução Industrial, que avança com incrível rapidez, num mundo de crescente pobreza e desigualdade.

É costume dizer que a 1ª Revolução Industrial iniciou-se no final do século 18, quando os métodos de produção deixaram de ser artesanais e passaram a empregar a máquina a vapor. Mais tarde, em 1870, ocorreria a 2ª Revolução Industrial, com o advento da energia elétrica. A partir da segunda metade do século 20, com a incorporação dos avanços tecnológicos decorrentes da eletrônica, inicia-se a 3ª Revolução Industrial.

Agora, a 4ª Revolução Industrial incorpora avanços em nanotecnologia, biotecnologia, inteligência artificial, computação quântica, telecomunicações, robótica, internet das coisas, que hoje fazem parte do dia a dia de milhões de pessoas que se utilizam de computadores pessoais, internet, aparelhos celulares, etc.

Para o alemão Klaus Schwab, autor do livro “A Quarta Revolução Industrial” e fundador do Fórum de Davos, estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Será uma transformação diferente, pois ela não mudará o que estamos fazendo, mas sim a forma como estamos fazendo as coisas.

Para Schwab, a 4ª Revolução Industrial não é definida por um conjunto de tecnologias em si mesmas; ela é a transição em direção a novos sistemas, construídos a partir da revolução digital. Suas principais características são o surgimento da internet das coisas; o amplo uso de inteligência artificial, atrelado à utilização de robôs nos processos de fabricação; o uso da realidade aumentada, entre outras.

A previsão é que a robótica avançada causará no ambiente do trabalho o mesmo impacto causado pela máquina a vapor, ou seja, muitos empregos simplesmente vão desaparecer. A probabilidade é que sejam atingidas as ocupações de caráter repetitivo e mecânico, que podem ser substituídas por robôs ou por automação controlada,

Como nas outras revoluções industriais, num primeiro momento sempre haverá vítimas e perdedores. No caso da 4ª Revolução Industrial, a previsão é que o impacto será maior nos países periféricos da Ásia, América Latina e África. Esses países serão mais afetados porque perderão a vantagem competitiva hoje representada pela oferta de mão de obra barata.

Entretanto, nem tudo está perdido, pois ao mesmo tempo em que alguns postos de trabalhos desaparecerão, outros surgirão. Serão empregos que vão demandar novas habilidades e competências, todas ligadas à informática e à criatividade. É praticamente o fim do chamado “emprego para a vida toda”. Agora, para essas novas vagas de trabalho se exige uma permanente atualização, além de um grande potencial de adaptação.

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