Mais de cem adultos frequentam o curso do EJA em Monte Aprazível

Entre as classes de ensino fundamental e médio nas redes municipal e estadual existe uma modalidade diferente: é o EJA (Ensino de Jovens e Adultos), que em Monte Aprazível é ministrado na escola municipal José Agrelli e na escola estadual Capitão Porfírio de Alcântara Pimentel.

Na rede municipal, o EJA funciona, segundo Pedro Poloto, assessor municipal de Educação, na escola José Agrelli e atende alunos do 1º ao 5º ano. A exigência é que os alunos tenham mais de 25 anos.

Ele explica que se trata de uma sala multisseriada do 1º ao 5º ano com uma professora que desenvolve atividades diversas voltadas para cada aluno correspondente. “No caso do município, as atividades são mais voltadas para a alfabetização”, conta.

No Agrelli, a sala funciona a noite, com início às 19 horas e término às 22 horas. A sala está funcionando com 33 alunos e a procura, segundo Pedro, é grande, “porém, eles desistem rápido em razão do trabalho que desenvolvem. Temos muitos alunos que trabalham em usinas e quando muda o turno eles desistem do curso”, comenta.

Pedro explica que o EJA do 1º ao 5º ano tem duração de no mínimo dois anos. No primeiro semestre do primeiro ano ele faz o 1º e 2º ano do ensino fundamental. No segundo semestre faz o 3º ano. No primeiro semestre do segundo ano, faz o 4º ano e no segundo semestre do segundo ano faz o 5º ano.

Ele diz que o perfil dos alunos é bastante diversificado. “Temos alunos de 25 anos e até de 70. Na maioria são trabalhadores de usinas, domésticas, mecânicos”. A motivação dos alunos é tão diversificada quanto seu perfil. “A maioria quer aprender a ler e escrever, mas tem gente que faz porque precisa do 5º ano para poder fazer curso profissionalizante”, conta.

Uma vez concluído o 5º ano do ensino fundamental, o aluno terá a oportunidade de dar continuidade nos estudos ao 6º ao 9º ano no EJA ministrado na escola estadual Capitão Porfírio de Alcântara Pimentel e posteriormente cursar o ensino médio também no EJA na mesma escola, caso queiram prosseguir os estudos. Rui Sérgio Galvão de França, diretor da escola Capitão Porfírio, diz que a escola também possui salas a noite. Ele começou o ano letivo com uma sala de 35 alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental, uma sala de 1ª série do ensino médio, uma sala de 2ª série do ensino médio e uma sala da 3ª série do ensino médio do EJA. As salas do ensino médio possuem em média 40 alunos cada uma.

O perfil dos alunos é bem parecido com os alunos da escola municipal José Agrelli. Pessoas com mais de 25 anos, várias na faixa dos 40 anos e algumas até com 65 anos. “A maioria adultos que já estão no mercado de trabalho e que buscam melhoria na atividade profissional ou que querem fazer um curso técnico ou uma faculdade”.

Motivação

O trabalhador rural José Raimundo Silveira Matos é um dos alunos do EJA da escola José Agrelli. Ele conta que não teve a oportunidade de estudar porque perdeu o pai cedo, aos 8 anos, e teve que trabalhar na roça para ajudar a mãe na Bahia, onde morava na época com a família.

Sua motivação para iniciar os estudos, segundo conta, é a leitura da Bíblia. “Sou evangélico e minha vontade é ler a bíblia. Como não sabia ler e escrever me matriculei no EJA”, conta.

A esposa Ana Kelly Aparecida Soares também frequenta o EJA, “mas ela já tem leitura”, frequenta como ouvinte, com o intuito maior de incentivar o marido. José conta que antes não tinha vontade de estudar, “mas depois que virei evangélico percebi que é muito importante ter leitura”, encerra.

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