Luiz Carlos Canheo: Monte Aprazível: de povoado a município

A região onde Porfírio Pimentel fundou o Patrimônio do Senhor Bom Jesus de Monte Aprazível em 1898, era conhecida por toda a Araraquarense como a região do Água Limpa, córrego que nasce no município de Neves Paulista, abastece a cidade, forma a represa Lavínio Luchesi e deságua no Rio São José dos  Dourados, a cem metros do perímetro urbano do município.

A procura por terras férteis e abundantes no sertão por desbravar, trouxe agropecuaristas de toda parte, principalmente de regiões de nosso vizinho estado de Minas Gerais. O surgimento e evolução de nosso município não diferem dos demais municípios brasileiros: sempre um cruzeiro era fincado em lugar escolhido pelo fundador ou fundadores, tradição herdada da formação cristã de nossos colonizadores portugueses, como batismo ao patrimônio que surgia.

Muitos foram os que trabalharam para as conquistas alcançadas: Em 1912, o patrimônio é elevado à categoria de Distrito Policial, o que resulta na permanência efetiva de dois soldados da Força Pública Estadual.

Em 1914, o Distrito Policial é elevado à categoria de Distritode Paz. Instala-se então o Cartório Distrital com a finalidade de registrar-se  nascimentos, casamentos e óbitos. Dentre as pessoas que trabalharam para estas conquistas destacamos: Coronel Gabriel Hygino de Andrade Junqueira, Luis Thornise, João Bustos Moreno, José de Andrade Junqueira, João Baptista Alves, Bento Carlos de Mendonça, Boaventura Antônio Pereira, Indalécio Antônio Pereira e Porfírio Luiz de Alcântara Pimentel.  Em dezembro de 1924, todo o grupo citado nas conquistas anteriores, com exceção de João Bustos Moreno, que se ausentara do município por tempo indeterminado, e Porfírio Pimentel, morto em 01 de setembro de 1919, em casa de sua filha na fazenda Estiva no município de Monte Alto, fundado por ele, conseguiu êxito em aprovar a criação do município de Monte Aprazível, agendando a data de sua instalação para 10 de Março de 1925. Há que se destacar a liderança efetiva nestas conquistas do Coronel Gabriel Hygino de Andrade Junqueira, por sua experiência vivida em sua cidade de origem, Três Corações de Rio Verde, estado de Minas Gerais, onde exercera, por quatro anos, a Presidência Distrital e três mandatos de vereador.

Hygino Junqueira, com a orientação da Justiça Eleitoral, da Câmara Municipal de Rio Preto, organiza desde os registros dos candidatos que concorreriam às vagas na Câmara Municipal à campanha, eleição, diplomação, posse, eleição da mesa diretora, eleição do Prefeito, Vice, e do subprefeito do Distrito de São Jerônimo (povoado que ficava em terras próxima onde atualmente, se encontra o Município de Planalto ao qual foi incorporado). Empresta, ainda cinquenta contos de réis à Câmara Municipal para suprir todas as despesas possíveis até seu funcionamento.

Nesta primeira eleição só participa o P.R.P., (Partido Republicano Paulista) presidido por Gabriel Hygino Junqueira, em virtude de, na época, só ele estar devidamente organizado.  Os vereadores eleitos em número de seis, para um mandato de três anos, foram: José de Andrade Junqueira, eleito Presidente da Câmara; João Baptista Alves, Vice-Presidente; Bento Carlos de Mendonça, Secretário, e, ainda Amador de Paula Bueno, Indalécio Antônio Pereira e João Pedro de Oliveira. Os vereadores empossados escolhem, entre seus pares, Amador de Paula Bueno, para prefeito; João Pedro de Oliveira, para vice-prefeito. Procede-se, em seguida, à eleição para sub-prefeito do Distrito de São Jerônimo, sendo eleito por unanimidade o Sr. Manoel da Rocha Mendes. O mandato de prefeito tinha a duração de um ano. Fato curioso para a atualidade é que a Câmara Municipal funcionava, normalmente, com os seis vereadores, independentemente de um deles ser o Prefeito.

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