Com a mecanização, início da moagem de cana não recupera mais as vendas do comércio

O fim do corte manual deixou de servir à recuperação de vendas de início ano; saída seria mais empregos industriais

A Coplasa, usina do grupo Moreno localizada em Planalto e que emprega muitas pessoas de Monte Aprazível, voltou a moer e a Central Energética Moreno, de Monte Aprazível, deve iniciar a safra até o final do mês. O comércio aguarda ansioso a volta da moagem, mas a mecanização da colheita teve um efeito negativo para o comércio de Monte Aprazível. A Voz ouviu comerciantes e corretor imobiliário para saber o impacto do início da moagem no comércio em geral e constatou que a safra ajuda, mas não de forma expressiva como era antigamente quando o corte era feito manualmente por migrantes do Norte e Nordeste.

Rosa Botte, da Cergatti News, diz que o início da safra ajuda o comércio, mas não da forma como era antes. “Já foi bom, porque hoje poucas pessoas vem trabalhar na safra. Melhora um pouco, mas não chega a ser significativo”.

Ela conta que antes da mecanização o início da safra representava aumento de cerca de 30% nas vendas do comércio local. “Agora a gente não vê esse aumento. São poucos os trabalhadores que vem para a safra, além disso, muitos encarregados foram demitidos e a usina cortou as horas extras, só fez afunilar, diminuindo o impacto sobre as vendas em cerca de 10%”.

Cleonice Aparecida Lulio Priuli, da Loja Líder, diz que a safra é sempre bem vinda porque “mexe com as vendas, mas nem tanto como antes, quando o corte era feito por migrantes nordestinos. Já foi bem melhor, porque eles contratavam muito mais pessoas e esses trabalhadores compravam roupas, calçados novos, eletro eletrônicos, enfim, movimentavam o comércio em geral. Agora, os trabalhadores que sobraram compram mas é bem devagar”.

Ela conta que antes da mecanização as vendas aumentavam em torno de 25% a 30%. Era um volume bom, expressivo. Hoje em dia quase não se encontra mais cortadores de cana. Agora a safra representa cerca de 5% das vendas do comércio de uma forma geral”, calcula.

Giuseppe Maset Junior, da Matriz Móveis, diz que a safra ajuda, mas só depois do terceiro mês. “O início da safra é pouco sentido pelo comércio, porque o pessoal vem de um período de acumulo de dívidas remanescentes, acumuladas durante a entressafra. Só começa a melhorar a partir do terceiro mês, quando conseguiram saldar suas dívidas e voltam a comprar, mas ainda assim não se compara com o período anterior à mecanização quando as vendas chegavam a aumentar em torno de 30% a 40%. Agora aumenta em torno de uns 10% apenas”, diz.

A mecanização, segundo Maset, atrapalhou bastante o comércio, “porque na safra manual só com o corte nós tínhamos cerca de 1,5 mil pessoas de fora que comprava móveis, roupas, calçados, eletroeletrônicos no comércio local, gastavam em supermercados, farmácias, enfim, movimentavam bastante o comércio. Agora tudo isso parou, ainda mais com a cidade sofrendo com a escassez de trabalho”, enfatiza.

Sáida

Já que o comércio perdeu esse consumidor flutuante a saída para crescer seria segundo alguns comerciantes, a realização de promoções e é o que eles tem feito, mas eles alegam que não adianta realizar promoções se o consumidor está sem dinheiro ou por causa da crise ou por estar desempregado.

Cleonice diz que “a gente vive de expectativa e de esperança. Os políticos em época de política propagandeiam que atrarão empresas para cidade, mas não fazem nada nesse sentido para gerarem postos de trabalho, então ao comércio resta fazer promoções para atrair o consumidor, mas de nada adiantam as promoções se o consumidor não tem dinheiro no bolso”, argumenta.

Maset diz que “a solução para o comércio e para a própria arrecadação do município é a prefeitura tentar atrair novas empresas para o município”.

O comércio de Rio Preto prejudicava o comércio local, mas “esse fantasma” parece não assustar mais os comerciantes de Monte Aprazível. Cleonice diz que o comércio de Rio Preto “não atrapalha mais, porque apesar do nosso comércio estar prejudicado pela falta de empresas que gerem emprego e renda na cidade, o comércio local se diversificou. Hoje as pessoas vão para Rio Preto para passear, pois o comércio de Monte está bem diversificado, com bons preços e condições de pagamento iguais as de Rio Preto”.

Rosa concorda que o comércio de Rio Preto não atrapalha mais. “Os preços e as condições de pagamentos praticados pelo comércio local se igualaram aos de Rio Preto e lá o pagamento é apenas em dinheiro ou no cartão, enquanto que aqui ainda trabalhamos com o crediário, além do condicional. O comércio de Monte evoluiu muito”, enfatiza.

Maset concorda que o comércio local evoluiu e se nivelou em preços e condições de pagamento às lojas de Rio Preto, mas diz que cidades pequenas que circunvizinham Rio Preto sofrem com essa concorrência. “Acho que as pessoas compras em Rio Preto só pelo status, porque hoje Monte oferece as mesmas mercadorias, com preços iguais ou até mais baratos.”

Mercado Imobiliário

O corretor de imóveis Justino Alves, da Imobiliária Casa Branca, diz que o mercado imobiliário teve que se adaptar a era pós mecanização. “É lógico que na época da colheita manual tinha maior procura por imóveis, porque eles migravam do Norte e Nordeste e moravam na cidade, alugavam imóveis. A mecanização diminuiu esses trabalhadores em cerca de 70% a 80% e isso se refletiu na mesma proporção no mercado imobiliário”.

Ele conta que o mercado se adaptou a nova situação e que a mecanização mudou o perfil e locatários. “Todo início de safra melhora a procura por imóveis, só que agora por imóveis melhores, com infraestrutura melhor, porque agora quem os aluga são prestadores de serviço, como gerente de produção, mecânico de manutenção, operador de empilhadeiras, entre outros”, finaliza.

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