Obra na rodovia ameaça tirar de Monte 500 empregos no Distrito, dizem empresários

Projeto de terceira faixa na rodovia Feliciano Sales Cunha não prevê acesso e saída de caminhões pesados

A Ônix Serviço Agrícola, opera no Distrito Industrial de Monte Aprazível com 170 funcionários e 54 conjuntos de caminhões que medem 30 metros e carregam 90 toneladas. Com 14 conjuntos de caminhões com mesma medida e tonelagem e trezentos funcionários também opera no Distrito a FM Agrícola.

As duas empresas, dentro de alguns meses, segundo Fábio Miguel, da FM, e Talles Ricardo Batista, da Ônix, estarão isoladas, com a obra e, posteriormente conclusão, da terceira faixa na rodovia Feliciano Salles Cunha. O projeto não prevê dispositivo de acesso ao Distrito Industrial e de saída deles para caminhões do porte das duas empresas, as maiores empregadoras na cidade atualmente.

“Para entrar na empresa e sair dela, nossos caminhões vão ter que circular pela cidade, esmagando carros estacionados, destruindo calçadas, derrubando muros e atropelando gente”, prevê Fábio Miguel.

A FM Agrícola foi uma das empresas pioneiras do Distrito, instalando-se ali, no início dos anos 2000, com a reativação das atividades sucroalcooleiras no município. Atuando no segmento de plantio, corte, carregamento e transporte de cana para o seu braço agrícola e para terceiros, chegou a ter muito mais trabalhadores do que a própria Destilaria Água Limpa, a maior empregadora do município na época, e para quem iniciou prestando serviços.

“Viemos pra cá quando não tinha nem asfalto, a internet rápida chegou há pouco tempo, e até hoje não temos rede de água e esgoto. Suportamos tudo isso, mas agora,  não podendo entrar e sair da empresa, não vai ser possível continuar”, anuncia Fábio.

Os empresários teriam sido alertados do isolamento por um encarregado da empresa vencedora da concorrência para executar a obra no trecho de Monte Aprazível. “É um absurdo que ninguém da Câmara ou da Prefeitura acompanhou a elaboração do projeto. Não devem ter participado sequer de audiência pública, sequer tomaram conhecimento do projeto. A responsabilidade também é do D.E.R. (órgão estadual responsável pelas estradas estaduais) que não realizou nenhuma audiência pública na região. Muita gente errou e agora são as empresas que geram riqueza, que geram renda e emprego para o trabalhador estão ai com o problema”, queixa-se Fábio.

O projeto

O projeto da terceira faixa só foi divulgado após o anúncio do governador Geraldo Alckmin com o resultado dos vencedores da concorrência. Em Monte Aprazível, autoridades e funcionários municipais só se ativeram para o fato de que o trecho frontal a área urbana não seria duplicado. O prefeito Nélson Montoro e vereadores do PSDB tentaram incluir a duplicação, sem sucesso. Ninguém percebeu o problema com o acesso de caminhões no Distrito.

Atualmente, com a pista simples, os caminhões da FM acessam e saem do Distrito pela rodovia, em trecho de terra no final da Avenida Natalino Minuci. A passagem é improvisada e irregular, mas tem servido às empresas, com vistas grossas do D.E.R.

O acesso pelo trevo principal, com tomada da marginal Natalino Minuci não é utilizado para evitar a dificuldade de manobra dos caminhões na rotatória do viaduto e pelo aclive exagerado para carga tão pesada no início da Marginal. A saída  das empresas por trajeto paralelo é impossível pelo trânsito em ruas estreitas que dão acesso à Avenida Santos Dumont.

Pelo projeto, o acesso à rodovia será feito por uma avenida a ser aberta ao lado da FM, ligando a estrada de terra que liga o alto do Jardim Copacabana, na saída de Neves.

Para os empresários, os caminhões não terão como acessar a nova Avenida, ficando isladas a FM e, mais abaixo, a Onix.

Segundo, Fábio e Talles apenas carros de passeio e caminhões pequenos conseguem acessar a Avenida. “Entrar vai ficar muito difícil e arriscado, sair será impossível pelas ruas estreitas do Jardim São José”, constatam.

A solução possível, segundo os empresários,  sugerida por técnicos da própria empresa da obra, seria a construção de uma rotatória na altura da FM, ainda segundo eles, de baixo custo, com acesso direto à rodovia.

Desemprego

Segundo os empresários, não serão só a Ônix e FM as prejudicadas, eles acreditam que outras empresas no local de reforma de caldeiras industriais e de montagem de estruturas também se utilizam de grandes caminhões e carretas de grande porte. Eles acreditam também que o próprio futuro do Distrito estará comprometido pela dificuldade de trânsito.

A empresa Ônix, segundo o seu diretor, diante das dificuldades pensa em voltar para Tanabi, de onde veio, já que ocupa prédio alugado. Já Fábio se diz em situação delicada. “Se eu precisar sair daqui, não sei para onde ir. Eu me sinto envergonhado, pois eu convidei a Ônix para vir para cá e agora ela está com esse problemão.”

Fábio espera contar com a sociedade e os poderes públicos municipais para equacionar a questão. “Estou colocando o problema para as autoridades e para a sociedade para que a melhor solução seja encontrada”, concluiu.

Nota de esclarecimento 

A Prefeitura de Monte Aprazível esclarece que o projeto de melhorias na rodovia Feliciano Salles Cunha, SP 310, é de inteira responsabilidade, tanto na elaboração quanto na execução, do Departamento de Estradas e Rodagens,DER.

A Prefeitura não tem acesso aos projetos e ordens dos trabalhos. Sendo que até o momento recebeu apenas um documento com a descrição dos serviços que serão realizados. No documento enviado ao setor de engenharia da prefeitura está prevista a construção de uma alça de acesso próximo ao distrito industrial, porém não está detalhado se será um pontilhão, rotatória, entre outros.

A administração ainda negocia com o DER, juntamente a lideranças políticas, para que seja feita a duplicação no perímetro urbano de Monte Aprazível e demais melhorias para a população de Monte Aprazível e motoristas que passem pelo local.

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