Caixa Federal facilita financiamento de imóveis, mas empresários não veem mudança no cenário

Para mercados o imobiliário, apesar de positivas, medida devia incluir o consumidor com restrição no crédito

A Caixa Federal reduziu os juros de 10,25% para 9,5% para financiamentos de até  R$ 950 mil e de 11,25% para 10% para valores acima disso e voltou a financiar 70% do valor dos imóveis contra os 50% que vigorou nos últimos 16 meses. A medida deve causar algum impacto no mercado imobiliário, mas o mesmo não deve acontecer no setor de material para construção, já que o mercado vem com vendas bastante baixas.

O corretor Justino Alves, da Imobiliária casa Branca, em Monte Aprazível, diz que o impacto da medida é positivo tanto pela redução na taxa de juros quanto pelo percentual financiado que, na opinião dele, deveria ser de 100% porque “a Caixa é a gestora do plano habitacional no Brasil inteiro, já que os outros bancos não têm condições de concorrer com ela. A Caixa é a única compradora que tem hoje, já que através de seus financiamentos ela propicia o Minha Casa Minha Vida e a venda de outros imóveis de valores superiores. Se ela parar de financiar os negócios pioram mais do que estão”, enfatiza.

Justino diz que espera que as medidas adotadas pela Caixa façam aumentar a procura e que “o mercado volte a funcionar, tanto na troca, quanto na venda e na compra, porque a construção civil sempre alavancou a economia. Com uma construção civil forte tudo acompanha”, comenta.

Justino diz que as novas regras não irão impactar no valor dos imóveis. “Os preços estão alinhados e não devem ser alterados. Para ter um impacto no preço, teria que ter um aumento explosivo na procura por imóveis, o que não deve acontecer, porque hoje só tem oferta”.

Embora sejam bem vindas e devam ajudar o mercado, as medidas, segundo o corretor, não são suficientes. “É um engodo. Precisa aumentar o percentual a ser financiado e diminuir a burocracia para liberar o financiamento. Porque de qualquer forma o imóvel é da Caixa. Ainda que o comprador esteja com o nome sujo, deveria financiar o imóvel para ele, porque o imóvel é da Caixa, não há risco nenhum, porque se o mutuário atrasar o pagamento em 90 dias a Caixa retoma o imóvel e de maneira rápida”, argumenta.

Construção civil

Renato Maionchi Neto, da Maionchi Materiais para Construção, não se mostra otimista quanto Justino. Ele diz que “para nós a medida não refletiu ainda em nada, até porque é recente demais e isso deve se refletir na casa nova e não nas reformas, já que o financiamento é para imóveis novos. O ajutório que pode trazer para a construção civil é a longo prazo, já que com prestações mais baratas, dependendo do valor financiado, o mutuário economiza cerca de R$ 30 mil e pode empregar essa economia na manutenção do imóvel, mas não acredito que reflita muito nas vendas de material de construção, porque o mercado se comportou mal, está vendendo pouco, bem menos que nos anos anteriores”.

A expectativa de Renato para o restante do ano, segundo diz, é que as vendas se mantenham como estão “e é pouco. Enquanto o mercado e o cenário político não se estabilizarem fica nesse impasse. As pessoas não tem coragem de fazer dívidas de longo prazo”, encerra.

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