Vereador Gilberto mistura dinheiro pessoal com o da igreja e Mãe Aparecida fica no prejuízo

Valor de R$ 70 mil, da quermesse de Aparecida, foi encontrado na conta do vereador Gilberto dos Santos

O presidente da Comissão da Quermesse da Vila Aparecida, o também vereador Gilberto dos Santos (PDT), foi denunciado pelo Ministério Púbico e Polícia Federal à Justiça Federal na ação que ficou conhecida como Máfia do Asfalto. A ação foi desencadeada para investigar a atuação de empreiteiras, prefeitos e funcionários municipais que fraudaram quase uma centena de licitações de obras de pavimentação e recapeamento na região. De Monte Aprazível foram denunciados Gilberto dos Santos, Silvio Parra, Nelson Avelar e Wanderley Sant’Anna por fraudes nas licitações.

Para cobrir os eventuais prejuízos causados ao município, a Justiça determinou, na ocasião, setembro de 2016, o bloqueio dos bens dos réus até o total de R$ 2,6 milhões. Da conta de Gilberto, foram bloqueados cerca de R$ 70 mil, que ele alegou ser dinheiro do Bispado, da Quermesse da Igreja de Nossa Senhora de Aparecida e pediu o levantamento do bloqueio. O juiz indeferiu o pedido argumentando que o autor não apresentou provas e que o Bispado não se manifestou no pleito como proprietário.

O Frei Francisco, pároco da igreja, confirmou o bloqueio do valor e disse ter alegado Gilberto que o dinheiro era da paróquia depositado em sua conta particular.  O religioso não soube explicar o motivo do dinheiro estar na conta pessoal do presidente, quase um ano depois da realização da festa da Padroeira do Brasil, já que a paróquia tem conta bancária própria. Frei Francisco explicou ser usual que os membros da comissão fiquem de posse do dinheiro arrecadado durante a festa até o fechamento do balanço e depositam o lucro líquido na conta oficial. Indagado sobre o caso específico, Frei Chico se limitou a responder com a locução “É uma boa pergunta”, sugerindo não ter explicação para o fato.

A mesma locução foi usada pelo frade para responder a omissão do Bispado em apontar como pertencente à Fábrica paroquial ou diocesana o valor bloqueado, indevidamente depositado na conta do réu.

Para o Frei, Gilberto deve restituir o valor do dinheiro bloqueado, mas que não há um acerto nesse sentido.

O vereador Gilberto dos Santos preferiu não falar sobre assunto, indicando para tanto o advogado André Faria. André alegou estar impedido de  falar sobre o caso alegando ética profissional, pois abandonou a defesa de Gilberto, em janeiro deste ano, quando foi nomeado para assessoria parlamentar da Câmara.

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