“Chega a doer o coração; não tem emprego para todo mundo”, revela empresária

Comerciantes se comovem com o drama de jovens, mulheres e homens a distribuir currículo que são engavetados

O desemprego pode ser medido pelas centenas de currículos recebidos semanalmente pelo comércio e indústria das cidades da região. São mulheres e homens de todas as idades e classes sociais que batem as portas de empresas em busca de uma vaga. Eloiza Dantas Molina, do supermercado SuperEconômico, diz não passar um único dia sem que receba um pedido de emprego. Somente em seu estabelecimento ela recebe mais de 20 currículos por semana, que são guardados, mas com pouca chance de aproveitamento já que no seu estabelecimento a rotatividade de vagas é baixa.

Cleonice Aparecida Lulio Priuli, da loja Líder, também recebe vários currículos diariamente. “Chega a doer o coração porque a gente não consegue empregar todo mundo. É muita gente pedindo emprego. A gente não tem noção do tanto de gente desempregada. É da cidade, é de cidades vizinhas e até os migrantes do norte e nordeste que vem em busca de emprego. Os maridos normalmente estão colocados na cana, mas as mulheres também querem se colocar, mas é complicado porque o comércio não consegue absorver toda essa mão de obra, precisaria de várias indústrias. Nem precisava ser grandes indústrias, mas pequenas e médias que gerassem empregos para absorver essa mão de obra”, comenta.

Cleonice recebe muitos currículos de mulheres, “gente que trabalhava em padaria, supermercado e perdeu o emprego. Normalmente estão na faixa de 20 a 30 anos”, diz.

fEloíza diz que recebe muitos currículos diariamente. “São cerca de 20 a 30 currículos por semana. A gente vai guardando e na hora que precisa faz uma seleção para ver qual preenche os requisitos da vaga e chama para a entrevista, mas não conseguimos absorver muitos porque tenho funcionários de longa data, então não é grande a rotatividade de novas contratações”.

O perfil dos que procuram emprego, segundo ela, é diverso. “Tem de tudo. De pessoas que acabaram de ser formar em faculdade  em busca ao primeiro emprego e gente desempregada. Na faixa de 16 a 20 anos é mais comum serem do sexo masculino, mas acima de 20 até uns 40 anos é mais comum serem mulheres”, conta.

Mauro Zanin, do supermercado Aprazível, também é procurado diariamente para receber pedido de emprego. “Na média recebo de 5 a 6 currículos por dia. É difícil o dia em que não aparece alguém pedindo emprego”, diz. Mauro conta que entre os currículos tem bastante que é para o primeiro emprego, “mas tem também pessoas que trabalhavam e ficaram desempregadas”. De acordo com ele, geralmente, são mulheres na faixa de 18 a 30 anos. “De cada 10 currículos 6 a 7 são de mulheres”, diz.

Jurandir Longo, que possui as Lojas Longo e o Longo Auto Posto, nem consegue mensurar a quantidade de currículos que recebe diariamente. “São muitos – diz – praticamente todo dia recebemos currículos. A gente vai arquivando para quando surgirem vagas chamar para entrevista. Mas tem muito currículos então não conseguimos absorver, porque não há tantas vagas”, lamenta.

Ele diz observar um perfil variado de pessoas disponíveis para postos de trabalho. “Normalmente são pessoas que já trabalharam e estão desempregadas, na faixa de 20 a 35 anos e na maioria homens”, comenta.

Rosa Botte, da loja Cergatti News, também recebe pedido de emprego praticamente todo dia. “É difícil o dia em que não tem gente entregando currículo. É impressionante a quantidade entregue. Eu guardo para quando surgirem vagas convocar para uma seleção”.

Ela também verificou um perfil bastante heterogênio entre os desempregados. “Dá de tudo, desde jovens almejando o primeiro emprego, até pessoas que estavam trabalhando e perderam o emprego. No meu caso, cerca de 90% mulheres, mas creio que é pelo tipo de comércio que tenho e são pessoas mais jovens que procuram”, diz.

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