Outono é a temporada de gripe e desconforto respiratório

Teve início na segunda-feira passada a Campanha Nacional de Vacinação contra a gripe, estratégia do Ministério da Saúde para diminuir o impacto da gripe em todo o país. O Dia D, considerado a data mais importante de mobilização nacional, está marcado para 12 de maio, um sábado, mas a vacinação será realizada até o dia 30 de maio. Em 2018, a vacina dará imunidade contra os vírus H1N1, H3N2 e o Influenza do tipo B Yamagata.

Gláucia Zoccal Fernandes Laguna, enfermeira responsável pela campanha de vacinação em Monte Aprazível, diz que existem alguns grupos que fazem parte do público-alvo da campanha de vacinação. A escolha desses grupos, segundo ela, se deve ao fato de eles serem mais vulneráveis aos efeitos da gripe e sofrerem mais com seus sintomas e desdobramentos. Os grupos são formados por crianças de 6 meses a 5 anos, pessoas com mais de 60 anos, gestantes, mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias, profissionais da saúde, professores da rede pública e particular, população indígena, portadores de doenças crônicas, como diabetes, asma e artrite reumatoide, indivíduos imunossuprimidos, como pacientes com câncer que fazem quimioterapia e radioterapia, portadores de trissomias, como as síndromes de Down e de Klinefelter, pessoas privadas de liberdade e adolescentes internados em instituições socioeducativas, como a Fundação Casa.

O médico Oraldo Ramos de Carvalho Neto, diretor clínico da Santa Casa de Misericórdia de Monte Aprazível, enfatiza a importância da vacinação contra a gripe na prevenção de doenças pulmonares mais graves, principalmente para os grupos de riscos prioritariamente previstos para receberem a dose da vacina.

De acordo com ele, o clima seco do outono e inverno, propício a queimadas diminui a qualidade do ar. “A Organização Mundial da Saúde preconiza que o ar só é bom se tiver com umidade acima de 60%. Hoje (quinta-feira, dia da entrevista) a umidade do ar já não está boa porque está com 55% e ainda estamos no outono. Abaixo de 30% já é considerado crítico”, comenta.

O clima seco, segundo o médico, acarreta ressecamento das mucosas nasal, ocular e oral e problemas respiratórios como tosse, coriza, acúmulo de secreção, dor de cabeça, rinite, sinusite, conjuntivite, faringite, dermatites e asma, além do ressecamento da pele.

Pode ocasionar também doenças pulmonares mais graves como pneumonia e asma brônquica especialmente em pacientes idosos e com comorbidades associadas como insuficiência cardíaca, diabetes, enfisema pulmonar e hipertensão. “Pacientes imunodeprimidos e em tratamentos oncológicos também ficam mais predispostos a afecções pulmonares graves”.

Como diretor clínico da Santa Casa, Oraldo diz que observa um aumento significativo de casos atendidos no hospital em decorrência dessas doenças e desconfortos. “No outono e inverno aumenta em torno de 80% os atendimentos relacionados às alterações das vias aéreas superiores, principalmente envolvendo crianças e idosos”.

A prevenção para essas doenças consiste em tomar a vacina contra o Influenza, manter as mãos sempre higienizadas, evitar locais aglomerados, usar sempre roupas limpas e secas ao sol e manter o ambiente sempre limpo de arejado.

Para amenizar as doenças ou os desconfortos, o paciente, segundo Oraldo, deve manter uma boa hidratação, ingerindo muito líquido, evitar exercícios exaustivos das 10 às 16 horas, usar roupas leves e manter uma alimentação balanceada a base de frutas, legumes e verduras. Além disso, deve manter o ambiente umidificado. “Na impossibilidade de ter um umidificador de ar, deixe uma toalha úmida ou um recipiente com água no quarto quando durante a noite”.

Os sintomas das doenças decorrentes do clima seco são tosse persistente, cansaço, febre e falta de ar. “Ao sentir esses sintomas o paciente deve procurar atendimento médico em uma unidade de saúde ou pronto socorro”, orienta o médico.

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