Para novo prefeito, município gasta muito e aplica mal o dinheiro de Monte Aprazível

Márcio Miguel assume o cargo de prefeito e suspende Juninão e Festa do Peão “para colocar finanças em ordem”

O novo prefeito de Monte Aprazível, Márcio Miguel (PP), que assumiu com o impedimento do titular, Nelson Montoro, se espantou com as finanças da prefeitura, em seu primeiro contato com as contas municipais. “A situação financeira é preocupante, em rápido contato com o departamento financeiro e contábil, já deu para perceber quer o município está gastando muito e gastando mal e mesmo criando e aumentando os impostos não está dando para cobrir as despesas. Se não equacionar esse descontrole, vamos ter sérios problemas até com o pagamento dos funcionários.”

Diante de tamanho desacerto financeiro, segundo ele, os investimentos nos próximos meses estarão concentrados na melhoria dos serviços essenciais e básicos. “Não há condições de realizar o Juninão, ou Festa de Peão. Somente com o Juninão os  gastos estimados são acima de R$ 1,2 milhão. Eu considero irresponsabilidade, uma aventura fazer festas. Vou trabalhar para equacionar despesas e receitas, fazer os investimentos necessários na melhoria de serviços essenciais, prioritários. A ordem é organizar as finanças neste ano, aí, no ano que vem, com a casa em ordem, pode ser possível realizar os eventos de lazer. Eu entendo que esses eventos são esperados pela população. O Juninão é uma festa que nos enche de orgulho. Começou com uma pequena festa junina de bairro, dos moradores do Jardim Europa, e hoje é uma festa grandiosa, esperada por todos na região. Mas eu não posso comprometer os serviços essenciais para a população, comprometer salários para realizar o Juninão.”

A  arrecadação em abril, com pagamento de IPTU, em relação a março do ano passado, quando foi pago o IPTU de 2017,  foi menor em R$ 800 mil, o que comprova a brutal queda na arrecadação. Márcio pretende aumentar a arrecadação com a realização de show de prêmios (incentivo a pagamento de impostos e taxas municipais), renegociar as dívidas dos contribuintes e promover campanhas de conscientização. Na outra ponta, vai estabelecer austeridade nos gastos e promover uma revisão de todos os contratos com os prestadores de serviços no sentido de diminuir custos.

O verdadeiro Novo   

Márcio participou como vice da campanha eleitoral vencedora das eleições que teve Nelson Montoro como titular para o cargo de prefeito. A campanha tinha como lema “O verdadeiro Novo” e propunha implantar uma gestão moderna na administração com política de desenvolvimento econômico, geração de renda e abertura de vagas de trabalho. Márcio pretende impor essa agenda que Montoro deixou esquecida na campanha.

A idéia, segundo ele, é promover reforma administrativa que deixe a prefeitura mais ágil, enxuta, econômica, com arrecadação mais eficiente e mais justa e com mais atuação na  fiscalizadora externa e controle interno. “A população tem direito ao serviço de qualidade, os funcionários tem direito a salários dignos. Isso só é possível conseguir com uma gestão responsável e moderna e atingir isso é o nosso grande desafio.”

A crise econômica que assola o Brasil e que já dura quatro anos, segundo Márcio,  deixou muito claro que o castigo chega com mais força em municípios como Monte Aprazível, refém da monocultura canavieira. “A crise atingiu a cana e pegou todo mundo. Então temos que centrar na diversificação de culturas, fortalecer o pequeno agricultor, incentivar o desenvolvimento econômico, como um todo, incentivando e oferecendo condições para o desenvolvimento do comércio, da prestação de serviços, da indústria.”

Nesse processo, segundo ele, é fundamental a participação do trabalhador e nesse campo as dificuldades são grandes. “Os exemplos estão aqui na cidade e em muitas outras. Não basta apenas criar um distrito industrial, sair um busca de indústrias diversificadas, se não tivermos mão de obra qualificada. Por isso é importante criar uma política de formação técnica de jovens e de qualificação daqueles que já estão no mercado de trabalho. Hoje, o empresário com intenção de produzir, a empresa interessada em conquistar o mercado consumidor,  estão mais interessadas no nível de educação de seu trabalhador, na sua competência e conhecimento técnico em operar máquinas, em produzir, do que receber incentivos fiscais e mesmo terrenos. É claro que vamos fazer o possível, oferecer as condições possíveis e legais para quem queira se estabelecer em Monte Aprazível, mas entendo que se tivermos mão de obra qualificada, vamos  os empregadores surgem naturalmente.”

Lições políticas 

Márcio assumiu o cargo de prefeito de forma circunstancial, com a cassação pela Câmara do cargo ocupado pelo titular Nelson Montoro e diz que a situação é exemplar. “Foi um episódio muito triste e cada vez mais comum no Brasil, mas que deixa uma lição aos prefeitos de respeito às leis e às instituições. O prefeito tem que ter muito claro que não está acima da lei, dos órgãos fiscalizadores, como o Tribunal de Contas e, sobretudo,  de se cercar de funcionários comprometidos com os princípios da administração pública e conhecedores da regularidade dos atos,  consultá-los e seguir suas orientações.”

Para ele, ouvir as ponderações e sugestões dos vereadores e governar em harmonia com a Câmara são fundamentais. “É preciso entender que as boas intenções e o espírito público não são exclusivos do Executivo, o Legislativo tem as mesmas preocupações com a população, com a vantagem de que os vereadores estão mais próximos da população. Então, é preciso um diálogo constante com a Câmara, buscar o consenso, atender os vereadores porque eles estão buscando soluções para os problemas dos moradores. Não há exageros e nem interesse pessoal nas reivindicações que eles apresentam.”

O novo prefeito assumiu a prefeitura com os cargos de confiança preenchidos pelo antecessor. Muitos dos ocupantes destes cargos, especialmente, os de maior visibilidade como os do assessor de educação, Pedro Polotto, e da saúde, Nassibo Sidinani, sequer fazem parte de seu grupo político. Márcio pretende concluir as mudanças em no máximo trinta dias e garante que as mudanças serão criteriosas. “Estamos vivendo um momento político delicado, O mais importante agora é pensar em união. Os cargos são políticos, mas não será esse o critério que vou utilizar. Usarei dois critérios indissociáveis, o da competência e do engajamento com o projeto que vou traçar para Monte Aprazível. Vão ficar todos os que têm competência para o cargo, mas sem engajamento, sem envolvimento, sem o comprometimento a competência fica comprometida e neste caso vamos trocar.”

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