Política de preços da Petrobrás afeta vendas e pode levar a fechamento de postos

Somente em Monte Aprazível, redução no consumo foi de 400 mil litros por mês; caminhoneiros estão em dificuldade

O preço do diesel e da gasolina subindo dia a dia não atrapalha somente a vida dos consumidores, mas está atingindo severamente a economia. Donos de postos de combustíveis e caminhoneiros são seriamente afetados pela política de preços da Petrobrás de correção diária atrelada e atrelada ao dólar e preço internacional do petróleo.

Os combustíveis caros afetam diretamente o faturamento dos postos. Eliseu Miguel Filho, do Posto HM, diz que os postos perdem “muito” a margem de lucro, “porque não tem como acompanhar os aumentos que nos últimos tempos tem sido absurdos” e diminui o faturamento porque “diminuem as vendas”.

Apesar de a situação ser preocupante, Eliseu diz que “por enquanto” não chega a ameaçar o negócio, mas há risco de fechamento de postos. “A gente tem informações de alguns postos que fecharam em cidades num raio de 200 quilômetros de Monte”.

Adhemar Ferreira Junior, do Posto Elefantinho, também aponta a queda nas vendas e a diminuição da margem de lucro como reflexos negativos das altas constantes dos combustíveis. “Preocupa, mas não vejo como uma ameaça ao negócio e sim que haverá quedas substanciais nas vendas. Já postos que aderirem à guerra de preços predatória correm risco de não sobreviver”, diz.

Luiz Henrique Lima Vergílio, do Stop Auto Posto, é outro proprietário de posto a apontar a queda nas vendas e diminuição da margem de lucro como fatores que afetam o faturamento dos postos em razão das altas constantes de preço. “Por conta da crise as pessoas procuram economizar de toda forma e uma delas é utilizar menos o carro, o que acarreta em queda nas vendas. Somos obrigados a diminuir a margem de lucro, pois se formos acompanhar os aumentos de preços a queda nas vendas será ainda maior, já que as altas no diesel e gasolina tem sido praticamente diárias”, comenta.

Luis Henrique também não vê a situação, que classifica de preocupante, como ameaça ao negócio “por conta do combustível ter se tornado praticamente produto de primeira necessidade, junto com o alimento e medicamento”.

Eliseu calcula que suas vendas caíram em média 5% nos últimos dois anos. Adhemar calcula que no seu postos as vendas tenham caído cerca de 20% nos últimos 3 meses “quando se intensificou o reajuste dos combustíveis” e Luiz Henrique também calcula uma queda de 20% nas vendas do Stop.

Eles calculam que há três anos se consumia algo em torno de 1,5 milhão de litros de combustíveis por mês em Monte Aprazível, atualmente eles acreditam que o consumo tenha caído para algo em torno de 1,2 milhão a R$ 1,1 milhão de litros por mês.

Caminhões

Os caminhoneiros, que lideram há 6 dias uma paralisação dos profissionais autônimos em todo o Brasil, sofrem com o alto preço dos combustíveis. Carlos César Passarini, que trabalha como caminhoneiro há 30 anos, diz não se lembrar de um período tão crítico quanto esse de aumento praticamente toda semana no preço do diesel. “O diesel chegou a aumentar duas vezes por semana e o frete continua no mesmo valor. Se aumentar o frente fica inviável trabalhar porque o consumidor final não aguenta pagar”.

Ele conta que ainda está conseguindo sobreviver porque possui contrato com uma empresa de esquadrias metálicas para transportar a produção e ganha por quilômetro rodado, “mas quem trabalha por conta própria dependendo de transportadora está parando os caminhões porque não consegue mais trabalhar”.

Ele diz que a alta do diesel não é o único problema do caminhoneiro. “Além disso, a manutenção do caminhão é cara, os dispositivos que o governo cria nunca resolve nosso problema.  Eu preciso fazer o motor do caminhão, fica entre R$ 15 mil a R$ 17 mil, não tenho recursos, preciso financiar e a linha de financiamento que tinha no BNDS está fechada”, queixa-se.

As propostas do setor

A política de preços da Petrobrás de corrigir os preços acompanhando o preço internacional não encontra anuência entre os donos de postos de combustíveis. Ele consideram inviável a alteração de preços todo dia, até porque afirmam trabalhar com estoques.

Eliseu Miguel Filho, do Posto HM, diz que o Brasil não é acostumado a essa prática de preços. “É impraticável os postos acompanhar essa política de preços da Petrobrás de mudar o valor diariamente. Como podemos fazer isso se trabalhamos com estoque. Às vezes temos um estoque que pagamos preço mais alto. O que deveria acontecer é o tabelamento do combustível. Aí acabariam os problemas”.

Já para Adhemar, o ideal  é que “houvesse um intervalo de 30 dias para reajustar o preço na Petrobrás. Acredito que assim o preço não seria afetado por essa volatilidade”, diz.

Luiz Henrique Lima Vergílio, do Stop Auto Posto, diz que o Brasil se diz auto-suficiente em petróleo e que por essa razão não entende essa mudança brusca nos valores. “Em tese não há motivo para acompanhar o preço internacional do barril. A política da Petrobrás poderia ser mais suave. Não precisa adotar esse acompanhamento rigoroso do mercado externo”.

Luiz Henrique diz que “seria ideal uma política de adequação de preços de combustíveis que se aproximasse a dos medicamentos, que são tabelados. Assim acabaria a discussão”.

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