Escola Agrícola desenvolve tecnologia com espécies exóticas de peixe para elevar em 10 vezes o lucro do produtor rural

Especialista em reprodução e criação de peixes, professor Winebaldo, começa a desenvolver pesquisas com espécie asiática

 

A Escola Técnica Estadual (Etec) Padre José Nunes Dias, antiga escola agrícola, desenvolve há cerca de um ano o projeto de reprodução induzida do Pangasius. O projeto, segundo o professor Winebaldo de Carvalho, especialista em piscicultura, tem por objetivo produzir alevinos de Pangasius para fornecimento a produtores da região que tenham tanques desativados e que desejem retomar a produção e também a produtores que desejem aumentar a produção de peixe e renda.

Winebaldo explica que o que limita a criação dos peixes redondos, como o Tambaqui, Pacu, Tambacu, Pirapitinga e Patinga é o oxigênio presente na água, já que esses peixes são espécies apenas com respiração branquial. “Já o Pangasius tem respiração alternativa, além de ter a respiração branquial, tem também a respiração pulmonar. Isso significa que numa pequena área podemos criar mais Pangaius do que os chamados  peixes redondos”.

“Dos peixes que trabalhamos na escola há anos conseguimos tirar 1,5 a 2 quilos por ano por metro quadrado – diz – com o Pangasius, que não tem o oxigênio como fator limitante, podemos tirar de 20 a 30 quilos por ano por metro quadrado. Hoje em dia é preciso entender que o lucro está na quantidade da produção e na criação de peixe funciona da mesma forma”.

Ele exemplifica que “num tanque de 1 mil metros quadrados se produz 1,5 quilos de Pacu. Se o lucro for de R$ 1,00 por quilo o produtor terá uma renda de R$ 1,5 mil em mil metros quadrados de viveiro. Se passar a criar o Pangasius em um viveiro da mesma área ele pode produzir 20 quilos por metros quadrado e ainda que o preço de venda e o lucro sejam a metade do Pacu, o piscicultor terá lucro líquido de R$ 10 mil. Vale ressaltar que os custos fixos para produzir o Pacu e o Pangasius são praticamente os mesmos”.

A outra grande vantagem, segundo o especialista em piscicultura, é que o Pangasius é um peixe que o consumidor poderá comprar o filé na faixa de R$ 12,00 o quilo, “preço de carne bovina de segunda e extremamente competitivo com outros tipos de carnes”, destaca. Winebaldo diz que em 2016 o Brasil importou 70 mil toneladas de filé de Pangasius, “o que significa que é um peixe que foi aprovado pela população brasileira”.

O projeto da escola, segundo o professor, está com 60 matrizes que estão completando 3 anos, idade apropriada para início da reprodução.

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