João Francisco Neto: O centenário de Mandela

Em julho deste ano de 2018, a África do Sul e o mundo comemoram os cem anos do nascimento de Nelson Mandela, um verdadeiro mito que paira sobre toda a Humanidade. Nestes tempos “modernos”, de gente covarde, oportunista, mesquinha, interesseira e carreirista, Mandela nos deixa um inestimável legado de coragem, que transcende e muito as fronteiras da sua querida terra natal, a África do Sul.

Nascido numa pequena localidade, no seio de uma importante família de chefes tribais, somente anos mais tarde seria batizado numa igreja cristã, com o nome de Nelson Mandela. Em 1939, Mandela ingressaria na Universidade de Fort Hare, a única que aceitava alunos negros. Devido ao seu espírito indomável, desde cedo acabou se envolvendo com movimentos reivindicatórios e, por isso, teve de abandonar o curso de Direito, concluído mais tarde numa universidade de Joanesburgo.

A partir de 1942, Mandela ingressa no Congresso Nacional Africano, transformando-o num grande movimento de massas, contrário à violência e que adotava somente técnicas pacíficas, como o boicote, a greve, a mobilização de massas, a desobediência civil, etc. Porém, a partir 1960, diante da violenta repressão da polícia sul-africana, a saga de Mandela começa a ficar dramática.

A partir de então, seria duramente perseguido, preso, e finalmente condenado à prisão perpétua. Mesmo tendo ficado encarcerado por 27 anos, acabou se tornando o maior de todos os símbolos da luta contra o apartheid. Nesse período, sua maior e única arma era apenas a palavra.

A África do Sul, colonizada por ingleses e holandeses, sempre foi racista, porém, em 1948, com a subida ao poder do Partido Nacional, foi instituído oficialmente um odioso regime de segregação racial, o apartheid, que fixava regras que separavam brancos, negros, mestiços e indianos.

Um pouco antes da queda do regime racista, a África do Sul vinha sofrendo o repúdio de toda a comunidade internacional, culminando com uma declaração oficial da ONU, que condenava duramente aquele regime odioso. Mandela, o arquiteto do desmonte do apartheid, dizia: “detesto o racismo, porque o vejo como algo bárbaro, venha ele de um homem branco ou de um negro”.

Mandela era também um homem de grande visão política; achava que o mundo deveria seguir avançando pelo caminho em que o ser humano, dentro de sua diversidade, prestigiasse sempre os valores essenciais da vida, como a paz, a igualdade e a saúde. Ciente das profundas mudanças por que passava o mundo, dizia que a globalização era como o inverno: sabemos que ele virá e devemos nos preparar para isso.

  Esta é a lição que fica para nós: o grande Nelson Mandela lutou a vida toda pela igualdade das pessoas, embora ele próprio nem sempre tenha sido tratado dessa forma. Mandela viverá para sempre na mente e no coração das pessoas do mundo todo.

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