Para empresários, economia não se recupera no semestre e 2018 também será perdido

Serão nulas as possibilidades de  novas vagas de emprego e investimentos que estimulem a retomada  do crescimento

 

A recuperação econômica não veio no primeiro semestre, apesar da grande expectativa do final do ano passado e início deste ano. O desemprego aumentou, houve queda na atividade econômica e diminuição da confiança dos setores produtivos e das famílias. A Voz Regional ouviu comerciantes, industriais e prestadores de serviço para saber como deverá ser o segundo semestre com incerteza tão grande que será gerada pela eleição. E o resultado da pesquisa foi que o segundo semestre também deverá ser de recessão.

O industrial Antônio Aparecido Minuci, proprietário da MM Gabinetes, diz estar “bastante preocupado, porque não vemos reação na economia. O desemprego ainda está muito alto e para a economia reagir só com o consumidor final empregado. A copa atrapalhou e a eleição também está gerando certo ceticismo no empresariado”.

“Acredito que a partir da definição das convenções deva haver uma reação no mercado – prossegue – mas a gente sente que o mercado ainda está bastante retraído. Normalmente o segundo semestre é melhor, mas este ano não dá para prever por causa das eleições”.

Minuci diz que a criação de empregos depende da atividade econômica e no momento está difícil e novos investimentos na indústria estão descartados. “O momento está complicadíssimo em razão do período eleitoral. Acredito que no segundo semestre os investimentos deverão ficar em compasso de espera até a definição das eleições. A eleição deve retardar um pouco a retomada do crescimento econômico”, analisa.

O comerciante Giuseppe Maset Junior, proprietário da Matriz Móveis, acredita que o segundo semestre “também estará totalmente perdido. Acho que o crescimento econômico vai estar perto de zero e só retoma a partir do ano que vem com a chegada do novo governo”.

Diante disso, na opinião dele, não deve haver criação de empregos, nem novos investimentos. “Acho que até as contratações temporárias por ocasião do Natal deverão ficar comprometidas porque não há expectativa de melhora”, diz. Os investimentos também não deverão acontecer no segundo semestre porque “quem tem dinheiro está cautelosos, esperando passar esse período de crise. Financiamentos então nem pensar, pois não existe mais dinheiro em banco para investimento ou capital de giro porque os juros estão abusivos”, comenta.

Ele diz que “como bom brasileiro espero que no ano que vem haja a retomada do crescimento porque, caso contrário, muitas empresas acabarão por fechar as portas”.

A prestadora de serviços Ana Paula Rodrigues Alves, gerente da oficina mecânica Inovadora, diz que “o mercado aponta para estagnação no segundo semestre também. Esperamos que haja uma reação, mas tudo aponta para que tudo continue do mesmo jeito. As pessoas estão com medo de gastar. Quem não tem dinheiro está deixando de arrumar o veículo e a maioria dos que tem dinheiro estão fazendo apenas no necessário”.

Por essa razão, ela diz que a contratação de novos empregos fica suspensa e ela lamenta porque diz que “nunca recebi tantos currículos. Antes vinham de 2 a 3 por mês, agora recebo essa quantidade por semana e a maioria de jovens, mas por enquanto não há a possibilidade de novas contratações”, diz.

A exemplo dos demais entrevistados, Paula também acredita na retomada do crescimento depois de passada a eleição. “Acredito que com o novo governo o mercado deva reagir. Porque no momento está difícil. Antes ainda oscilava, agora não está nem oscilando, o fluxo está bem menor do que antes”, conclui.

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