Há 31 anos, José Carlos adoça, com suas cocadas, a festa de Bom Jesus

Em todo ano na festa em louvor ao Senhor Bom Jesus, os barraqueiros se instalam na praça da matriz. Alguns deles, como José Carlos da Silva, da barraca da cocada, vem desde 1.987. Apesar do desconforto, eles gostam de trabalhar em barracas, embora tenham que recorrer a hotéis para banho e dormir, custos, que somados à alimentação, tira grande parte de seu ganho.

O comércio informal de festas populares requer sacrifícios. Os barraqueiros conhecem o valor de um pequeno espaço, o cantinho para tirar o sustento. O caminho desses vendedores ambulantes é feliz e difícil, mas, segundo eles, vale a pena.

José Carlos da Silva, da barraca da cocada, trabalha como barraqueiro há 35 anos. Ele mesmo que produz os doces, desde descascar o coco em fruta até o produto final, que resulta em 5 qualidades de cocada: a queimada, a branca, com maracujá, com leite condensado e a quebra queixo.  Ele conta que fica em média 30 dias em cada cidade e na festa do Senhor Bom Jesus de Monte Aprazível ele vem desde 1.987, quando a festa ainda era realizada na praça.

José Carlos passa o dia todo na barraca. Durante a semana abre a barraca às 8 horas e fecha às 22 horas e nos finais de semana abre às 8 horas e fecha a meia noite. Para dormir e tomar banho ele recorre a um hotel.

Casado e pai de uma filha, José Carlos vai para casa rever a família a cada 15 dias. A família reside em Pereira Barreto. Apesar da vida sacrificante, ele diz gostar desse ritmo. “Quando eu fico em casa, parado, fico inquieto. Gosto de estar na barraca, conhecendo gente e lugares novos. Nessa vida a gente faz muitas amizades”.

Indagado sobre o faturamento da barraca, José Carlos, que é empregado, diz que o movimento já foi melhor. No caso da festa de Monte ele diz que já foi boa, “agora o movimento é razoável”, mas mesmo assim ainda compensa o sacrifício de ficar longe de casa tanto tempo.

Edivano Nobre, trabalha com uma barra de bijuterias e variedades. Ela está no ramo há aproximadamente 30 anos. Ao contrário de José Carlos, ele é proprietário de sua barraca e desloca-se com ela para várias localidades brasileiras. Ele conta que faz de 15 a 20 festas por ano e que fica em cada uma o tempo em que dura a festa. “Normalmente ficamos de 15 a 30 dias, mas tem festa que só dura 3 dias, em compensação tem outras que dura até 40 dias”.

Residente em Paraguaçu Paulista onde tem filhos, ele vai para casa há cada 15 ou 30 dias, “dependendo da distância que estou de casa vou com mais frequência, se estiver longe demoro mais pra ir”, conta.

O fato de montar e desmontar a barraca por onde passa ele diz que “é o de menos. Eu já estou acostumado e gosto dessa vida. A gente conhece novos lugares e faz muitas amizades”.

Ele também costuma recorrer a hotéis para tomar banho e dormir, mas em Monte Aprazível, como não tem guarda na praça ele diz que se reveza com os colegas dentro da barraca. “Como não podemos deixar a barraca sozinha, a gente tem se revezado. Uns dormem no hotel e outros dormem nas barracas”.

Edivano diz que “hoje em dia está difícil, as vendas caíram, mas ainda dá para se virar e o bom dessa vida é que conquistamos novas amizades e conhecemos novos lugares”, encerra.

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