Impedir o ressurgimento de doenças erradicadas como polio e sarampo é o desafio dos municípios

Profissionais da saúde fazem alerta aos pais de que só vacinação massiva casos de paralisia e sarampo

 

A campanha nacional de vacinação contra a poliomielite e sarampo começou no sábado passado e vai até o dia 31 de agosto. Crianças entre 1 e 5 anos devem ser levadas ao posto de saúde para receber a vacina, independentemente se já tomaram o imunizante, a exceção é para quem tomou a vacina mais recentemente, nos últimos 30 dias. A ganha deste ano traduz a preocupação das autoridades sanitária com a ameaça da reintrodução da polio no país como  ocorreu com o sarampo, doença que estava erradicada, devido as baixas coberturas vacinais dos últimos anos.

Neste ano, segundo Gláucia Zoccal Fernandes Laguna, enfermeira responsável pela campanha em Monte Aprazível, a campanha de vacinação será feita de forma indiscriminada para manter coberturas homogêneas de vacinação. Para a poliomielite, as crianças que não tomaram nenhuma dose durante a vida, receberão a VIP. Já os menores de cinco anos que já tiverem tomado uma ou mais doses da vacina, receberão a VOP, a gotinha. Em relação ao sarampo, todas as crianças receberão uma dose da vacina tríplice viral, independentemente da situação vacinal, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias.

A campanha, segundo Gláucia, tem por objetivos vacinar quem nunca tomou a vacina, completar todo o esquema de vacinação de quem não tomou todas as doses e dar uma dose de reforço para quem já se vacinou completamente, ou seja, tomou todas as doses necessárias à proteção.

Glaucia entende que só a vacinação contínua impede que doenças ressurjam

“Há casos de sarampo em outros Estados. O problema é que se a cobertura vacinal for baixa é uma porta de entrada para a reintrodução do vírus”, alerta Glaucia, pois a doença  pode ser fatal e é uma das principais causas da mortalidade infantil nas regiões tropicais do mundo

A poliomielite, também conhecida como paralisia infantil, também é muito grave, causando paralisia permanente em determinados músculos, causando desconforto e sérios problemas de mobilidade (ver reportagem abaixo).

A campanha foi aberta no sábado passado e vai até o dia 31, sendo 18, o segundo Dia D, com ampla divulgação. “É preciso que as pessoas não descuidem da imunização porque em uma situação de baixa cobertura  temos uma falsa impressão de que a doença foi eliminada no país. Mas é a cobertura vacinal que faz a doença desaparecer. E é por isso que devemos continuar vacinando as crianças, para manter essas doenças longe do Brasil”, ressalta Glaucia.

Adultos que nunca tomaram a vacina precisam tomar duas doses até os 29 anos e adultos de 30 aos 49 anos precisam tomar uma dose. Após o 50 anos a vacina não precisa ser tomada.

 

A polio discrimina e limita a vida

O biomédico Iran dos Santos Gomes, 60 anos, teve poliomielite aos quatro meses, em 1958, quando ainda não existia a vacina Sabin. Ele conta que na época a vacina que protegia contra a pólio era a Salk, mas só era administrada depois de seis meses e ele teve a doença aos quatro meses.

Ele lamenta a situação porque a poliomielite limita a pessoa permanentemente. “Limita a vida social, profissional. Tem que viver a vida toda com limitações e discriminações. Impede a criança de fazer o que mais gosta que é correr, jogar bola, andar de bicicleta. Essa doença é altamente debilitante e quando chega na vida adulta a gente passa a sofrer discriminações e dificuldade até para se colocar profissionalmente, mesmo tendo nível superior, como é o meu caso”, diz.

Iran diz que a poliomielite impõe ter que utilizar orteses, próteses, aparelhos especiais, cadeira de rodas e demais instrumentos que auxiliem na locomoção para o resto da vida e considera “inadmissível nos dias de hoje que um pai e uma mãe não vacinem seus filhos contra a poliomielite, bem como quaisquer outras doenças evitáveis com vacinas disponíveis e gratuitas, porque a debilidade que uma doença como a pólio causa a criança é muito grande sem falar que a pólio em casos extremos pode até matar”, finaliza.

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