Perdas do milho safrinha e cana foram de 12% a 30% com estiagem de 100 dias

Índices de chuva foram muito baixos de abril a julho e período seco só termina outubro, segundo técnicos

 

A seca severa deixa a situação na agricultura dramática na região. Pasto seco, baixa produtividade e muita poeira. Esse é o resultado de mais de três meses sem chuva na região. A cana, o milho safrinha e as pastagens têm sido castigadas pela seca e, por causa desse clima, alguns produtores rurais buscam alternativas para diminuir os prejuízos.

O engenheiro agrônomo e coordenador agrícola da Associação de Plantadores de Cana da Região de Monte Aprazível (Aplacana), João Aoki, diz que de um modo geral a água em uma cultura é tudo, “porque ela que leva os nutrientes para dentro da planta. Todo reflexo da perda de água leva a quebra de produtividade. Quanto maior for o período de seca, maior o reflexo na perda de produtividade”.

Ele conta que o reflexo dos três meses sem chuva na região é a perda de 12% a 20% da produtividade estimada da cana. “Há casos isolados de perda de até 30%, o que reflete muito, porque quando há baixa produtividade a tendência do preço é melhorar, só que esse ano a produtividade está caindo e o preço não está reagindo até o momento”.

O impacto na renda do produtor é alto e muito negativo. Aoki diz que “tira toda a capacidade de investimento do produtor na melhoria da área, na adubação, nos tratos culturais adequados e no controle de pragas. O produtor fica sem recursos para investir na melhoria da área, o que impacta na produtividade do ano seguinte”, avalia.

Ele alerta que como a seca ainda deve persistir até setembro, “teremos um período de umidade muito baixa com perigo de incêndios, por isso pedimos que os cuidados com o descarte de bituca de cigarro sejam redobrados. Apelamos para a conscientização das pessoas”, enfatiza.

Além da cana, a falta de chuva atrapalhou bastante a produção do milho safrinha, a segunda safra que seria colhida agora. De acordo com o engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura, Lucas Simão, o milho safrinha registrou uma queda de aproximadamente 80%. As pastagens também foram prejudicadas, segundo ele, mas tendem a ser castigadas mais agora em razão das baixas temperaturas registradas.

Lucas sugere a cana como alternativa mais barata para o gado

Alguns produtores rurais buscam alternativas para diminuir os prejuízos. Lucas indica a cana para tratar o gado como alternativa mais barata, o problema, segundo ele, “é a dificuldade de mão de obra para a colheita da cana”. Uma segunda opção é a silagem, que custa entre R$ 150,00 a R$ 200,00 a tonelada e há ainda, de acordo com ele, a sobressemeadura com aveia e azevém para quem tem disponibilidade de irrigar o pasto. “A sobressemeadura de aveia e azevem sai mais barato do que fornecer ração”, conclui.

 

Chuva pra valer, só em outubro

Depois de mais de cem dias sem precipitações, finalmente choveu na região. O pluviômetro da Associação de Plantadores de Cana da Região de Monte Aprazível (Aplacana) marcou 29 milímetros de chuva caída até a última quinta-feira.

A precipitação, segundo o gerente agrícola da Aplacana, João Aoki, ajuda um pouco, mas não é suficiente para as culturas de maneira geral. “A chuva ajudou a recuperar a umidade relativa do ar e a diminuir a carga de poluentes do ar, mas não trouxe grandes benefícios para as culturas de modo geral. O volume caído não dá condições da planta retomar o seu desenvolvimento. Precisa chover mais”, diz.

O volume acumulado de chuva em 2015 e 2017 foi, segundo Aoki, melhor. “Não teve problema tão grave de seca. Em 2015, o acumulado de janeiro a agosto foi de 1.087,50 milímetros e em 2017 foi de 1.071,50 ml. Em termos de acumulado 2016 e 2018 foram praticamente iguais, Em 2016 o acumulado de janeiro a agosto foi de 874,50 ml e este ano está acumulado em 779,50 ml, mas a distribuição de chuva foi melhor em 2016. Naquele ano a planta não sentiu tanto como está sentindo esse ano. De abril a agosto choveu muito pouco”.

Aoki: setembro de baixa precipitação

Em abril de 2016 choveu 39,50 ml, enquanto que em abril desse ano choveu 5 ml Em maio de 2016 choveu 115 ml, em maio desse ano choveu 30 ml. Em junho de 2016 choveu 72,50 ml, enquanto que em junho desse ano não houve precipitação. Em julho de 2016 não houve precipitação, no mês passado choveu 5 ml, mas em compensação em agosto de 2016 choveu 55 ml e do dia 1º de agosto até a última quinta-feira havia chovido apenas 29 ml.

Mas o quadro, de acordo com Aoki, está dentro da normalidade. “Na nossa região de modo geral em julho e agosto praticamente não chove. O volume é reduzido. O detalhe é que 2018 foi bem atípico em termos de distribuição de chuvas, embora o acumulado esteja dentro da normalidade”, diz.

Indagado sobre o que a meteorologia prevê para os próximos meses, Aoki diz que a previsão está variando dia a dia, “mas para agosto a previsão é de pouca precipitação, como também será em setembro. Vai começar a chover, mas abaixo da média. Só a partir de outubro é que deve regularizar as precipitações”, conclui.

Categorias: Agricultura