Como deve ser o Brasil de amanhã quando haverá sete idosos para cada três crianças?

Velhos de hoje aconselham autoridades e legisladores para uma sociedade mais digna e inclusiva na velhice

 

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que o Brasil tem 42 milhões de brasileiros maiores de 60 anos e que em 50 anos o número deve dobrar, passando os maiores de 60 a ser mais que o dobro do número de crianças de até 14 anos, numa proporção de 7 idosos para 3 crianças. Em 1.980 havia 5 crianças para cada idoso.  A Voz Regional ouviu alguns idosos para saber o que os poderes públicos devem fazer para que uma criança hoje com 14 anos tenha o que os idosos atuais  gostariam de ter tido em qualidade de vida.

O professor Elieser Justino de Oliveira, 70 anos, que acumula a função de docente universitário na faculdade Dom Bosco com a de assessoria da Cultura e Turismo do município de Monte Aprazível, diz que “o papel dos poderes públicos é dar prioridade à criação de meios e projetos que estabelecem medidas prioritárias nas áreas da educação, cultura, esporte, lazer, saúde, assistência social, segurança alimentar, habitação, mobilidade urbana, trabalho e emprego para uma velhice segura da população.

A servidora estadual aposentada Sônia Canheo, 65 anos, que atua como psicopedagoga e artista plástica, diz que os poderes públicos devem investir mais em educação física, colocando à disposição dos idosos esportes de acordo com o gosto e aptidão de cada um. Acredita também que devem ser inseridos na escola práticas de trabalhos manuais de modo que na velhice os idosos tenham uma atividade aprendida ainda quando criança na escola. Acha pertinente também o oferecimento de curso de línguas estrangeiras e de reaproveitamento de alimentos de modo que “a alimentação durante a vida toda seja mais nutritiva e sem desperdícios, porque os tempos estão muito difíceis e a carestia está muito grande, sem mencionar que os altos índices de nutrientes estão nas cascas e talos dos alimentos”, diz.

Sônia acha também que os poderes públicos devem investir mais na arborização de praças, com ênfase na arborização frutífera, de modo a favorecer o contato com a natureza e proporcionar um ambiente agradável. Sugere também que os poderes públicos cuidem da infraestrutura urbana de modo que facilite o trânsito de pedestres idosos, com asfalto de qualidade e calçadas livre de obstáculos.

O professor Vanderlei Pereira, 71 anos, que atua como gestor escolar da faculdade Dom Bosco de Monte Aprazível, acha que o país tem que se preparar para dar condições de convívio do idoso com naturalidade, “sem nenhum tipo de preconceito, porque o idoso pode ser muito útil transmitindo suas experiências profissionais para os mais jovens”. Ele cita ainda que o sistema de saúde precisa ser preparado para atender as necessidades dos idosos “de modo que venha a atender as necessidades dos idosos não separadamente, mas com mais carinho e esmero”.

Vanderlei diz também que há necessidade de aumentar e melhorar a estruturar dos asilos já existentes para receber os idosos que sejam vitimas de abandono familiar e aumentar o numero de casas de repouso nas quais o idoso possa passar o dia junto com demais idosos de maneira prazerosa e desenvolver algumas atividades, voltando para o convívio da família ao entardecer, “mas para que tudo isso ocorra é preciso com urgência de uma política que proporcione ao idosos uma vida útil, que combata a solidão e a depressão”, enfatiza.

A professora aposentada Yolanda Sera Junqueira, 89 anos, acha que atualmente o idoso ganhou garantias que os favorecem. “Acho que a criança tem hoje mais do que eu tive na infância. No nosso tempo não tinha material escolar, uniforme e lanche proporcionados pelo poder público como é agora. Atualmente o Estado dá muita assistência e é assim com as crianças e os idosos, que de um modo geral está bem assistido. Fui poucas vezes no asilo, mas sei que lá os idosos são muito bem tratados”.

Yolanda acredita que a criança não pode se afastar da escola, “por isso os pais tem que ter atenção especial e cuidar da juventude, porque esse cuidado é um investimento para o idoso que se tornarão”, conclui.

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