Márcio Miguel pretende testar modelo de agricultura familiar para gerar renda rápida

Prefeito de Monte Aprazível desenvolve estudos de pequenos empreendimentos econômicos e sociais para gerar renda

 

O prefeito Márcio Miguel aceitou a proposta do vereador Ailto Faria (PV) de desenvolver estudo da viabilidade técnica da implantação de um programa de gestão da cadeia produtiva do agronegócio de pequeno porte, através de difusão  e transferência de tecnologia para otimizar a produção de leite, frutas e hortaliças e estabelecimento de mercado consumidor regional.

A primeira reunião neste sentido foi realizada na segunda-feira, na Câmara, com o vereador Ailto e o agrônomo Leandro Ferreira. Leandro é residente em Monte Aprazível, com atuação em projetos assemelhados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Tocantins entre outros.

Márcio Miguel revelou considerável interesse pela implantação do projeto deixando clara sua preocupação com as questões de mercado, segundo ele, cruciais para o sucesso ou fracasso do empreendimento. “O grande problema é a comercialização da produção, resolvido isso, as chances de sucesso são boas”, lembrou Márcio.

Leandro ponderou que os produtores que estarão no projeto serão orientados no atendimento das práticas exigidas pelo consumidor cada vez mais exigente e que a aplicação de tecnologia, tratos culturais e práticas adequadas de manejo são capazes produzir alimentos que interessam ao mercado.

O agrônomo  salienta que o potencial do município é muito bom quanto a produção em quantidade e qualidade, como a demanda é muito grande na região.

Leandro lembrou da possibilidade da colocação dos produtos na merenda escolar, Santa Casa, varejo local e das cidades próximas, além da colocação desses produtos no CEASA e ainda o potencial consumidor do varejo de  Rio Preto e Mirassol.

“O município representa, em volume, uma considerável bacia leiteira, assim como, apresenta elevado potencial produtivo para outras culturas de valor econômico agregado, com alta demanda de mercado, como as culturas de hortaliças e frutícolas ainda pouco exploradas pelo setor de produção agropecuário local.”

Leandro concorda que a comercialização é uma questão a ser levada em conta, mas aponta que ela será vencida com mais facilidade com tecnologia, acesso à informação, sanidade zootécnica, cuidados fitossanitários, ajuste de manejo e elevação da produtividade.

Para ele, o aumento da produtividade a custo muito baixo, aproveitando o potencial existente em cada propriedade, eleva a renda, estimula a produção em escala, facilitando a conquista e manutenção do mercado.

Recurso e renda

Leandro explicou que existe a possibilidade de recursos  federais e estaduais para financiar o programa, desde que o município tenha o conselho e fundo municipais de agricultura. Segundo Márcio, o conselho existe legalmente, sendo preciso reativá-lo ou eleger uma nova diretoria e em seguida criar o fundo.

Paralelamente ao cumprimento da legislação, o setor da prefeitura deve mapear os produtores, identificar aptidões, interesses e atividades agrícolas possíveis para iniciar o programa com trinta agricultores e a partir dos resultados  ampliar o grupo com vistas a formação de grupos, associação e até mesmo cooperativa de agricultores.

Para o vereador Ailto, criador da ideia, o programa tem capacidade de gerar renda e até mesmo emprego de forma rápida, sem praticamente qualquer custo. “A idéia é aproveitar e adaptar tudo que existe na propriedade, topografia, disponibilidade de água do terreno, posição da rede elétrica, materiais como madeira, telas, cerca, implementos e máquinas à própria aptidão do produtor para determinada cultura ou atividade, sem que ele disponha de dinheiro”, explicou Ailto.

O vereador entende que o programa surge num momento ideal, em que o produtor está descapitalizado para investir, impossibilitado de arrendar a terra pela crise no setor canavieiro e pela recusa das usinas em arrendar pequenas áreas. Ele reconhece que haverá críticas de quem não tem ligação com o meio rural e resistência dos próprios produtores em aderir ao programa, mas usa um argumento inabalável: “É comum dizer que o produtor rural não aceita opiniões de fora e resiste ao trabalho em grupo e associativo. Eu tenho certeza de que o quê o produtor não gosta é de prejuízo, de não tirar renda da terra. Produtor rural não gosta é de aventura. Ele é cauteloso, mas onde ele vê possibilidade de ganhar dinheiro ele entra de cabeça no negócio”, conclui Ailto.

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