Câmara impede prefeito de remanejar orçamento para obra de R$ 1,6 mi em Tanabi

Foto: Para Gilbertinho, cidade tem outras prioridades a serem atendidas com investimentos

 

Norair alega vingança oposicionista para atrapalhar a administração, mesmo com votação unânime

 

Emenda de autoria dos vereadores oposicionistas  de Tanabi ao projeto de dotação orçamentária do prefeito Norair da Silveira (PSB) diminuiu a autorização de remanejamento de recursos em R$ 1,6 milhão, frustrando a intenção da administração de construir um novo dispositivo de acesso da cidade. A emenda recebeu a adesão dos vereadores Alexandre Bertoline (DEM) Rodrigo Bechara (Podemos), Adivaldo Cristal (PSB) e Devinha Zanetoni (MDB), aliados do prefeito.

Os vereadores autorizaram somente o remanejamento de R$ 2,4 milhões, o que impede Norair de contratar a pavimentação do trecho da antiga Estrada do Tabuado entre a cidade e o Posto 474, na rodovia Euclides da Cunha. Para o vereador Gilbertinho Faria (PSC) a Câmara entendeu não ser razoável retirar dotações de outros setores da administração para investir em uma obra não prioritária para o momento.

“Se o prefeito for sincero ele vai perceber que a Câmara agiu pelo interesse do município. Afinal, o que é mais importante, resolver a falta de água na cidade que é um problema diário de grande parte da população ou asfaltar um trecho rural que pode esperar? Não é justo pavimentar um trecho de estrada rural, enquanto parte da população fica esperando a água cair da torneira para fazer comida.”

Gilbertinho lembra que, dentre as “as muitas prioridades da população”, tem o esgoto do bairro Zé Onha, a reivindicação dos comerciantes para melhorar a segurança.

Norair entende que a pavimentação é prioritária e que é possível com ela destravar o desenvolvimento da cidade. “Tanabi é uma colmeia de jataí, tem uma só entrada que é a mesma porta de saída. Com a pavimentação vamos construir um novo acesso que facilita o deslocamento das pessoas, dos viajantes, atende famílias e estudantes da zona rural e viabiliza o desenvolvimento”, defende ele.

Vingança

Para Norair, a emenda foi uma vingança da oposição que não conseguiu votos para cassar seu mandato. “Diante da pressão, os vereadores da situação ficaram constrangidos e votaram com a oposição.”

Para o prefeito, a emenda foi absurda, foi uma interferência do Legislativo “que quer mandar na administração.” Norair argumenta que a prefeitura vem atuando em todas as questões que julgam prioritárias, apontando os investimentos na expansão de captação e armazenamento de água, reparos na rede de esgoto dos bairros Zé Onha e Vila Rica, se comprometendo com ações de segurança e investindo em obras de infraestrutura urbana e rural.  “Parte dos vereadores estava na Câmara na administração anterior e as prioridades que relata agora já existiam anteriormente, mas a cobrança só veio agora. Sabemos delas, estamos resolvendo e tentando fazer novos investimentos, como a pavimentação da estrada, mas a oposição não quer que se resolva, ela prefere fazer a política do quanto pior melhor.”

O presidente da Câmara, Marcos Paulo Mazza (DEM) diz que o prefeito tem dificuldade em admitir seus erros e suas políticas equivocadas. “Ele vê conspiração da Câmara, da oposição, em um episódio em que os próprios vereadores dele, todos os quatro, consideraram um investimento desnecessário o asfalto da estrada neste momento. Os vereadores apenas expressaram o que pensa a população, de que há problemas mais urgentes a serem resolvidos.”

O vereador lembra que a mesa diretora da Câmara nunca agiu politicamente. “Não tem nenhum projeto engavetado, todos os projetos são encaminhados imediatamente para votação, todos de interesse do município e da população foram aprovados por unanimidade. Agora tem um papel a cumprir, ela tem o direito e o dever de não aprovar os erros do Executivo.”

Para Marcos Paulo, há uma defasagem de tempo que o prefeito, segundo ele, se recusa a admitir. “Vivemos em uma democracia com forte participação popular, com a população tendo informação e informada de seus direitos. A população quer participar, definir prioridades e tem nos vereadores o único canal de diálogo e a Câmara tem que ser ouvida, porque é ela que a população procura. Mas o prefeito não admite a Câmara como interlocutora da população e surgem os impasses. Falta discussão, tudo poderia estar resolvido se o projeto que ele enviou fosse discutido antes, assim se chegaria ao consenso do que é prioridade para a população nesse momento”, finalizou Marcos Paulo, lembrando que Norair, durante a campanha eleitoral, prometeu ouvir vereadores e a população.

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