Estrutura pedagógica e salários colocaram educação de Tanabi no topo do IDEB

Em dez anos, município concentrou atenção no ensino fundamental e os resultados foram imediatos

 

De uma realidade educacional alarmante em 2005, com índices sofríveis na primeira avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica -IDEB-, aplicado pelo Ministério da Educação, o município de Tanabi, conseguiu passar para o estágio de excelência. A secretária municipal de educação, Edna Cristal, atribuiu resultados tão positivos ao comprometimento de gestores, coordenadores, diretores, professores e funcionários com o aprendizado do aluno, aliado às  estruturas pedagógicas  e físicas funcionais que estimulam o professorado e a continuidade do projeto com nomeação de diretores por concurso público.

Estímulo tão importante, que a secretária reconhece como tal, é o plano de carreira do magistério municipal. O salário médio da categoria é de R$ 4 mil, sem contar o abono salário de 160% pelo cumprimento da meta estabelecida pelo IDED. “O plano de carreira, além do quinquênio geral do funcionalismo, eleva a referência trienalmente por tempo e assiduidade, e ainda por acúmulo de títulos e cursos”, diz Edna.

Os efeitos das políticas salarial e pedagógica foram imediatos. Na segunda aplicação da prova, em 2007, a meta estabelecida pelo Ministério foi superada e quatro anos depois, o município superou, em 2011, a meta projetada para dez anos depois, em 2021.

A nota geral do município, de 2017, divulgada no início da semana foi de 7.7 para uma meta de 6.6, acima inclusive, dos 7 projetados como nova meta para 2021. As metas futuras sobem automaticamente com os avanços registrados em cada biênio, embora não sejam reduzidas com eventuais recuos.

Por escolas, há avanços formidáveis, como da Antônio Soares, no bolsão mais pobre do município, o Sítio do Estado. Em 2007, sua avaliação foi de 3.5, em 2007 registra um avanço de mais de 100%, com nota de 7.3, quando sua meta para o ano foi de 4.6.  A Tereza Magri teve índice de 8.2 e o Ministério esperava dela um desempenho de 6.6.

As escolas com menores avanços são as dos distritos  de Ibiporanga e Ecatu,a primeira, 0.2 abaixo da meta e a segundo 0.5 menor. O fato é justificado por Edna mediante a alta rotatividade de matrícula dos filhos de trabalhadores temporários, concentrados naquelas localidades.

Segundo Edna, a divulgação dos resultados do IDEB não surpreende. “Sabemos qual será nossa avaliação aproximada, pelas nossas próprias avaliações. Conhecemos as habilidades e as dificuldades de nossos alunos individualmente e atuamos no sentido de potencializá-las nos casos positivos e com reforço nas deficiências. Esse é um trabalho contínuo”, garante Edna.

Para a secretária, outro diferencial do município é o desenvolvimento das disciplinas com material apostilado que ajuda na dinâmica da aula e na retenção e estímulo ao aprendizado. “É um investimento muito elevado, mas o benefício supera o custo.”

Porém, Edna acredita que para avançar é preciso retroceder e ter em mente de que os alunos que serão preparados para a vida acadêmica formal passam antes pela educação infantil. “Há de pensar como um todo, o aluno tem de chegar preparado para o ensino fundamental, daí a importância de se olhar para ele no infantil, começar a desenvolver suas habilidades lá atrás para chegar aqui com bagagem para ser alfabetizado”, recomenda. A prática é usada no município e Edna entende que assim deve ser toda a vida acadêmica, com o estudante sendo bem preparado para cada fase seguinte, não sendo assim, “não será na faculdade que ele terá suas deficiências resolvidas.”

Quanto aos salários, Edna diz que são muito bons no município, bem acima da média regional e que são merecidos, não apenas pelas metas alcançadas, “mas também porque a sala de aula tá difícil hoje em dia.”

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