Os 76 anos do “Ginásio do Padre Nunes” e Faculdade Dom Bosco serão contados em livro

Para o diretor Vanderlei Pereira, obra revelará também parte da história da cidade e da educação do monte-aprazivlense

 

A faculdade Dom Bosco de Monte Aprazível terá sua história retratada em livro. O livro tratará sobre a história do Ginásio Dom Bosco, sua transformação em faculdade e introdução do ensino infantil, fundamental e médio. O projeto era sonho do fundador Padre José Nunes Dias que não teve tempo de concluir suas memórias, registrando, nelas, escritas nas costas do Livro de Ouro das colaborações, os fatos mais relevantes de sua vida e sua obra.

O diretor da faculdade, Vanderlei Pereira, revela que o livro era sonho do fundador da instituição, padre José Nunes Dias, que não teve tempo de concluir suas memórias, “mas lendo suas memórias, considerando a riqueza da história do ginásio desde sua fundação até a transformação em faculdade e levando em conta a expectativa dos ex-alunos nos sentimos na obrigação de registrar tudo isso em livro”.

De acordo com Vanderlei, ao contar a história do ginásio Dom Bosco estará se contando também parte da história de Monte Aprazível. Isso porque, de acordo com ele, “depois de várias tentativas de criação de um ginásio na cidade, surgiu o padre Nunes a convite das lideranças da época e com o incentivo delas levou a ideia do internato e externato adiante”.

A história do ginásio Dom Bosco se insere na história de Monte Aprazível, na opinião de Vanderlei, porque a cidade ficou conhecida em vários estados brasileiros pelo colégio, que acabou influenciando inclusive na economia do município. E os reflexos continuam até hoje, “porque a Dom Bosco oferece condições acessíveis de ensino por ser uma entidade sem fins lucrativos, mais um motivo para a responsabilidade de editar um livro contando essa história”, diz.

Vanderlei Lembra que nos anos 40 e 50, Monte Aprazível conheceu anos de desenvolvimento econômico e social muito grande e os destino colaborou para isso, quando reuniu na mesma cidade, Padre Nunes, o prefeito Jorge Carneiro de Campos e o fazendeiro e benemérito Basileu Estrella. “Jorge Carneiro fez as obras de infraestrutura urbana, Padre Nunes ergueu o Ginásio e auxiliou Basileu a construir a Santa Casa”, lembra Vanderlei.

O livro será em papel couchê, impressão colorida e capa dura e é intenção da faculdade vendê-lo a preço menor que o custo. Para tanto a faculdade, segundo Vanderlei, vai buscar parceiros para financiar a obra. “Vamos viabilizar alguns patrocínios para editar uma obra à altura da história de ensino da Dom Bosco. Vamos procurar empresários locais e regionais e ex-alunos para patrocinar a obra que está orçada em cerca de R$ 50 mil. Esses patrocinadores terão seus nomes e logomarcas inseridos no livro de acordo com sua vontade”, explica.

A primeira edição terá  mil exemplares e Vanderlei diz que “dependendo da aceitação do livro poderemos editar uma segunda edição com o mesmo conteúdo, mas com menor preço”, conclui.

O padre que soube ler a história

O livro contando a historia de ensino da Dom Bosco será editado pela Editora A Voz Regional e o autor é Carlos Carmello, que diz que contar a história da criação do ginásio e internato do padre Nunes sempre foi uma vontade da mantenedora da faculdade Dom Bosco. “Além dos documentos oficiais, registros esparsos do padre Nunes, tem vários artigos e anotações de professores da instituição. Por questões circunstanciais essa ideia não foi adiante. No ano passado, o jornal A Voz Regional produziu um vídeo condensando essa história e teve uma repercussão muito boa, o que fez com que a mantenedora se animasse com a ideia do livro, conta.

Carmello diz que foi convidado pelo diretor Vanderlei Pereira para editar o livro e “não tive como recusar, dada a convicção que tenho de que Monte Aprazível poderia ter sido como qualquer cidade, mas ela é o que é, um pouco mais refinada, devido ao ginásio do padre e à faculdade”.

Para que o autor aceitasse a tarefa, ficou estabelecido que teria liberdade para abordar de forma pessoal qualquer tema. O material existente sobre o assunto nos arquivos será aproveitado  como referência e base do trabalho, mas dado seu teor acadêmico e diversidade de estilo receberão outra redação.

Carmello, que não tem formação histórica, diz ter definido como roteiro contar uma história a partir da realidade social, política, econômica e étnica da região desde o início do século XIX, no comecinho do 1.800. “O suporte é a história, mas a intenção é jornalística. A partir de capítulos curtos sobre a região e o Brasil dos séculos XIX e XX vão se inserindo os fatos relativos ao ginásio e à faculdade. Foi assim que agiu padre Nunes, atuando de acordo com a realidade histórica. Nos seus movimentos, ele lia a história. Foi com base no momento que decidiu criar o ginásio, foi no contexto da Segunda Guerra que ele enxergou as condições de viabilizar o empreendimento, comprando o sítio de um estrangeiro apavorado com a perspectiva do confisco de propriedades. Foi na esteira da massificação do ensino, da liberalidade dos costumes, dos movimentos sociais e culturais dos anos 60 que ele percebeu que o futuro era a faculdade, não havendo mais espaço para um internato de meninos”.

Carmello conta que, pronto, o livro servirá de roteiro para um projeto maior que conte a ocupação e o desenvolvimento da região de Rio Preto, de uma perspectiva sociológica, cuja base foi lançada em 1942,  por Antonio Tavares de Almeida, o prefeito intelectual de Monte de 30 e 31, e ainda ”emendar a precária história de Monte Aprazível.”

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