Advogado consegue na Justiça identificação dos envolvidos com o perfil fake Fabio Pato

O professor Valdinei Fernandes teria sido o mentor da “patranha” e dividiu senha com Claudinei de Souza e Márcio Martins

 

Vítima de ofensas morais na internet, em um perfil administrado no anonimato, o advogado José Roberto de Carvalho ingressou na Justiça acionando o Facebook para identificar os IPs (espécie de registro de propriedade de computadores) de seus detratores, incluindo os IPs de seus cúmplices, que, segundo a lei, são todos os internautas que curtem e comentam ofensas e delas compartilham.

A Justiça julgou procedentes as razões do advogado e entendeu haver nas postagens crime contra a honra e sentenciou a empresa a fornecer os IPs.   José Roberto recebeu a relação de mais de duas centenas de máquinas e no caso de um deles, consta o email usado que o identificava como sendo o criador do personagem falso o professor da rede municipal de ensino, Valdinei Fernandes.

Para identificar os demais responsáveis e os autores de curtidas, comentários e compartilhamento, o advogado vai entrar com outra ação requerendo dos provedores de internet Genesys, Claro, Vivo e Amiga Net a identificação de seus usuários citados pelo Facebook.

De posse da lista, o advogado e outros ofendidos pela página fake, como o ex-prefeito Nelson Montoro, o atual Márcio Miguel, o presidente da Câmara João Célio Ferreira e outros podem entrar com ações judiciais de reparação por danos morais contra cada um dos envolvidos.

A Voz Regional apurou que, ao saber que tinha sido identificado, o professor Valdinei Fernandes e o Claudinei de Souza, do blog Destaque Mais, propuseram uma espécie de delação premiada à vítima. Em troca do advogado desistir da ação contra eles, os dois forneceriam o nome da pessoa que tinha postado as ofensas mais virulentas. Os dois responsabilizaram o assistente social e braço direito do ex-prefeito Mauro Pascoalão, Marcio Martins.

De posse da informação, se antecipando à futura decisão judicial para que os provedores identifiquem o envolvido, José Roberto de Carvalho registrou boletim de ocorrência requerendo abertura de inquérito contra Valdinei, Claudinei e Martins.

Patacoada política

O perfil fake e anônimo foi criado logo após a posse do vencedor das eleições municipais de 2016, Nelson Montoro (PSD), ocasião em que se alegou ser um instrumento de críticas para apontar os erros da administração. Na verdade, era um instrumento de ressentimentos políticos de defesa do ex-prefeito Mauro Pascoalão (PSB), derrotado por Montoro.

Valdinei Fernandes foi candidato a vereador pelo PTB na coligação de Renata Sant’Anna (PHS), a terceira colocada na disputa. Sem se eleger, teria se aproximado do grupo político de Mauro.

Claudinei de Souza apoiava a candidatura de Renata, mas na reta final da campanha passou a apoiar a candidatura de Montoro, supostamente, conforme se comenta nos meios políticos, por pleitear algum cargo na administração.

O eleito, Montoro, ao assumir, se aproximou de outro blogueiro, Lucas Ribeiro, que recentemente foi flagrado por câmara de segurança, munido de lanterna, vasculhando os aposentos de um pesqueiro, onde o proprietário guardava dinheiro. Há boletim registrado pelo dono do clube de averiguação de suposto furto de quantia aproximada de R$ 4 mil.

Aparentemente enciumado por ter sido preterido pelo prefeito Montoro, que optou por relações políticas não republicanas com Lucas, Claudinei passou a criticar Nelson Montoro, em seu blog, de forma contida e civilizadamente, já que eram públicas e autorais.

Márcio Martins há mais de uma década cultiva relações estreitíssimas com Mauro Pascoalão e foi seu assessor de assistência social, quando este ocupou a prefeitura de 2012 a 2016.

Quando, no início de 2018, a Câmara abre processo de cassação do mandato de Montoro, o perfil de Fábio Pato, passa a defender a permanência do prefeito no cargo. Ao grupo político de Mauro era conveniente que um fragilizado e impotente Montoro permanecesse no cargo para impedir o crescimento político do vice, Márcio Miguel, se efetivado no cargo.

Os patos

Procurado pela reportagem, Claudinei disse que não falaria sobre o assunto para não comprometer amigos. Questionado pelo paradoxo de ter responsabilizado Márcio Marins, disse que só falou a verdade.    

Valdinei Fernandes se comprometeu a responder às indagações de A Voz Regional, desde que formuladas por email. Mas não as respondeu. No seu perfil no Facebook, divulgou nota muito pouco crível, onde negou autoria e admitiu, na qualidade de técnico de informática ter prestado ajuda voluntária aos envolvidos. É bastante frágil o argumento para um técnico de informática, professor de escola municipal, qualificações que fazem dele pessoa, supostamente esclarecida, sem receber benefício financeiro, deixar provas (IP e email) em uma ação anônima que se mostrou disposta a cometer crimes contra a honra de adversários políticos de Mauro Pascoalão desde o início.

Dentre todos os patos possíveis, Valdinei se revela o mais nocivo: foi autor intelectual da patranha, com claro objetivo de macular imagens públicas, e dividiu senhas (ao menos duas, com Claudinei e Martins) para dar mais amplitude às ações destinadas a desinformar, confundir e manipular o contribuinte, o eleitor e o cidadão de Monte Aprazível.

Márcio Martins, localizado por telefone no trabalho, disse só tratar do assunto pessoalmente e aventou a possibilidade de procurar o jornal na manhã de ontem, o que não fez.

A vítima

José Roberto de Carvalho atuou na campanha eleitoral de Montoro e foi nomeado para cargo em comissão, quando este foi eleito. O cargo, de coordenador da Estação Aprendiz (pretenso órgão municipal de formação de mão-de-obra) de nenhuma expressão política e de relevância nula, não justificava os ataques e fomento de ódio contra José Roberto desferidos pelos patos. “Foram ataques pessoais, com motivações políticas, contra mim e até contra minhas filhas. Mentiras e calúnias sem que fosse apresentada uma única prova. O único documento apresentado foi meu holerite, que é público e pode ser acessado por qualquer pessoa”, reclama Betão.

José Roberto defende o direito de informação e de crítica, mas disse não admitir ofensas pessoais e manipulação da verdade usando a proteção do anonimato. “Eu acho que a população tem o direito de criticar pessoas que ocupam cargos públicos, defendo mesmo ser necessário. Eu ocupo cargo público, mas não escondi isso de ninguém. Eu fiz uma opção política ao decidir participar de uma campanha de eleitoral de determinado candidato, mas o fiz dando minha cara à tapa, não foi de maneira covarde como agiram os patos que não me permitiram sequer que eu entrasse no perfil que criaram para me defender”, acusou José Roberto.

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