Ainda não chegou ao arroz e feijão, mas a crise econômica bateu no estômago

Da cerveja ao salgadinho da lanchonete ao pãozinho de todas as manhãs, nem o setor de alimentos resistiu à recessão

 

O momento é ruim para qualquer tipo de vendas, as pessoas estão deixando de comprar. O momento ruim na economia chegou até à mesa do brasileiro, alcançando a comida, que antes parecia intocável.

Os supermercados registraram queda na venda de alimentos.. Eloíza Dantas Molina, do supermercado SuperEconômico, diz que as vendas caíram em cerca de 10%. “O consumidor cortou o supérfluo, só está comprando o essencial, cortou a bolacha, o chocolate, o refrigerante, só está comprando o básico, como arroz, feijão, carne e legumes e ainda assim espera as promoções desses produtos para comprar”.

Além disso, ela conta que o consumidor está fazendo malabarismos para manter a alimentação, como substituir marcas mais caras por produtos semelhantes de marcas mais baratas.

Os bares e lanchonetes também sofreram impacto com a crise. Viram suas vendas diminuir. Márcio Troiano, do Bar do Márcio Troiano, diz que a queda na venda de salgados chega a 30% e de bebidas a 30%. “De um ano para cá as vendas de salgados vem caindo e caiu muito também a venda de bebidas. Tinha famílias que vinham e comiam dois salgados cada um, hoje quando vem come um salgado cada – diz – antes quem tomava quatro cervejas, hoje toma duas e quem tomava Brahma ou Skol agora está tomando Crystal ou Sub Zero que tem uma diferença de preço de cerca de R$ 2,00”.

Valmir Salvioni, do Santo Graal Bar e Petiscaria, também percebeu diminuição nas vendas. “O movimento tem se mantido, mas as vendas caíram. Nos últimos dois meses a queda chegou a 30%”, diz.

Ele comenta que “as pessoas que gostam da noite não deixam de sair com a família e ir a barzinhos, mas estão gastando menos. Se antes comiam duas porções, agora pedem apenas uma e diminuíram também o consumo de bebida, principalmente de cerveja”.

Nem as padarias, que vendem o tradicional pãozinho de cada dia, escaparam da crise. José Nicéso Alves dos Santos, da padaria Maria Helena, diz que as vendas de pães caíram em torno de 40%. “A pessoa que comprava cinco pães antes começou a comprar três, dois. Quem comprava dez pães agora está comprando cinco e a maioria das pessoas que tinha o hábito de tomar café da manhã na padaria, não está vindo mais”, diz.

Nos restaurantes aconteceu o mesmo. Riscala Soubhia Junior, do Restaurante do Riscalla, diz que o movimento caiu muito. “Não cheguei a calcular certinho, mas acredito que tenha caído uns 30% depois que a crise se acentuou”, conclui.

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