Bispado recupera dinheiro de quermesse bloqueado em conta do vereador Gilberto

Arrecadação de festa da Vila Aparecida passava primeiro por conta particular antes de se depositar na conta da paróquia

 

O advogado Antonino Alves Ferreira Junio,r em nome do Bispado de Rio Preto conseguiu demonstrar para a Justiça que os R$ 70,4 mil bloqueados que estavam depositadas em conta particular do vereador Gilberto dos Santos (PDT) pertenciam à capela de Nossa Senhora Aparecida. O vereador teve os  bens bloqueados pela Justiça em processo que julga envolvimento dele na Máfia do Asfalto, a maior operação da Polícia Federal contra a corrupção na região O valor foi desbloqueado pela Justiça no último dia 20 e o dinheiro foi depositado na conta da paróquia do Senhor Bom Jesus, á qual pertence a capela de Nossa Senhora Aparecida.

No começo do ano A Voz publicou o bloqueio do dinheiro realizado em setembro de 2016. Na ocasião, o  pároco Francisco Aparecido Rodrigues e o Bispado não justificaram o fato de o dinheiro da igreja estar em conta particular do organizador da festa, vereador Gilberto dos Santos.

De acordo com o advogado Antonino Alves Ferreira Junior, “é praxe durante as quermesses a abertura de uma conta bancária em nome do responsável pela festa e do tesoureiro para fazer frente às receitas e despesas da quermesse e ao final quando se apura o lucro obtido, repassa-se a porcentagem de 15% do bispado e o restante é depositado na conta jurídica da paróquia”. A Voz Regional apurou que a “praxe”, citada pelo advogado, não é corrente em todas as capelas, já que todas possuem contas bancárias próprias.  A Voz Regional apurou também que a utilização de de contas privadas é um artifício contábil para evitar o repasse integral da parcela que cabe ao Bispado.

Ele diz que o valor desbloqueado totalizou um pouco mais que os R$ 70,4 mil que haviam sido bloqueados pela Justiça. “Foi devolvido R$ 71,207,22, porque o dinheiro bloqueado foi depositado em uma conta que rendia juros e correção judiciais”, explica Antonino. Por duas vezes, o vereador Gilberto dos Santos tentou o desbloqueio e em ambas, o pedido foi negado.

Antonino Junior conta que o dinheiro foi desbloqueado depois que o Bispado ingressou com petição demonstrando que o dinheiro tinha origem nas quermesses que Gilberto era responsável.

Segundo o advogado, que também é membro da atual comissão organizadora da quermesse, avalia que o episódio não teria comprometido queda na arrecadação de quermesses posteriores e ressaltou que ele serviu de alerta para que episódio semelhante não se repita. “No meu ponto de vista entendo que o episódio veio de encontro para que os futuros organizadores tomem o devido cuidado para que fatos como este não se repitam. Exemplo disso, é que a comissão formada para as festividades deste ano  colocou duas pessoas como titulares da conta física aberta para o depósito da renda e pagamento de despesas da quermesse”.

O vereador Gilberto dos Santos se disse aliviado com o desbloqueio do dinheiro. Ele também diz ser praxe a abertura de conta bancária física para fazer frente as receitas e despesas da quermesse. E explica que a conta estava apenas em seu nome porque o então tesoureiro da festa, Reginaldo Jorge Lima, é funcionário do banco onde a conta foi aberta e já possuía uma conta física e outra jurídica na agência. “Ele preferiu abrir a conta apenas em meu nome. Esse foi o único senão. Se a conta estivesse em nome de nós dois não teria sido bloqueada”.

Ele conta que sua conta pessoal é no Santander e que possui a conta desde 1991. “Essa conta no Bradesco era somente para movimentar os pagamentos da quermesse. Tanto que nós comprovamos através da apresentação de recibos e notas fiscais o pagamento de frangos, bebidas, supermercados, ECAD, shows, segurança e tudo mais que envolve a quermesse”.

Gilberto teve os bens bloqueados porque figura como réu  em dois processos da Operação Máfia do Asfalto, originária de supostas fraudes em licitação para asfalto e recapeamento. Gilberto era suplente da comissão de licitação. Nos mesmos processos figuram Nelson Avellar e Wanderley Sant’Anna.

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