Celular ao volante provoca 150 mortes diárias e índice aumenta a cada semestre

Repressão ao delito, como 268 ml multas não tem conseguido evitar aumento nos acidente

 

Não há motorista que não saiba que usar telefone celular ao volante é uma infração. Ainda assim, com o avanço da tecnologia e o aumento da dependência dos smartphones, o número de multas pela conduta cresce. De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), apenas entre janeiro e julho de 2018, 268.300 multas foram emitidas no Brasil por essa razão.

O número é 167% maior que o de autuações emitidas pelo uso de celular ao volante no primeiro semestre de 2017, o que significa dizer que ainda que a fiscalização esteja maior, o índice representa mais perigo para os condutores, passageiros e pedestres.

Sirlei Marques, diretora e instrutora teórica da Auto Escola Montmar, conta que a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) apontou que o uso do celular ao volante é a terceira maior causa de morte no trânsito no Brasil. A entidade, segundo ela, divulgou que cerca de 150 óbitos por dia acontecem pela utilização indevida do aparelho na hora de dirigir.

“Uma pesquisa do Cesvi Brasil – conta – indica que, em média, o condutor fica quase três segundos sem olhar para a via quando checa o aparelho. Parece pouco, mas esse tempo é suficiente para causar acidentes graves, pois os motoristas não percebem a mudança repentina dos semáforos, freada brusca à frente e não percebem que estão invadindo a faixa ao lado, porque o celular distrai a atenção do condutor”.

Ao usar o telefone ao volante, o motorista desrespeita mais de um inciso do Código Brasileiro de Trânsito que totalizam R$ 424,00 em multas e mais onze pontos na carteira.

Sirlei alerta para o risco de acidentes. “Se já existia risco de acidente quando a pessoa usava celular para falar, para escrever mensagem, o risco é maior ainda. Especialistas advertem que deixar de olhar na via para olhar no celular por 10 segundos para fazer um post nas redes sociais, por exemplo, equivale a dirigir por 280 metros a 100 quilômetros por hora. O motorista poderia passar por 15 carretas enfileiradas sem perceber que elas estavam na estrada”.

Sirlei diz que o uso de celular é a terceira maior causa de mortes no trânsito no Brasil. O primeiro e o segundo motivo são o excesso de velocidade e consumo de álcool. “Usar o celular no carro é considerado agravante de risco, argumento que o seguro pode usar para não pagar o sinistro de um carro”.

Por isso, Sirlei, que é instrutora teórica da Auto Escola Montmar, diz que o papel das auto escolas é “advertir os condutores e incutir neles o senso de responsabilidade e de prudência. A gente insiste que eles devem ser motoristas defensivos, dirigir com atenção para prever os acidentes e tomar uma decisão para evitar acidentes, mas para isso não podem estar no celular, que distrai o condutor”, conclui.

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