Combustíveis e energia elétrica em alta estouram a meta de controle da inflação

Atividades econômicas como postos, transportes e comércio têm margem de lucro  comprometida com custos

 

O preço dos combustíveis tem sido alterado em média 18 vezes ao mês, ou seja, mais de duzentas vezes de julho a agosto deste ano. Isso fez com que a meta da inflação de 3,5% estourasse para 4.5%. Os combustíveis foram responsáveis por 1% desse percentual e a energia elétrica por quase isso, juntos chegam a quase 2%. O reflexo é queda de consumo nos postos de combustíveis e dificuldades para quem depende de combustível e energia.

A política de preços dos combustíveis prejudica o faturamento e a lucratividade de donos de postos de combustíveis. Adhemar Ferreira Junior, do Posto Elefantinho, diz que os repasses constantes têm impactado na queda das vendas e “não se consegue mais ter a mesma margem de lucro, porque não se consegue repassar para o consumidor o valor integral dos reajustes. Preço alto não é bom para ninguém. O jeito é repassar um pouco e absorver o restante dos aumentos”, diz.

Verdadeiro drama tem vivido os mototaxistas que não tem como repassar o aumento dos combustíveis nas corridas, que estão há mais de três anos com o mesmo valor. Celso Luiz Romagnolo conta que há mais de três anos a corrida está custando R$ 5,00. “Há três anos – diz – a gasolina custava R$ 3,25. Hoje está R$ 4,75. Os gastos para manter a atividade são altos. Só de imposto para a prefeitura pagamos cerca de R$ 240,00 por ano, fora despesas com combustível, pneu, óleo e manutenção da moto. O pior é que não tem como repassar os aumentos porque para quem usa o mototaxi com frequência acaba pesando no orçamento também e por isso vivemos esse drama”.

O também mototaxistas Agnaldo Souza diz que a categoria está sendo sacrificada. “Não tem como a gente subir a corrida, porque caso isso ocorra muita gente para de andar. O problema é que tudo subiu muito nesses três anos em que a corrida continua R$ 5,00. Há três anos a gente gastava em média R$ 15,00 por dia para abastecer, hoje gastamos R$ 25,00 por dia só de combustível. Aí tem a manutenção da moto porque a cada 60 dias temos que trocar a relação, que custa R$ 60,00, a cada 90 dias temos que trocar os pneus, que custa R$ 160,00 cada um e toda semana gastamos um litro de óleo, que custa R$ 20,00, além disso, temos que pagar a diária do ponto que custa R$ 15,00. Para nós mesmo está sobrando muito pouco”, enfatiza.

Donos de bares enfrentam o mesmo problema. Eles que dependem de muita energia tem os custos aumentados e se veem impossibilitados de repassar integralmente os custos para o consumidor final com receio de maior queda nas vendas.

Noeldne de Souza Canovas possui três bares e entre os três tem um gasto de energia que supera R$ 16 mil. Ele diz que parte do aumento da energia repassou para o produto final, mas parte foi obrigado a absorver, tendo diminuída sua margem de lucro. “Se a gente repassar todo o aumento para o consumidor as vendas despencam. Então é uma situação crítica”, encerra.

 

Economista ensina como lidar com a temporada de gastos

Em tempos de famílias endividadas e sem emprego teve início, com o Dia das Crianças, a temporada dos maiores gastos já que em breve teremos as despesas com os presentes de natalinosl, ceias de final de ano, férias, IPTU, IPVA e material escolar. A Voz Regional ouviu o gestor empresarial Edimar Luiz Miguel para saber se dá para as famílias atravessarem esse período fazendo alguma programação de gastos para evitar que a profundiade do buraco aumente ainda mais e qual a melhor maneira de se fazer isso.

Edimar diz que recentemente foi divulgada pela Fundação Getúlio Vargas uma pesquisa que aponta que somente 36% dos brasileiros gastam com responsabilidade e na opinião do gestor isso é fruto do crédito relativamente novo no Brasil. “Em função da concessão de crédito no Brasil não estar amadurecida, o brasileiro vem aprendendo aos poucos a programar o consumo”.

Ele orienta que a primeira providência que o consumidor deve tomar é fazer uma avaliação financeira da sua situação econômica. “Se ele tiver dívidas é preciso pagá-las ou renegociá-las e nesse caso comprar tão somente o que cabe no bolso. Não fugir muito da rotina para que sobre o 13º salário para a quitação dos débitos”.

Já para as pessoas que estão mais organizadas, que tenham ou não recursos sobrando, mas que não tenham dívidas, Edimar orienta que empreguem o 13º salário nas compras à vista, uma vez que “no início do ano terá despesas com IPTU, IPVA e material escolar. Além disso, os descontos nas compras à vista são normalmente maiores que os rendimentos das aplicações que são baseadas na taxa Selic que tem corrigido em 0,4% ao mês as aplicações e os descontos nas compras à vista giram normalmente em torno de 10%. O ideal é que antes de comprar o consumidor faça uma análise da compra. Tentar descobrir o percentual de juro que está embutido no preço da mercadoria”.

Para quem pretende viajar de férias, Edimar orienta que “o correto é viajar depois que as despesas com a viagem e hospedagem já tiverem quitadas, porque durante a viagem sempre há outros gastos, como os com alimentação, compras, passeios, enfim, é bom estar prevenido com parte da viagem já paga”.

O gestor não recomenda a antecipação das compras, “porque há o risco do ímpeto em novas compras, além da possibilidade de haver promoções ou mesmo liquidações no final do ano ou início do ano seguinte. A antecipação só é válida para pacotes de viagens de férias”, diz.

A pesquisa de preço é a arma do consumidor  e, segundo Edimar, ele tem na internet um importante aliado não só para saber a média de preços dos produtos, como também para efetuar compras mais baratas. “A internet é uma opção de pesquisa e de compra que é crescente no Brasil e no mundo. O custo dos produtos é menor porque sai direto do depósito para o destinatário sem os custos de uma loja física. Mas é preciso tomar alguns cuidados para efetuar compras pela internet, como checar se o site é seguro, por exemplo”.

Outra forma de economizar, segundo o gestor, é efetuar as compras pós estações do ano ou pós datas comemorativas, “quando os produtos não desovados são colocados em liquidação para a renovação dos estoques. Em economia é preciso estar sempre vigilante porque os recursos são escassos, se compra um produto nem sempre dá para comprar um outro. O ideal para não se perder em dívidas é anotar as receitas e despesas e diante desse cenário tomar a decisão correta”.

Ele orienta ainda que antes de comprar o consumidor deve se indagar se aquela compra é necessária, se o produto terá utilidade e se é supérfluo ou necessário. “É preciso controlar os impulsos porque o 13º salário é um só”, conclui.

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