Márcio Enfermeiro diz ter controle do PSL e que vai ser candidato a prefeito em Monte

Presidente do partido de Bolsonaro navega em onda conservadora e abre a temporada eleitoral de 2020

 

Conhecido em Monte Aprazível  pelos poucos votos que tem e muita polêmica que promove no meio político de Monte Aprazível, o presidente do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, Márcio Martins Pereira, lançou sua campanha para a prefeitura em 2020, no embalo do prestígio do futuro presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. 

Conhecido como Márcio Enfermeiro, ele não é novato na política, mas não pode ser considerado oportunista e muito menos caronista peesselista, já que foi o “Mito” que se filiou ao seu partido, onde ele já estava desde 2006.

A sua primeira disputa à uma vaga da Câmara se deu na eleição de 2004, quando disputou pelo PSDB, partido coligado com o PSB de Maurinho Pascoalão. Teve menos de 200 votos, número que se reduziu nas eleições posteriores de 2008, 2012  para bater abaixo de cem, em 16. Em 2014, se lançou a mal sucedida candidatura à Assembleia Legislativa.

Márcio chegou a Monte Aprazível, em 1996, como “agricolino” (denominação pejorativa para designar estudante forasteiro da Escola Agrícola nos anos  90, período de relações conturbada com jovens da cidade que deixou de existir há mais de uma década.) Concluído o curso de técnico agropecuário, ingressou no curso de técnico em enfermagem, atuando profissionalmente como enfermeiro de presídio, Hospital de Base, prefeitura de Monte Aprazível, de onde foi desligado no meio do ano, quando o prefeito Márcio Miguel assumiu, passando a se dedicar exclusivamente como advogado, profissão para a qual se habilitou no curso de bacharel da primeira turma de Direito da Faculdade Dom Bosco, concluído em2011.

Candidatura

O advogado garante que tem absoluto controle dos PSL em Monte Aprazível a ponto de se lançar como prefeito, sem sequer consultar os oitenta filiados e centenas que  se aproximarão da legenda até a posse do novo presidente. Apesar da clara postura autoritária e personalista de “dono” da legenda, como dirigente partidário, Márcio se revela com capacidade organizacional invejável. O PSL de Monte Aprazível é dos raros partidos no Brasil, fiscal e juridicamente, incluindos os constituído com Diretório e Executiva municipais. Do PSL, o de Monte é único no interior de São Paulo, segundo Márcio.

Com o fim das coligações proporcionais, para concorrer à prefeitura, o PSL terá que montar chapa competitiva para a Câmara e vai precisar aumentar o quadro de filiados. Ele adianta que não terá como coibir filiações, mas avisa que  não haverá  legenda para “oportunistas e aproveitadores”.

Para ser candidato, o pretendente terá de estar “comprometido com o partido, que carreguem a bandeira do partido e ser cidadão honesto”. Ele define o norte do partido como conservador nos costumes e liberal na economia, conforme a definição usada pela cúpula nacional da legenda.

As pautas de governo

Ser liberal na economia é governar para o mercado e o que o capital internacional quer é reforma tributária, que pode ser lida com menos burocracia e imposto, abertura de mercado, ou flexibilização, como prefere Márcio, de tarifas alfandegárias e privatizações desenfreadas.

Não se sabe ainda qual o grau da liberalidade econômica do guru do presidente, o banqueiro Paulo Guedes, vai apresentar à bandeja do mercado,  mas Márcio revela defender uma agenda bem limitada, colocando fora da privatização Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica,  geração de energia e outras atividades lucrativas. Liberadas para a iniciativa privada estariam as “empresas deficitárias e de pouco lucro.”

Importações desenfreadas nem pensar. Márcio coloca em primeiro lugar o parque industrial nacional, incluindo aí benefícios como desonerações de impostos, especialmente os trabalhistas.

Esse pendor protecionista de Márcio até pode estar em sintonia  com o presidente (e realmente está, ao menos como demonstra o histórico nacionalista de sete mandatos parlamentares e a formação militar de Bolsonaro). Mas arrepia o “Posto Ipiranga” Guedes.

A questão ambiental no novo governo é aguardada com apreensão pelo mundo que teme o avanço do agronegócio sobre as florestas. Nessa seara, Márcio se comporta como um pêndulo: defende punição pregressa para desmatadores ao mesmo tempo em que sugere o que chamou de flexibilização, o desmate de área nova em troca de recomposição de área degradada na mesma propriedade. Que vai se arrepiar como essa “flexibilização” serão os ambientalistas.

Em outras pautas, Márcio fala o mesmo discurso presidencial ao questionar se índios e quilombolas realmente precisam de áreas tão grandes e se posiciona radicalmente contra a expansão de novas unidades.

Márcio não vê diferença entre brasileiros negros, mulheres, crentes e gays e não chega a se colocar contrário ao ativismo, como já alardeou o presidente, mas condenou o “radicalismo” do ativismo social, citando exemplos de notórias fake news de redes sociais.

Como polemista de expressão verbal de tom elevado, Márcio adianta que terá uma arma em casa e carregará outra na rua. Ainda bem que para se defender de bandidos, como esclarece, e não para validar argumentos polêmicos

É legítima a pretensão de Márcio Enfermeiro de disputar a prefeitura em 2020. Chegar a ela é possível, especialmente se, em dois anos, tivermos um Brasil diferente do que temos hoje, como espera o brasileiro e prometeu Bolsonaro.

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