Sem candidato, Irmandade pede a Camargo que permaneça como provedor da Santa Casa

Diretoria pode profissionalizar cargo de administrador hospitalar e definir valor de pró-labore

 

No último dia 24, a Irmandade da Santa Casa de Monte Aprazível se reuniu em assembleia para definir uma chapa para uma nova diretoria. Nenhum dos 22 membros da instituição se dispôs a assumir o cargo de provedor, diante da intenção do atual dono do mandato, João Roberto Camargo, de não continuar no cargo. A falta de um nome para assumir se deve ao fato de o provedor acumular também o cargo de diretor hospitalar, função administrativa que cuida do cotidiano do hospital, das relações com funcionários, médicos, plantões, prefeituras parceiras, fornecedores, organismos governamentais e funções burocráticas que requerem expediente diário, inclusive nos finais de semana.

Segundo membros da Irmandade presentes à assembleia, criou-se um impasse que poderia resultar em medidas drásticas como a dissolução da atual diretoria para buscar um nome de fora da irmandade. “Ainda bem que o Camargo foi sensível e atendeu nossos apelos em continuar na provedoria até que se ajuste uma solução  para o cargo de administrador hospitalar”, desabafa um diretor.

“Eu não sou homem de abandonar o barco, resolvi permanecer como provedor, mas não tenho condições de acumular a administração, que me toma muito tempo, me deixa afastado do dia a dia de meus negócios, diminuindo minha renda em um momento de grave crise econômica e tendo eu dois filhos na faculdade”, justificou Camargo.

Segundo um dos membros da diretoria que não quis se identificar alegando temer constranger companheiros da Irmandade, a permanência de Camargo apenas como provedor não resolve o impasse. “A  atuação do Camargo na função administrativa foi fundamental, foi a atuação dele no cargo que fez a diferença, foi a dedicação diária dele, o acompanhamento no cotidiano do hospital, observando o que estava errado e mudando, negociando com firmeza, aumentando receita, cortando gastos, quitando débito. A situação financeira, administrativa e fiscal da Santa Casa era lastimável e foi ele que colocou ordem na casa e eu acredito que nenhum dos demais membros tem condições de dar continuidade ao trabalho que ele desenvolveu até aqui e há muito ainda por fazer”, revela.

O cargo de provedor não é remunerado, mas o cargo de administrador, com salário, sempre existiu na Santa Casa, de maneira formal ou informal, como nos últimos anos, exercido por um dos médicos. Em 2017, diante do rombo financeiro do hospital, João Roberto Camargo assumiu as duas funções sem remuneração.  Como a função é remunerada em outras institui ções filantrópicas médicas, educacionais ou assistenciais, a diretoria deve voltar a se reunir para propor a profissionalização da função administrativa e definir um pró-labore para que Camargo permaneça nela.

“A profissionalização não foi exigência minha, não foi um pedido e nem mesmo sugestão, aliás, estou convencido de que o ideal seria um rodízio, com outro membro assumindo o meu lugar. Para mim não é uma questão salarial. Qualquer valor estabelecido como pró-labore será menor do que eu ganho tendo mais tempo para cuidar dos meus negócios. Todos da Irmandade estão nela por idealismo e eu queria muito que nosso trabalho fosse concluído, com um hospital com as finanças saneadas, com um atendimento mais amplo e mais humanizado e com capacidade de investir em médicos, mais serviços e mais equipamentos, mas a situação está insustentável para mim em razão de minha situação profissional particular”, queixou-se Camargo.

Segundo o diretor financeiro da diretoria, Renato Alves de Paula, a atual diretoria assumiu o hospital, em 2017, com um rombo financeiro em torno de R$ 4 milhões, salários de médicos atrasados, férias devidas com todos os funcionários, indenizações pendentes com funcionários  e terceiros.

Ainda segundo ele, todas as pendências trabalhistas foram equacionadas, a dívida financeira reduzida para R$ 1,2 milhão, amortizada mensalmente, e totalmente quitada no próximo ano; o déficit mensal foi saneado e teve recursos para investimentos na pediatria, instalação de equipamentos contra incêndio,  reformas e melhorias nas alas SUS em andamento e aquisições de novos equipamentos.

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