Primavera atípica teve índice de chuva muito superior à média dos últimos 15 anos

Umidade ajuda todas as culturas, mas há riscos em caso de excesso na colheita do amendoim, soja e milho

 

Setembro, outubro e novembro foram meses atípicos com chuvas acima da média. Há cerca de 15 anos não chovia volumes semelhantes aos caídos no último trimestre. Se para algumas culturas como a cana e pastagens ela foi boa para outras, como o amendoim e a soja, o excesso de umidade pode ser prejudicial.

O coordenador agrícola da Aplacana (Associação de Plantadores de Cana da Região de Monte Aprazível), João Aoki, diz que “de fato está chovendo mais. Em agosto choveu 50 milímetros, em setembro 130,5 milímetros, o segundo maior volume em 15 anos, em outubro choveu 306 milímetros e em novembro choveu 415 milímetros”.

Para a safra atual da cana, João diz que essas chuvas não representaram nada, uma vez que o estrago aconteceu de abril a julho quando houve pouca precipitação. “Naquele período choveu muito pouco, apenas 40 milímetros em 4 meses, o que causou enorme prejuízo à cana” –  comenta – mas para a safra futura, 2019/2020, a chuva está sendo benéfica. E outras culturas, como a seringueira, a citricultura, a fruticultura e as pastagens, foram beneficiadas pela regularidade da chuva que veio antecipada. Normalmente em setembro o volume é pequeno e esse ano choveu bem e vem mantendo a regularidade de chuvas”.

No entanto, chuva em excesso para a soja, amendoim e até para o milho pode ser prejudicial. “O excesso de umidade provoca o surgimento de doenças, normalmente quando chove direto o produtor não consegue cumprir o calendário de pulverização e isso permite a entrada de fungos em geral. É o que está acontecendo na região centro oeste onde já existem focos de ferrugem da soja por causa do excesso de umidade”.

O excesso de chuva no período da colheita também é prejudicial. “No caso do amendoim – diz – o excesso de umidade no período da colheita favorece a entrada de aflatoxinas no amendoim. Todo mundo quer  chuva, mas não em excesso, pois a falta é tão prejudicial quanto o excesso”, enfatiza.

De acordo com ele, a previsão para os próximos meses é de chuva dentro da normalidade e não há previsão de veranico para os próximos 3 meses.

José de Oliveira Melo Filho, assistente de planejamento da Regional do Escritório de Desenvolvimento Rural de São José do Rio Preto, diz que a umidade melhora toda a produção. “A chuva é benéfica para a cana, pastagem e seringueira, mas no plantio de algumas culturas a umidade excessiva pode prejudicar. Temos observado que quando há excesso de chuva, mais para frente há veranicos localizados. A chuva é boa para tudo, porém quando o produtor está com a área preparada para plantio e chove em excesso pode quebrar as curvas, compactar a área, sendo prejudicial”.

Na colheita o excesso de umidade também atrapalha, segundo ele. “Os riscos na colheita são germinar na roça no final do ciclo. Quando essas culturas estão na fase de frutificação elas precisam de sol para haver a polinização, caso contrário diminui o tamanho das vagens e diminui a produtividade”, conclui.

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