Camargo identifica perda de R$ 4,3 mi na receita da Sta. Casa com atendimento SUS

Valores não serão recuperados, mas provedor inicia processo para acabar com buraco nos repasses em 2019

 

Um descuido nas contas apresentadas na assinatura do convênio com o SUS, em 2015, quando a diretoria da Santa Casa era ligada ao ex-prefeito Mauro Pascoalão (PSB), resultou em perda de receita acima de R$ 4,3 milhões. A falha foi identificada pelo atual provedor, João Roberto Camargo, que está ocupado em convencer o Ministério da Saúde a rever o contrato e elevar o repasse mensal em R$ 121 mil, que representam 60% do valor que o hospital recebe.

“É uma diferença espantosa. A Santa Casa deixou de receber quase R$ 4,5 milhões por puro amadorismo de quem elaborou, em 2015, a planilha de receita e despesa. Foi assim que o patrimônio milionário da Santa Casa foi dilapidado. Os gestores não se importavam com receitas e não se incomodavam com despesas porque tinham o patrimônio para colocar à venda, como a gestão anterior à nossa fez com os últimos terrenos”, protestou Camargo.

Camargo lembrou que assumiu a Santa Casa, em 2017, com uma dívida de quase R$ 4 milhões e em dois anos reduziu o passivo para R$ 1,1 milhão, programado para ser liquidado no ano que vem. “Amortizamos mais de dois terços da dívida, melhorando atendimento, melhorando a estrutura física, com inauguração e mobiliário da ala pediátrica, reforma total das alas masculina e feminina do SUS, melhoramos e humanizamos o atendimento, adquirimos um veículo seminovo, com uma gestão racional de controle de gasto e aumento das receitas. O valor da prestação de serviços das prefeituras, em alguns casos, quintuplicou e uma delas que nunca pagou os três mil contratados, hoje paga R$ 20 mil, que cobro no dia seguinte ao vencimento”, explicou o provedor.

A Santa Casa celebrou um segundo contrato com a prefeitura de Monte Aprazível, se responsabilizando pela contratação de médicos dos postos de saúde e dos oito profissionais do SAMU, Pelo contrato, a Santa Casa terá um ganho líquido mensal de R$ 13 mil. Pelo serviço de Pronto Socorro, a prefeitura paga R$ 245 mil.

Assim que detectou o erro na planilha, elaborada na gestão do ex-prefeito Mauro Pascoalão, Camargo refez os cálculos e os apresentou à Diretoria Regional de Saúde. O órgão regulador das questões de saúde na região checou os dados e reconheceu a exatidão dos números apresentados.

Não há chances de o SUS ressarcir os valores dos últimos três anos, mas segundo Camargo, é possível uma renegociação política e rever os valores. “Vou envolver políticos de todos os partidos, como se diz, vou mover céus e terras, mas vou conseguir essa diferença que é dinheiro para cuidar da saúde da população de Monte Aprazível e das cidades vizinhas das quais somos referências”, bradou Camargo.

A receita total da Santa Casa gira em torno de R$ 504 mil e tem uma despesa em torno de R$ 630 mil. Do SUS, recebe R$ 198 mil e deveria receber R$ 319 mil, diferença que produz o déficit.

Profissionalização

Na terça-feira, a Irmandade da Santa Casa esteve reunida e aprovou a efetivação do cargo de administrador do hospital. Segundo o presidente do Conselho, o empresário Fábio Miguel, o cargo, que existe na estrutura da instituição, vinha sendo ocupado, de forma voluntária, pelo provedor. Fábio explicou que a provedoria tem função política institucional de representatividade junto à sociedade. Já a função de administrador é de gestão de responsabilidades burocráticas, funcionais, administrativas, econômicas e financeiras que requerem dedicação e atuação profissionalizada.

“A função administrativa deve ser profissionalizada e não tem como ser desenvolvida de forma improvisada”, diz Fábio. Diante da constatação da Irmandade da necessidade de um administrador, Camargo foi convidado a assumir.

A diretoria ponderou que com a remuneração possível, de R$ 11 mil líquidos, seria muito difícil a contratação de profissional disponível no mercado e Camargo seria o nome ideal, pelo  conhecimento que adquiriu nos dois anos como administrador voluntário e pela forma eficiente que conduziu a gestão do hospital no período.

Camargo explicou que não tinha intenção de permanecer no cargo de provedor que já tinha o colocado à disposição da diretoria há algumas semanas. Na ocasião, Camargo justificou que como estava obrigado a promover funções administrativas, suas atividades profissionais estavam sendo prejudicadas, afetando seu orçamento doméstico e pessoal, já que suas despesas, com dois filhos cursando faculdade fora, são elevadas.

“Decidi permanecer à frente da Santa Casa porque nenhum membro aceitou os cargos, mesmo com remuneração. E nem pretendo fazer carreira como administrador hospitalar. Permaneço apenas por mais dois anos, até o término do mandato, em 2020, quando retomo os negócios pessoais”, concluiu ele.

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