Mercado imobiliário e construção acreditam que economia vai “girar” o dinheiro em 2019

A expectativa de confiança é gerada pelo governo que assume em janeiro com propostas de novas regras econômicas

 

As projeções para o mercado imobiliário em 2019 são muito positivas para investidores que buscam  oportunidades de uma boa rentabilidade. Após vários anos complicados para o segmento de imóveis, 2018 vem se mostrando um ano de consolidação, criando as condições ideais para o crescimento em 2019. Na prática, o crescimento do mercado imobiliário, que é o termômetro da economia, significa que aumentará a procura pela compra de imóveis por parte da população, gerando um movimento no setor e abrindo novas oportunidades para os investidores, segundo os profissionais do ramo ouvidos.

Patrícia Durão, diretora do Empreendimento Imobiliários Água Limpa, diz que Em 2017, com a forte crise econômica e as oscilações políticas o mercado sofreu bastante. O endividamento da classe C, as altas nos juros e a baixa oferta de crédito fez com que o ramo entrasse em crise. Nos últimos dois meses, o volume de venda de imóveis ainda foi um reflexo desse  cenário. O mercado ainda está sentindo na pele todos os efeitos do desemprego e da inflação, impactados pela crise econômica”.

Porém, ela diz que há uma expectativa otimista para 2019. “Estamos confiantes nas novas propostas do presidente eleito que prevê novas regras de financiamentos de imóveis, o que deve reduzir os juros e ajudar as pessoas a realizarem o sonho da casa própria”, comenta.

Nesse clima de confiança, o Empreendimentos Imobiliários Água Limpa lançou mais um loteamento. “Estamos planejando para o final do ano uma nova política de vendas de lotes com formas e planos facilitados de pagamento. Esses planos e tabela de preços serão divulgados ainda em dezembro”, diz Patrícia, enfatizando que o loteamento está localizado em área privilegiada, no final da Rua Brasil, próximo à caixa d’água da Sabesp.

Ela diz que “a economia e a política estáveis geram dois cenários importantes para todo e qualquer negócio: as pessoas terão dinheiro e estarão mais otimistas com o futuro.  Deste modo, os juros não voltarão a subir porque os bancos irão disponibilizar dinheiro para financiamento imobiliário e a população fica otimista. Não existe expansão da indústria, nem das empresas sem a expansão do setor imobiliário. É ele que faz o espaço onde as pessoas vão viver trabalhar e se desenvolver”.

Edmundo Maia dos Santos Junior, proprietário da Santa Rosa Imóveis, em Tanabi, diz que houve melhora no mercado imobiliário este ano, “mas não para imóveis grandes”, cujo mercado ainda está parado. “Tinha que ter linha de crédito que atendesse essa faixa de imóveis para facilitar os negócios, porque algumas linhas existentes financiam entre 60% a 70% do imóvel, o que não é suficiente para imóveis acima de R$ 300 mil. A melhora verificada foi em imóveis de até R$ 110 mil, da linha Minha Casa Minha Vida, uma linha de crédito mais acessível”.

Mas ele também confirma a confiança para 2019. “Nossa expectativa é boa. Estamos esperançosos de que o novo presidente promova medidas que melhorem a economia e o mercado. A tendência de novos governos é sempre inovar com novidades que melhoram a economia”, comenta.

O corretor Tiago de Pádua, da Imobiliária Aprazível, concorda com Edmundo e acrescenta que a obrigatoriedade de entrada dificulta a expansão dos negócios. “O desemprego prolongado aumentou muito o número de trabalhadores informais e de micro empreendedores que não possuem saldo do FGTS no caso dos primeiros e saldo de caixa para retirar da empresa, no caso dos segundo, para a entrada”, argumenta.

Tiago defende a redução na entrada dos financiamentos e a retomada em escala maior nas construções do programa Minha Casa Minha Vida, Para ele, há muito otimismo e confiança da população com o novo governo. Ele mesmo é um entusiasta do presidente Bolsonaro e defende que o novo presidente retome o investimento em obras. “A construção civil é o motor da economia, se o governo der um empurrão inicial investindo pesado nela, cria as condições, via aumento de consumo geral, para os investidores privados destinar parcela maior de capital para o setor.”

O correspondente Caixa, José Maurício Vieira da Silva, confirma que a procura está “bem aquecida” tanto para imóveis novos como para usados, mas a procura, segundo ele, é maior pela linha de crédito Minha Casa Minha Vida, na faixa de R$ 110 mil. “Temos fechado vários financiamentos por mês, algo em média entre cinco a oito contratos por mês. Tem muita gente desistindo de casas maiores por conta da taxa de juros”, conta.

Marcelo Mazza, da Mazza Materiais para Construção, diz que nos últimos dois meses melhorou a procura por reforma, orçamentos e vendas, mas o comércio ainda está muito instável. “Tem uma semana muito boa, outra dá uma parada, mas não podemos reclamar. Não temos perdido vendas porque sempre estamos fazendo promoções”.

A exemplo dos demais entrevistados, ele acredita que em 2019 o mercado deva melhorar com o novo governo. “As pessoas estão acreditando no Brasil novamente, esperamos que os grandes investidores e os bancos passem a acreditar também e a investir no Brasil, porque tem muita procura pelo Minha Casa Minha Vida, que é um mercado grande”, concluiu.

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