“A Câmara é prioridade; candidatura a prefeito é só uma possibilidade”, diz Valcenir

Presidente do Legislativo promete demonstrar ser possível fazer política com transparência e gestão inovadora

 

A política partidária e mandato eleitoral nunca estiveram no horizonte de Valcenir de Abreu (PP), empresário bem sucedido do setor canavieiro que se viu circunstancialmente envolvido na campanha eleitoral de 2016 como candidato a vereador. Eleito com votação expressiva e, novato nos meandros da política, farejou a oportunidade de agarrar a presidência da Casa ao usar do pragmatismo e somar votos em um ambiente marcado pela divisão partidária.

Valcenir conquistou o papel de ator principal e modificou o roteiro que destinava o protagonismo do processo de sucessão no Legislativo a outros personagens. O novato se consolida como um político pronto, perspicaz, se nem tanto habilidoso, com a audácia de contrapor o seu projeto diante de projetos já desenhados, regra fundamental na política, onde abundam exemplos como de Getúlio Vargas, em 30 e 50, JK, Jânio Quadros, Collor, Lula e Bolsonaro, para ficar só nos casos mais fulgurantes.

Foi a senha para se ver nele um candidato a prefeito em potencial. E é? “Apenas uma possibilidade”, apressa-se Valcenir em responder a pergunta à queima roupa. E continua se esquivando ao citar seus atropelos e correrias com os seus negócios particulares a requererem cuidados dele que se seriam negligenciados com campanhas e eventual exercício do cargo.

Mas, acaba por admitir, caso as circunstâncias futuras colocarem  a possibilidade ao alcance, pode vir a disputar o cargo. Por ora e nos próximos dois anos, ressalta, que sua atenção e tempo disponível estarão voltados para a Câmara para onde trouxe, segundo ele, a experiência da iniciativa privada para geri-la.

E aponta, com orgulho, os primeiros resultados das negociações com os fornecedores do Legislativo que lograram uma redução de R$ de 27 mil nas contas, sem diminuição dos serviços prestados, deixando o caixa positivo em janeiro em R$ 82.175,00, conforme exibe o balancete simplificado que o presidente pretende divulgar todos os meses, iniciativa proposta em sua plataforma de campanha à presidência.

A expectativa de gastos imediatos fora da rotina ordinária consta apenas a plantação de flores e grama nos conteiros de frente do prédio e a compra de bandeiras nacional, estadual e municipal a serem hastedas de forma permanente nos mastros da fachada.

E tome hinos nacional e municipal na abertura de todas as sessões como tentativa de resgatar o civismo e o respeito à nacionalidade. Está, porém, nos planos gasto de maior monta como transmissão ao vivo na internet das sessões.

Em sua pequena reforma administrtiva, Valcenir instituiu o controle de saídas do veículo e o controle de visita, um registro dos eleitores que procuram por seus veredores preferidos e buscam por informações. E preencheu o cargo de assessor legislativo, cargo de confiança da presidência de que todo presidente faz uso, com o advogado Luiz Henrique Vergílio.

Valcenir assumiu o Legislativo com bancadas divididas e irreconciliáveis. Para a questão, da campanha a posse pregou o amor, mas percebeu que pode fazer uso do porrete também. “Percebo o clima de divisão e espero que isso não venha a interferir nos trabalhos da Câmara e que venha a prejudicar o município e a população. Estou aberto e disposto ao diálogo, ao convencimento, mas não vou alisar ninguém se a discussão, a divergência, sair do limite do aceitável e da civilidade.”     

No fio da navalha ficará a relação com o prefeito. Em que pese a sua boa vontade para com Márcio Miguel, até por questões familiares, o trato entre ambos tende a azedar. O grupo político que colocou Valcenir na Câmara (Donaldo Paiola, Gilberto dos Santos, Jacó Braite e Danilo de Souza),  tem horror a Márcio Miguel e vai tocar fogo na relação dos dois. O grupo deu mostras disso na primeira sessão, de terça-feira, quando todos os projetos apreciados foram empurrados para serem discutidos, informalmente, na tarde de ontem, com pedido para que Márcio estivesse presente para explicá-los. O prefeito não gostou nada do chamado para explicar o óbivio e não deve ter ido ao encontro que aconteceu depois do fechamento desta edição.

Categorias: Monte Aprazível