Agentes de saúde são obrigados a combater o Aedes para evitar epidemia de dengue em Monte

Jardim D. Bosco é o bairro mais afetado e moradores responsabilizam associação de reciclagem por criadouros de mosquito

 

Monte Aprazível está às portas de uma epidemia de dengue, com registros de 22 casos positivos  e 68 suspeitos ainda sem confirmação, nas últimas semanas. Com a intensificação de casos sintomáticos na semana passada, o prefeito Márcio Miguel, venceu a resistência de agentes de saúde de se incorporarem à equipe de Controle de Vetores  com ameaça de abertura de processo administrativo, com base em portaria federal nesse sentido. Os casos registrados, de acordo com o coordenador da equipe de Controle de Vetores, Gilberto Lemos, se dão na cidade toda, mas a grande concentração é nos bairros Jardim Dom Bosco.  e Cidade Jardim.

Moradores do Jardim Dom Bosco, o bairro mais afetado, responsabilizam um depósito de reciclagem existente nas proximidades como facilitador da criação do mosquito.O prefeito Márcio Miguel, questionado pela reportagem, foi pessoalmente vistoriar o local  e apesar de não encontrar larvas determinou ao chefe da equipe de Controle de Vetores que notifique os responsáveis para que cubram todo material que estiver fora do barracão existente no local.

Gilberto diz que a equipe de Controle de Vetores tenta combater o mosquito aedes aegypti na medida do possível, fazendo visitação de casa em casa, inspecionando imóveis e quintais, orientando a população, fazendo bloqueios e nebulização, mas “o trabalho tem que ser conjunto com a população, pois cabe a ela manter seus imóveis e quintais de locais que possam favorecer o criadouro do mosquito”, diz. Ele conta que esse apoio nem sempre acontece. “Em cerca de 60% das moradias de pacientes confirmados com a dengue foram encontradas larvas”, menciona.

A equipe de Controle de Vetores de Monte Aprazível possui 9 visitadores em campo e dois desinsetizadores, funcionários que possuem carga horária de 6 horas trabalhadas sem interrupção. Esse número, de acordo com Gilberto, é insuficiente para atender a demanda. Por isso, os agentes comunitários de saúde passarão a atuar conjuntamente com a equipe de Controle de Vetores do município, vistoriando as residências, eliminando criadouros, orientando a população e notificando casos de criadouros e impedimento de visitas.

Gilberto conta que, além da visitação de casa em casa, a equipe tem 15 pontos estratégicos que são vistoriados há cada 15 dias e imóveis especiais que são inspecionados há cada 30 dias. “Os pontos estratégicos são locais onde há maior acúmulo de recipientes que são possíveis criadouros e os imóveis especiais são locais onde há maior número de pessoas circulando, como a faculdade, hospitais e escolas”, explica.

Não é apenas no combate a dengue que a equipe trabalha. Ela atua também no controle de escorpiões, no combate do pernilongo e das arboviroses que são, além da dengue, a Chikungunya e o Zika vírus. Ele admite que é muito trabalho para uma equipe com número de profissionais reduzidos. “A cidade cresceu e está difícil dar conta da demanda. Assim conforme nos chegam as reclamações vamos fazendo os atendimentos”, comenta. Ela conta que cada agente visita em média 20 moradias por dia.

Dos casos confirmados em Monte Aprazível os exames mostraram que são casos de dengue do tipo I. A informação é da enfermeira Silvia Câmara Paschoalli, chefe da Vigilância Epidemiológica do município. Mas ela não descarta haver casos do tipo II “porque tem ocorrido na região, que está em epidemia, e tem casos de pessoas que contraiu a dengue mais de uma vez”, diz.

Indagada sobre as conseqüências de contrair a doença mais de uma vez, Silvia diz que vai depender de fatores intrínsecos de cada pessoas. “Se a pessoa tiver uma doença de base é um fato complicador, por isso o ideal é combater o mosquito mantendo limpos imóveis e quintais”, enfatiza.

 

“Bagunça da reciclagem” é a causa, segundo moradores

Valter Antônio Chiavelli é morador da Rua Eduardo Gomes Barca, no bairro Jardim Dom Bosco, onde foi confirmado a maioria dos casos de dengue do município. Valter conta que os sintomas da dengue apareceram no dia 7 de janeiro, quando ele estava de férias, em casa, localizada perto de um depósito de materiais recicláveis, que ele responsabiliza pela abundância de mosquitos que afirma ter no local.

Valter é um paciente que teve dengue pela segunda vez. “Da primeira vez foi mais forte, fiquei de cama uns 3 dias. Dessa vez foi mais fraquinha, mas apareceram os sintomas também”, diz.

Ele diz que sua casa, que faz fundos com o depósito de materiais recicláveis não costumava ter tantos mosquitos como tem agora. “Aqui não era assim, depois que virou depósito de reciclagem virou isso, uma bagunça, muitos recipientes a céu aberto, ficou complicado”, desabafa.

Emílio Ribeiro Pinato, que trabalha no Departamento Municipal Agrícola, também localizado no Jardim Dom Bosco, foi outro que teve a suspeita de dengue confirmada. “Passei mal pra caramba, fui parar três vezes no hospital em Rio Preto, tive febre alta, vômito, manchas vermelhas pelo corpo, minha pressão baixou e ainda não estou muito bom, estou sentindo muita fraqueza”, conta afirmando que contraiu a dengue no serviço, que fica próximo ao depósito de recicláveis. “Moro no sítio e lá em casa ninguém mais teve, em compensação aqui no serviço três de cinco funcionários tiveram dengue. Peguei aqui por causa dessa bagunça da reciclagem”, encerra.

Coincidentemente, no bairro Cidade Jardim, o segundo em número de casos, também tem depósito de reciclados nas proximidades.A diretoria da Associação dos Moradores da Vila Aparecida, entidade social responsável pela reciclagem, não foi localizada para comentar o assunto.

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