João Francisco Neto: Desafios da educação

Se existe um setor em que o novo governo ainda não se acertou foi a Educação, pois nos fatídicos cem primeiros dias o país não viu nenhum progresso nessa área tão importante e estratégica. Ao contrário, o que houve foram trapalhadas, demissões súbitas, determinações revogadas, troca de ministros, etc.

O Brasil não deve incorrer no erro de adotar políticas educacionais para atender apenas aos governantes de plantão, cujo mandato se esgotará dentro de quatro anos. Pelo mundo afora, as políticas educacionais que deram certo foram aquelas pensadas e projetadas para durar décadas.

Ao redor do mundo, verifica-se que são sistemas educacionais definidos não só para alcançar bons resultados acadêmicos, mas também para formar cidadãos mais conscientes e preparados para a vida. Esses são, em síntese, os grandes desafios de um bom sistema educacional. A chave da questão está em como vencer esses desafios. Aí entram a experiência e as práticas adotadas por diversos outros países.

Já faz um bom tempo que a Finlândia vem mostrando ao mundo os seus admiráveis níveis de excelência em educação; porém, há outros países que também têm muito para ensinar aos demais.  Dentre esses países, destaca-se a pequena Singapura, que nos últimos anos vem surpreendendo o mundo com suas admiráveis realizações no campo educacional.

Um dos segredos do sucesso de Singapura foi investir na educação dos seis primeiros anos letivos, quando se constrói o futuro por meio da educação. Nesse período, a criança, além de estudar a língua pátria, inglês, matemática, ciências e artes, deve se sentir responsável com sua família, sua comunidade e sua nação. Além disso, houve um investimento pesado em tecnologia da informação, tanto para os professores quanto para os alunos, com internet de alta velocidade e livros em plataformas digitais para todos, inclusive os mais pobres.

No Japão, antes mesmo do processo educacional, os primeiros anos da vida escolar são dedicados para a construção do caráter da criança, quando se desenvolvem o respeito e a generosidade para com o próximo. Nesse período, a criança também é estimulada a fixar os conceitos do certo e do errado, da justiça, do autocontrole e determinação. São habilidades que estabelecem o equilíbrio necessário para se alcançar o sucesso não só na sala de aula, mas por toda a vida do estudante.

Daí concluir que não basta pesquisar quais foram os melhores e mais bem sucedidos modelos a nível mundial e partir para sua implantação no Brasil. É necessário um trabalho conjunto da sociedade civil com professores, gestores, governantes, e a classe politica para definir um consenso sobre o modelo educacional que seja não só o melhor, mas, sobretudo, o mais adequado para a nossa realidade e o nosso futuro.

Projetos que deram certo em outros países podem não se ajustar às nossas especificidades ou à nossa cultura.

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