Crise torna “supercrescente” procura por assistência nas igrejas, segundo religiosos

“A cada dia  observamos que as necessidades vão aumentando e vamos atendendo no que pode”, diz padre Carlos

 

A baixa atividade econômica e o desemprego, com tendência para entrar no cinco anos, corroem a renda das famílias e as colocam sob ameaça do risco de fome. Isso está sendo verificado com a demanda crescente por assistencialismo primário em igrejas cristãs e suas instituições de caridade, além da assistência social da prefeitura. As igrejas não contam com orçamento para tal fim e como dependem de doações das comunidades, atendem no que for possível.

As igrejas católicas de Monte Aprazível afirmam que a demanda é “supercrescente”. O atendimento se dá através das conferências vicentinas que na matriz Senhor Bom Jesus são três, que asssitem os mais necessitados, segundo o frei Francisco Aparecido Rodrigues, com medicamentos, alimentos, roupas e calçados.

Ele menciona ainda o atendimento a pessoas com dependência química. “Não temos uma comunidade terapêutica, mas mantemos parcerias com muitas comunidades terapêuticas que acolhem os candidatos que enviamos, tanto homens, como mulheres e a paróquia arca com os custos dessas internações”.

Os recursos para todos esses atendimentos, de acordo com o frei, são oriundos da própria comunidade, através de doações, pagamento de dízimo e ofertas das missas. Além disso, ele diz que a paróquia realiza novenários e as ofertas são sempre produtos que serão entregues aos mais necessitados. A procissão de Corpus Christi também é um momento de doação de mantimentos e produtos de higiene, quando todos os altares da procissão são confeccionados com alimentos e produtos.

Padre Carlos Eduardo Pereira Nascimento, pároco da igreja de Nossa Senhora de Fátima, diz que sua paróquia também tem as conferências vicentinas que assistem os mais necessitados com cestas básicas e outras necessidades. Além disso, de segunda a sexta-feira a paróquia serve jantar para as pessoas que vivem na rua, carentes “e quem precisar”. As fontes de recursos são os mesmos:  “É tudo na base da caridade. A gente pede para um, pede para outro e assim vai realizando o trabalho social”, diz. A demanda, ainda segundo ele, é crescente, “cada dia mais a gente vai observando que as necessidades vão aumentando e a gente vai atendendo no que pode”.

O pastor Manoel Hipólito Pedroso, da igreja Presbiteriana Renovada, conta que também assiste os carentes com cestas básicas e, além disso, mantém uma instituição de recuperação de dependentes químicos. “Com muita dificuldade mantemos a Moriá com a ajuda de voluntários e familiares das pessoas internadas na instituição que não conta com recursos estaduais nem municipais, mas tudo é feito com muito amor e com a ajuda da igreja”.

Os recursos para a manutenção dessa obra social, de acordo com o pastor, são oriundos de doações dos fiéis, simpatizantes do trabalho da igreja e da comunidade. “Uma vez por meses nossos voluntários ficam nas portas dos supermercados pedindo doações aos consumidores e a ação tem surtido efeito. Conseguimos arrecadar significativa quantidade de alimentos para as obras assistências da igreja e para a Moriá”. Manoel também diz que a demanda é crescente, “mas a gente atende na medida do possível”.

Edson Manoel Abreu, presidente do Centro Espírita Apóstolo Paulo, diz que o centro também distribui cestas básicas de alimentos aos carentes com recursos oriundos dos próprios espíritas, “não recebemos verbas de ninguém, nem da prefeitura nem do Estado. São recursos nossos mesmo e de simpatizantes da causa”.

A demanda, segundo ele, é crescente, “mas a gente só atende na medida do possível em razão da escassez de recursos. A gente rateia entre nós os gastos e, além disso, recebemos algumas doações de gente que aprecia o nosso trabalho”, conclui.

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