Comércio de Monte demite 637 e fecha 347 vagas em 2019; crescem cortes em Tanabi

Dirigente lojista diz que nada se pode fazer sem que governo federal crie um plano de investimentos

 

Somados, os meses de março e abril dizimaram empregos de comerciários de Monte Aprazível: foram 465 demitidos, número que se eleva para 637, contados janeiro e fevereiro. A situação é mais amena em Tanabi, foram 142 demitidos no mesmo período, com tendência de alta, segundo os dados divulgados pelo CAGED, órgão do Ministério do Trabalho que contabiliza contratações e demissões em carteira de trabalho.

A situação de desaquecimento do mercado também foi registrada em outros setores bases da economia da região como prestação de serviços e agricultura. Segundo o presidente da Associação Comercial de Tanabi, Edmundo Maia Junior, são setores com empregabilidade historicamente elevada, com relações entre si e quando os três tem baixo desempenho, como agora, a situação é fica bem difícil.

Como agravante, a  construção civil, setor que impulsiona comércio e serviços, segue em baixa desde 2014.

Nos últimos doze meses, somados todos os setores da economia, em Monte Aprazível, as admissões foram maiores que as contratações em 33 vagas de emprego. No mesmo período, o comércio criou 1.055 vagas, demitiu 939, mantendo um saldo positivo de 116 vagas. Mas, os quatro meses de 2019, dizimaram os estoques de 2018 e deixaram um saldo de 347 vagas negativas.

Tanabi completou um ano com um saldo positivo de 54 vagas, contando todos os setores. Os quatros primeiros meses de 2019, devoraram o estoque positivo e deixaram o saldo negativo em 98 vagas. No comércio, a voracidade em destruir posto de trabalho é num ritmo menor, mas crescente, que está erodindo mês a mês o pequeno estoque positivo de 37 vagas nos últimos doze meses.

O trabalhador nas duas cidades entrou o ano com a “mão esquerda” recebendo a carteira com a baixa do que com a direita oferecendo-a para a assinatura. Em Tanabi, quem mais sofreu foi o trabalhador agrícola, com 66 vagas fechadas. Até a prefeitura, mandou seis embora.

Previdência

A Reforma da Previdência, vendida pelo governo como remédio para o mal, não vai resolver o problema. “A Previdência por si só não resolve isso. Falta uma política de governo para geração de renda e empregos”, denuncia o presidente da Associal Comercial e Industrial de Tanabi, Edmundo Maia Júnior.

Para ele, não há o que o empresário do comércio fazer e como reverter o quadro de desemprego e baixa contratação do setor. Ele entende que as paralisações de obras na esfera federal, corte nos investimento ocorridos ainda na gestão do presidente Temer, que perdura até agora,  e a inexistência de uma política econômica do atual governo focada na geração de emprego e renda só piora o quadro.   

A visão de Edmundo é endossada por Maria Inês Andreta Paiola, presidente da Associação Comercial de Monte Aprazível, que diz que todos os segmentos comerciais estão vulneráveis a demissões e menciona ainda a prestação de serviços. Ela diz que se a economia não melhorar a tendência é de mais demissões e não vê previsão de contratações no comércio a curto e médio prazo. “Quando a economia melhorar e as empresas começarem a investir novamente gerando mais postos de emprego aí o comércio começará a contratar, mas não há previsão para isso acontecer. Do jeito que está, a tendência é para mais demissões do que contratações.”

Ela não vê relação entre as demissões de 2019 com eventuais contratações para as vendas de Natal do ano passado. “Não creio haver relação e se alguém que contratou segurou o funcionário até março é porque estava esperando uma melhora que não houve.”

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