Apesar de Bolsonaro, mães mantêm os filhos na cadeirinha

Entre a sugestão maluca do presidente Jair Bolsonaro e as estatísticas científicas, mães de crianças em idade de zero a sete anos e meio se guiaram pela razão e vão continuar transportando seus pimpolhos na segurança das cadeirinhas. O decreto presidencial isenta da multa o transporte de crianças desprotegidas.

Desde que foi determinada em 2008 a obrigatoriedade da cadeirinha adaptada para o transporte de crianças, caiu o número de mortes na faixa etária a que se refere a lei. Sabe-se lá com que intenção o presidente decidiu apresentar decreto que vai ao sentido da morte, retirando da legislação a multa pelo transporte irregular, incentivando o transporte sem proteção.

A tendência entre as mães é de ignorar a sinalização presidencial para a transgressão. A engenheira eletricista  Simone Zeitune Pinato Alves tem uma filha de quatro anos e diz que continuará usando a cadeirinha. “Para mim não muda nada. Com lei ou sem lei o que importa é a segurança da minha filha, por isso mesmo sem o pagamento de multa continuarei usando a cadeirinha”.

A advogada Camila Paula Paiola Lemos tem uma filha de seis anos que usa o assento. Também ela diz que continuará usando porque o foco é a segurança da criança. “Nós que somos mães prezamos pela segurança dos nossos filhos e a cadeirinha e o assento são objetos que garantem a segurança dos nossos filhos, por isso, continuarei usando até que ela atinja a idade que dispensa o uso”, conclui.

O decreto presidencial tem outros pontos polêmicos contestados pelos delegado de trânsito aposentando Luiz Mantovani. Ele admite revisões no Código de Trânsito

Luiz Pedro Mantovani, que durante anos trabalhou como delegado de trânsito em Monte Aprazível, admite que o Código de Trânsito precisa ser revisto, no entanto, discorda de modificações que tratam de questões de segurança.

“A retirada da multa das cadeirinhas vai ocasionar muitas mortes de crianças. Infelizmente a aplicação de advertência não educa o motorista e acredito que nem todos motoristas vão usar a cadeirinha quando deixar de ser obrigatório. Eu temo por aqueles que ainda não tem crianças e quando vier a tê-las não vão querer gastar dinheiro comprando a cadeirinha”.

Sem radares nas estradas federais, na opinião de Mantovani, vai aumentar o número de acidentes e os casos de lesões e mortes. “Não tenho dúvida de que aumentará o número de acidentes.”

Mantovani também é contra a dispensa do exame toxicológico para motoristas profissionais. “Tem muito condutor de transporte de cargas que usa substâncias que retardam o sono para conseguir fazer a entrega da carga no prazo determinado e se o problema é segurança no trânsito deve continuar a exigência do exame toxicológico”.

Em relação ao aumento de 20 para 40 pontos para a suspensão da carteira pretendido pelo presidente, Mantovani defende  o meio termo. “O ideal seria o meio termo: 30 pontos, porque existem muitas infrações que não acarretam prejuízo algum a segurança do trânsito, como por exemplo, deixar de licenciar e registrar o veículo fora dos prazos,”

Mantovani considera injusta a suspensão do direito de dirigir em razão de multas decorrentes de constatação subjetiva pelo agente, como placa ilegível e conservação dos equipamentos obrigatórios em situações circunstanciais devido a barro,  problema elétrico durante o percurso.

O delegado aposentado desconfia que Jair Bolsonaro seguiu o instinto, sem base na ciência para tomar suas decisões. “Acredito que o presidente não esteja amparado por nenhum estudo científico, pelo contrário, os estudos apontam que vai aumentar e muito o número de acidentes, pois depois que o Código de Trânsito Brasileiro entrou em vigor e começaram as fiscalizações teve significativa queda no número de acidentes, sem levar em consideração o aumento no número da frota do país, que em regra elevaria o número de acidentes”.

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