Santa Casa de Tanabi reforma prédio para abrigar projetos de verba de R$ 5 milhões

Liberação de recursos federais para investimentos está programada para  começar a  partir de janeiro

 

Mantendo as portas abertas para receber pacientes graças a emendas parlamentares, já que o déficit financeiro mensal fica em torno de R$ 30 mil, a diretoria da Santa Casa de Tanabi se supera  para adequar a estrutura física do hospital para receber R$ 5 milhões, já que o dinheiro não pode ser aplicado em custeio, reformas ou ampliação, apenas em investimentos no atendimento médico, como a reabertura do centro cirúrgico.

Para tanto, foram providenciais a emenda de R$ 250 mil do deputado federal do PC do B, Orlando Silva, por indicação do ex-prefeito José Francisco e doação de uma empresa do setor energético e de alimentos.   Segundo o provedor do Hospital, Edmilson Bezerra da Costa, sargento da reserva da Aeronáutica, com os recursos, foram reformados parte do telhado, ampliação e troca de piso da ala psiquiátrica, do refeitório/cozinha e piso da recepção, além de compra de móveis e utensílios de cozinha.

Costa explicou que a emenda de pouco mais de R$ 5 milhões, dividida em três parcelas de R$ 2 milhões, R$ 1.9 milhão e R$ 250 mil, começa a ser liberada a partir de janeiro, conforme já lançado no sistema orçamentário do Ministério da Saúde. A Santa Casa só pode gastar os recursos em equipamentos de exames clínicos e laboratoriais, instrumentos clínicos, cirúrgicos, de assepsia e outros. O hospital define os equipamentos a serem adquiridos, compra por uma tabela de preço definida pelo Ministério, que fará o pagamento.

O provedor entende que a importância dos equipamentos a serem adquiridos melhoram e ampliam o atendimento, tornam o hospital mais completo e possibilitam o aumento na receita. Com o Centro Cirúrgico reativado e o  hospital mais e melhor aparelhado, é possível a venda de serviço ampliada para Sistema Único de Saúde, Secretaria Estadual, Prefeitura, planos de saúde, empresas e particulares.

A grande aposta para a ampliação de serviços, Costa vê nos equipamentos  para equipar a  Unidade de Terapia Intensiva – UTI – essencial para o funcionamento do Centro Cirúrgico.. Está aí, um desafio que não será só do provedor e da diretoria. Costa conta com o envolvimento da sociedade tanabiense para levantar os recursos para a construção de um anexo. “Teremos os equipamentos, mas não teremos o recurso para a construção e tenho certeza que a cidade vai se mobilizar, com bingos, leilão de gado e vamos levantar os recursos”, diz o confiante provedor.

Dificuldade

É regra das santas casas ter extrema dificuldade com as finanças, quase sempre, em função dos baixos valores pagos pelo SUS por procedimentos. Assim, a conta não fecha e são frequentes as campanhas, como leilão de gado, para cumprir, especialmente, o abono do décimo terceiro salário dos funcionários.

As receitas fixas e significativas mensais da Santa Casa da Santa de Tanabi são R$ 215 mil de serviços prestados à prefeitura com o Pronto Socorro e os repasses do SUS. Juntos os dois repasses somam R$ 365 mil, para cobrir a folha de pagamento de 88 funcionários e mais encargos, cinco médicos e uma escala de 25 plantonistas e mais todas as despesas correntes com remédios e insumos médicos, energia, água, manutenção de equipamentos, materiais e alimentação para os pacientes de 94 leitos, sendo 72 SUS, e outros 31 da ala psiquiátrica, totalmente SUS.

Assim, a conta não fecha e o déficit em torno de R$ 34 mil se acumula todos os meses. “A conta é coberta com as emendas dos parlamentares, de deputados, com a pequena colaboração dos contribuintes das contas de energia e do povo que participa dos eventos, como o leilão de gado”, comemora Costa.

A partir de janeiro, com a chegada dos recursos e implantação de novos projetos, cresce a possibilidade de aumentar as receitas. Porém, a se política do SUS de remunerar serviços por valores que representam metade ou um terço de seus custos, Costa teme que a situação do déficit não se resolva, ou que até aumente em função  da ampliação no atendimento, prestação de novos serviços, da manutenção e operação de novos equipamentos. Sem a revisão dos valores atuais dos serviços prestados ao SUS, Tanabi pode ter um atendimento em saúde mais qualificado, mas ainda dependente das emendas políticas e da caridade pública.

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