Arroba do boi vai às alturas, satisfaz pecuaristas e estraga as festas de fim de ano inovadores

Aumento desenfreado nas importações chinesas e maior consumo interno eleva preço diário da proteína

 

A alta no preço da carne já começou a chegar ao consumidor. Em pouco mais de 30 dias a arroba passou de R$ 200,00, depois de um longo período oscilando entre R$ 130,00 e R$ 140,00. A tendência é de alta e a expectativa é de que chegue a R$ 250,00 até o final do ano. Os açougues dizem que os frigoríficos justificam o aumento devido às exportações para a China.
José Luis Fonseca, da Casa de Carnes do Zé, diz que o aumento nos preços tem se dado devido a exportação de carnes para a China. “Qualquer carne desossada a exportação paga mais de R$ 44,00 o quilo, enquanto que no Brasil sai na base de R$ 22,00 o quilo, por isso nossa carne está indo quase toda para a China”.
Ele diz que nos últimos três meses o preço da carne aumentou em 70%. “Há três meses a arroba estava R$ 145,00 hoje está R$ 228,00 e todo dia a carne vem com aumento”. diz, afirmando que a tendência é de alta e que deve continuar pressionando os preços para as festas de fim de ano.
José acha que a arroba deve chegar a R$ 240,00, R$ 250,00 até o final do ano e com a alta o consumo já começou a cair. Ele diz ter sentido uma queda de 30% no consumo nos últimos 30 dias. O consumidor está preferindo comprar carne de porco e frango que, apesar de mais baratas, já registraram aumento também e segundo José, “vai aumentar ainda mais com o aumento do consumo”.
Emerson Tadeu Cândido da Costa, da Casa de Carnes do Tadeu, diz que em 31 anos de açougue nunca viu uma situação como essa. “Nunca acreditei que o preço da carne chegaria nesse patamar”. Ele diz que os frigoríficos justificam o aumento em razão da exportação e falta do produto no mercado. “Até a estiagem ajudou a fazer com que o gado sumisse do mercado. Foi uma somatória de fatores, mas principalmente em razão da exportação para a China”.

Tadeu também já percebeu queda nas vendas. Disse que no feriado de 15 de outubro as vendas já ficaram bem abaixo das registradas no feriado de Finados. Ele pagou na quarta-feira, dia da entrevista, R$ 220,00 a arroba da novilha e diz que o preço tem subido todo dia. “Da terça-feira da semana passada até terça-feira desta semana a carne subiu 22%”” e a tendência, segundo ele, é do consumo cair e o consumidor substituir a carne bovina por outras proteínas como o frango e o porco, que também registraram aumento de preço da ordem de 15%, mas cujos preços estão bem abaixo dos cortes da carne bovina.

Pecuarista
O Brasil tem mais de um boi para cada brasileiro. O valor do preço da arroba deixou os pecuaristas mais que satisfeito, segundo o pecuarista e comerciante Evaristo Gatti. “Eu tinha um gado que paguei mais barato e vendi mais caro e ainda tenho alguns animais e o preço está bem atraente”, diz.
A incursão de Evaristo na pecuária é recente e ele já percebeu ser um bom negócio, mas se diz cauteloso, observando o mercado “porque subiu muito rápido e a gente vê que é por causa das exportações, não sabemos se vai continuar assim, acho que tem uma tendência de dar uma baixadinha, uma acomodada de mercado, mas não dá para falar num patamar, estou inseguro, porque sou novo no ramo, mas uma coisa é certa, para quem tem muitas matrizes dando cria, gado é um excelente negócio, porque não creio que o preço volte ao patamar que estava, porque ficou muito tempo sem subir”.
Nos últimos anos, os criadores e confinadores amargaram anos ruins, de baixa rentabilidade e mesmo prejuízos, especialmente sofridos pelos confinadores e até mesmo os consumidores reconhecem isso. O técnico em saneamento Donizete Zioli diz que o pecuarista está comemorando a alta porque, historicamente, vem sendo prejudicado, embora lamente que, na outra ponta, o prejudicado é o consumidor “que fica sobrecarregado com tantas altas nos preços, dificultando o consumo, porque o poder aquisitivo do brasileiro já está pequeno e com os constantes aumentos na carne o jeito será substituir pelo peixe, frango, ovo, enfim, por outras proteínas.

Categorias: Economia