Preço da carne afeta setores de gastronomia e bebidas

O surpreendente aumento no preço da carne bovina, depois de longo período estacionado em patamares abaixo de R$ 150, 00 a arroba causou alvoroço no mercado do boi que de morno, aqueceu muito.Como é, de longe, a proteína mais consumida pelo brasileiro, a alta dos preços, encontrou tendência também de alta das carnes de porco e frango, em início de período de festas de fim de ano, num cenário econômico de elevado desemprego e baixa atividade econômica, não afeta apenas o orçamento familiar. O setor gastronômico e de bebidas também é prejudicado com o aumento, pois o componente importante dos pratos de restaurantes populares e o principal das lanchonetes força para cima os preços, com sérios riscos de diminuição no consumo. No setor de bebidas, as confraternizações familiares e churrascos de fim de semana representam até 60% nas vendas de bebidas.
Por outro lado, há setores que podem ser beneficiados pelo aumento da carne bovina. Lucas dos Santos, que trabalha com pescados vê uma oportunidade para o consumidor ter outro viés gastronômico e enxergar no peixe uma alternativa. Segundo ele, o hábito da carne vermelha faz com que o consumidor não atente para o fato de que o preço de vários peixes já são economicamente compatíveis com os valores das carnes vermelhas e agora espécies mais caras passaram a ser competitivos com cortes vermelhos de primeira e a picanha e o filé têm hoje o mesmo valor do nobilíssimo bacalhau.
Ainda é só uma oportunidade. Apesar dos benefícios nutricionais e do preço competitivo, Lucas diz que ainda não percebeu aumento nas vendas em razão da alta no preço da carne. “Já era para ter aumentado. Ou o consumidor está pagando o preço da carne e não está percebendo ou está comendo porco, frango, ovo, legumes, porque o brasileiro está sem dinheiro para arcar com altas constantes, como o preço da carne”.
Fabrício Esteves, do setor de bebidas, diz que depois do aumento da carne viu o consumo de cerveja cair . “Muitas pessoas que tomavam uma cervejinha a semana inteira, estão deixando só para o fim de semana. As pessoas estão fazendo menos churrasco, mas acredito que com a proximidade do final do ano, o consumo volte a aumentar, mas acho que depois do Ano Novo as vendas devam recuar novamente”.
Lucas dos Santos diz que embora a cultura do brasileiro ainda seja de consumir carne vermelha, o peixe é um alimento que faz frente ao preço da carne bovina com excelente qualidade nutricional. “O preço não é mais desculpa para deixar de consumir peixe. O quilo da merluza é mais barato do que o quilo da carne de segunda. A carne de primeira está mais cara do que o filé de tilápia. a picanha está no preço do salmão e mais cara que o bacalhau”, aponta Lucas.
Para Luiz Carlos Dela Roveri, que atua no setor de restaurante, a carne é a vilã da vez. “Estou tentando segurar o preço, mas se continuar assim o aumento nas refeições será inevitável. Não sei como essas marmitarias estão sustentando preços de R$ 8,00 a R$ 9,00 com o preço da carne nas alturas”, comenta.. Mas vilã, não é só a carne, Luiz reclama também do feijão, da carne de porco, de aves, que também subiram penalizando o setor, marcado pela concorrência agressiva e margem de lucro inexpressiva.
Leonardo Nogueira Ferrari, da Texans Burguers, que tem na carne a base do seu negócio e trabalha com os cortes mais nobres do boi, justamente os que mais subiram e vão continuar subindo, diz que “essa situação é preocupante, mas por enquanto pelo fato de sermos uma franquia e a rede ter contratos com frigoríficos, o preço não aumentou, mas se continuar aumentando desse jeito é evidente que o aumento será repassado para a gente e podemos até absorvê-lo por algum tempo, mas não conseguiremos segurar muito, porque a margem de lucro é pequena”.
No caso dele, não há como diminuir o impacto da alta da carne mexendo no cardápio. “Nós temos uma proposta diferente, trabalhamos com carnes e queijos nobres, com um hambúrguer gourmet, não dá para mexer e se o preço continuar pressionando, o reajuste será inevitável, possivelmente com queda nas vendas.

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