Mesatenistas da Apae de Monte conquistam ouro e bronze no Paralimpíadas brasileira

Desempenho esportivo e cultural é resultado da aplicação do conceito de inclusão praticado na escola

 

Com raquetadas ligeiras e certeiras, Thayná e João Fernando, alunos da Apae de Monte Aprazível, representando São Paulo, colecionaram medalhas de ouro e bronze na etapa nacional das Paraolimpíadas 2019, realizada de 18 a 22, com a participação de 1.200 estudantes de todo o Brasil. Thainá faturou o ouro e, de quebra, um bronze, e João dois bronzes. Os dois fazem parte da equipe de tênis de mesa da escola.
Thainá, de 13 anos, já era campeã estadual das Olimpíadas das Apaes, promovidas pela entidade. Nas Paraolimpíadas, a menina ganhou a medalha de ouro nos jogos em equipe e o bronze individual e João ficou com o bronze nos jogos em equipe e individual.
Para o professor de educação e treinador das equipes de esportes da Apae de Monte, Rafael Acácio, o que realmente importa na conquista dos meninos é a alegria deles, “conhecendo novos lugares, novos amigos.” Segundo o professor, esses eventos melhoram o desenvolvimento cognitivo e motor deles, contribuem com a socialização, o trabalho em equipe, a autonomia, planejamento e organização de suas vidas.
A Apae de Monte Aprazível não se destaca apenas pela qualidade de ensinoe apoio às famílias de seus alunos. Para Vanderlei Pereira, presidente da instituição por dez mandatos, a entidade de Monte Aprazível foi das primeiras a entender a importância e colocar em prática o conceito de independência e inclusão dos deficientes intelectuais e físicos. Ao longo de mais de uma década, a entidade priorizou o desenvolvimento das habilidades dos estudantes, especialmente nos campos do trabalho, do esporte e cultura. As equipes de esportes da Apae se destacam em competições regionais, estaduais e nacionais
As exibições culturais, musicais e apresentações de dança e teatro dos alunos são memoráveis. A Doutor Borracha, a banda da percussão da entidade, com instrumentos desenvolvidos na própria escola com materiais recicláveis, chegou a gravar CDs.
A escola tem sede na cidade e uma unidade rural, objeto de um ambicioso projeto da diretora Vera Nilce Pereira. Na unidade, é desenvolvido um projeto de educação ambiental e de produção agrícola em pequena escala. Está em fase de conclusão o prédio para abrigar salas de aulas e demais dependências de assistência ao aluno e de administração. A ideia, segundo Vera, para o futuro, é transformar a sede em abrigo para portadores de deficiência idosos. Vera lembra ser a expectativa de vida do deficiente intelectual, hoje, bem alta, e muitos deles se tornam órfãos idosos, obrigados a morar sozinhos
Depois de mais duas décadas, com poucos intervalos, na presidência da entidade, Vanderlei Pereira passa o cargo para o farmacêutico Nereu Paschoali.
“Nossa escola tem oferecido atividades esportivas, culturais e artísticas para nossos alunos. Está no caminho certo e deverá, portanto, continuar nele. São atividades que engrandecem o ser humano, são extremamente inclusivas e elevam a auto estima. Nossos esforços serão no sentido de manter e, possivelmente, ampliar todas as ações que promovam cultura e cidadania”, enfatizou o futuro presidente.
Nereu, em nome da diretoria eleita para o biênio 2020/22, faz questão de parabenizar os atletas paraolímpicos, professores, funcionários e a direção da escola “pela participação e pela importante conquista.”

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