Minuci vai aproveitar cenário favorável para ser o candidato da oposição em Monte

Impedimento legal do ex-prefeito Maurinho Pascoalão favorece o empresário que nunca deixou de pretender o cargo

 

A vitória eleitoral de 2016 do grupo oposicionista e o impeachment do eleito Nelson Montoro, no começo de 2018, com a ascensão do vice Márcio Miguel no cargo, colocaram o grupo do atual provedor da Santa Casa, João Roberto Camargo, no poder. Como consequência, despertou nos grupos derrotados, dos ex-prefeitos Wanderley Sant’Anna, Mauro Pascoalão e Nelson Montoro, a necessidade de se unirem para enfrentar o novo quadro.
O grupo ficou encorpado, aglutinou forças, mas não tinha nome, já que os caciques dos três grupos estão impedidos de disputar cargos eletivos, além da esperança alimentada por Pascoalão de que sua candidatura seria possível, através de chicanas jurídicas.
Na semana passada, a Justiça determinou a inclusão do nome dele no cadastro nacional de condenados por improbidade administrativa, liquidando com a esperança. Restou à oposição se unir em torno do empresário do Toninho Minuci. Foi o presidente do DEM, Hélio Polotto, o vice na chapa de Mauro, em 2016, que teve a clarividência de enxergar esse caminho e manter o diálogo com os três grupos e com Toninho Minuci e trazer para o seu partido Renata Sant’Anna, em cargo destacado e opção preferencial para a vice de Toninho Minuci, com apoio de Mauro à chapa.
Em 2016, sem conseguir viabilizar sua candidatura, Minuci desistiu para apoiar Mauro, de quem era vice-prefeito. Terminada a eleição, o empresário submergiu se afastando da política e de qualquer movimento que lhe desse visibilidade, até da comissão de festas da Igreja dos Santos Reis, que presidiu por longos anos abriu mão. Era estratégia.
Toninho nunca deixou de pensar no cargo de prefeito. Aproveitou os três anos sabáticos da política para se dedicar mais à empresa de móveis que administra. Estratégica ou não, a suposta interdição familiar, da mulher Lígia, dos filhos, irmãos, cunhados e sobrinhos, esteve no plano da boataria de rua. “A política leva a uma exposição desconfortável da família. A minha preferiria que eu não fosse candidato, mas nunca colocou isso como imposição, pelo contrário, apoia e estará junto se a candidatura for minha palavra final.”
E é. “Nunca eu estive fechado para uma candidatura. Eu decidi não falar sobre isso antes da hora e acho que ainda é cedo.” É cedo, mas ele está pressionado a falar dela. Na última quarta-feira, foi cancelada uma conversa que teria com Polotto, por convalescência pós internação médica deste e de compromissos profissionais dele.
Renata Sant’Anna descarta qualquer possibilidade de candidatura, sequer como vice, mas admite que, circunstancialmente e por pressão de companheiros, pode vir a assumir essa segunda posição em uma chapa. Se for com Toninho?, a resposta é imediata: “Gosto muito.”
A filha e herdeira política de Wanderley diz ter disputado a prefeitura em 2016 contra sua vontade, forçada pelas circunstâncias. “Não queria e fui candidata e agora não vou dizer que nunca serei, mesmo sendo totalmente improvável ser candidata. Também não pretendo ser vice, mas esta é uma possibilidade mais provável se não houver opção aprovada por nossos companheiros.”
Apesar de Mauro Pascoalão ter sinalizado que seu candidato seria Valmir Salvione e este já estar pedindo votos a eleitores, Toninho tem densidade eleitoral e prestígio social capazes de anular pretensões pessoais e candidatura de conveniência.
Aliás, todas as candidaturas, de qualquer campo, serão marcadas pelas circunstâncias de futuro muito próximo, a cada movimento de Minuci
Insistindo não pretender antecipar o tempo da eleição, Toninho Minuci é traído pela vontade e deixa escapar que vê no cenário político chances concretas para a união da oposição em torno de seu nome e busca coerência ao afirmar que nesses três anos, não agiu politicamente e não falou sobre política e isso pode ter sido interpretado como desistência da política, mas que nunca colocou sua candidatura como descartada.
Do outro lado, a situação está mais para a divergência. O prefeito Márcio Miguel vai, certamente, para a reeleição. Camargo, o coordenador eleitoral das vitoriosas campanhas de Mauro e Montoro, em 2020, garante estar à frente de sua própria campanha.

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