Comércio e indústria ameaçados pelo vírus não suportam os efeitos do isolamento

Empresários defendem o isolamento total, mas com suspensão de pagamentos de boletos, impostos

 

O impacto econômico do coronavirus já foi sentido por comércio e indústria sem que ainda medidas mais duras de isolamento da população fossem aplicadas. Comerciantes e industriais estão preocupados com as restrições de pessoas nas ruas deixando de consumir o que, inevitavelmente, ocasionará um colapso nos seus caixas.

O industrial Toninho Minuci, da MM Gabinetes, diz estar muito preocupado com a questão. Ele conta que já notou mudança de comportamento em seus clientes. “Vários lojistas comunicaram que não atenderão mais presencialmente nossos representantes comerciais. Também em razão disso, as vendas estão caindo bastante”, diz.

Ele comenta que é um ciclo. Com a diminuição de circulação de pessoas nas lojas as vendas caíram, fazendo com que as lojas comprem menos, o que resulta na diminuição da atividade econômica.

Apesar de ter seu negócio prejudicado, Toninho aprova as medidas de fechamento total adotadas na Europa e defende o mesmo para o Brasil. “É claro que tudo isso teria que ser decidido depois de uma reunião entre o presidente Bolsonaro, o ministro da economia Paulo Guedes, presidentes do Banco Central e dos maiores bancos do Brasil para estudar um meio de paralisar tudo, cessando a cobrança de boletos, contas de água, energia, enfim tudo teria de ser adiado. Nenhuma conta venceria nesse período com todo mundo em casa, com tudo voltando ao normal quando tiver segurança”.

O empresário lembra que até Trump não descarta uma quarentena nacional nos EUA. “Mas é preciso que o governo tome uma providência, pois as empresas tendo seu faturamento diminuído é uma corrente, isso vai afetar a economia toda. Cai tudo, inclusive a arrecadação interna, porque quem dá partida no motor da economia é o consumidor final, ele faz girar toda a cadeia da atividade econômica”, complementa o empresário.

O comerciante Giuseppe Maset Junior, da Matriz Móveis, também se diz muito preocupado com essa situação. “Está havendo uma retração muito grande, o pessoal está deixando de sair de casa, estão indo apenas ao supermercado e a farmácia e o comércio tem seus compromissos para honrar, mas com o movimento fraco desse jeito não vamos ter como honrar. As pessoas não estão entrando na loja nem para comprar e nem para pagar e nós não temos como fugir dos compromissos”.

Ele diz que o governo até sinalizou para o comércio possibilitando o pagamento do FGTS com 3 meses de carência, “mas é muito pouco, vai ter que sinalizar com outra ajuda. Ativando o BNDES novamente com uma linha de crédito a juros baratos para tentar reativar o comércio”.

O fechamento total do comércio na Europa e China, para Giuseppe foi preventivo. “Acho que no Brasil ainda não precisa de uma quarentena geral, mas se continuar subindo os casos vai precisar fazer o mesmo que a Itália, França e China fizeram de fechar o país inteiro, exceto por extrema necessidade. É preocupante, mas não podemos entrar em desespero, porque o profissional liberal precisa trabalhar para levar comida para casa. Se ele não trabalha não ganha, é complicado”, argumenta.

A comerciante Rosa Botte, da Cergatti News, também está preocupada. “Está todo mundo recuando. O movimento deu uma baixa. Não está tendo fluxo de gente e não tendo gente no comércio, não tem venda”.
Para Rosa, a paralisação total “seria o colapso do comércio. Essa queda de 10% a 20% nas vendas, menor que o mesmo período do ano anterior, já compromete o pagamento de boletos de fornecedores, o pagamento de salários e as demais obrigações, imagine se fechar tudo. Tomara que passe logo essa crise”.

A também comerciante Jéssica Fachin Longo, da Loja Longo, diz que vê a crise do coronavirus com muita preocupação, pois além da questão de saúde, pode causar um grande impacto financeiro.

Ela diz que já notou um comportamento diferente do consumidor a partir dessa semana. “O fluxo de clientes diminuiu e esperamos que o fato seja momentâneo, logo voltando ao normal”.

Sobre as medidas tomadas na Europa de fechamento total do comércio, Jéssica diz que “foram medidas necessárias devido à grande incidência de infectados pelo vírus. No Brasil esperamos não precisar adotar medidas tão drásticas pois tivemos mais tempo para nos preparar e temos a vantagem de ser um país de clima tropical”.

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