Em reunião com partidos, Maurinho insiste em manter candidatura proibida a prefeito

Repetição de estratégia lulista de ex-prefeito atrapalha definição de nomes de candidatos da oposição

 

Em reunião realizada na última segunda-feira, na Cachaçaria Santo Graal, com partidos e pretendentes a candidatos prefeito e a vereador, o ex-prefeito Mauro Pascoalão (PSB), conforme apurou a A Voz Regional, anunciou que pretende levar sua candidatura “até a decisão final” do Tribunal Superior Eleitoral. Condenado a pagar multa de quase R$ 300 mil e a perda dos direitos políticos por ato de improbidade em decisão colegiada, conforme a legislação eleitoral preconiza, ele estaria impedido de se candidatar.

Porém, nada impede de o ex-prefeito organizar uma chapa, realizar a convenção e dar início à campanha eleitoral, enquanto o TSE analisa o pedido de registro da candidatura, decidindo pela liberação dela ou pelo veto. O ex-presidente Lula usou estratégia semelhante na campanha eleitoral de 2018 e acabou impedido, sendo substituído por Fernando Haddad.

A insistência de Mauro atrasa a definição de outros pretendentes a disputar o cargo, especialmente, Valmir Salvione (Podemos) e Toninho Minuci (sem partido), candidatos ligados ao grupo do ex-prefeito e que contam com o apoio dele.

Valmir Salvione colocou sua candidatura a prefeito como alternativa, assim que o impedimento de Mauro foi anunciado, ainda no ano passado. Valmir participou ativamente das três campanhas de Mauro (2004, 2008 e 2012) e como assessor financeiro na gestão dele e tem relações afetivas com todos os aliados do entorno de Mauro. Assim, Valmir é muito próximo do ex-prefeito para se julgar herdeiro político natural dele e de seus votos e o mais indicado para assumir seu lugar na campanha.

Valmir esperava a declaração pública de Mauro de que não seria candidato na reunião da segunda-feira, conforme revelou no mês passado em entrevista a A Voz Regional. Valmir é o eventual pretendente mais dependente do apoio de Mauro para se movimentar como candidato e viabilizar sua candidatura. Ele não foi localizado para comentar a decisão de Mauro em continuar como candidato.

Convidado a participar da reunião, por questões profissionais, o empresário Toninho Minuci não compareceu. No dia anterior, o empresário solicitou formalmente a sua saída do PV.

Toninho não definiu em qual partido vai se filiar e está obrigado, se for concorrer de fato, a fazê-lo até o dia 4 de abril. O possível candidato tem fortes ligações políticas com o grupo de Mauro, tendo sido seu vice-prefeito, na gestão 2013/16 e o apoiou na reeleição em 2016.
A menos que haja um acordo tácito entre Toninho e Mauro, no caso deste ser impedido pelo TSE, de o primeiro assumir a cabeça da chapa, o PSB não deverá ser a sigla escolhida por Toninho.

Outra opção de Toninho é o DEM, partido presidido por Hélio Polotto. Mas ali já está aboletada com seu grupo, Renata Sant’Anna, com apoio mais consistente para viabilizar sua candidatura, em eventual disputa interna com Toninho para definir a candidatura do partido.

Se Renata tem apoio mais consistente, ela não demonstrou até aqui consistência na disposição em ser cabeça de chapa, fator que abre a possibilidade dela vir a ser a ser vice na chapa de Toninho. Possibilidade de estratégia eleitoral limitada, por não fazer sentido, com as novas regras eleitorais, candidatura majoritária com os dois candidatos da mesma chapa. No DEM só haverá lugar para um dos dois como candidato na cabeça.

Tirando PSB e DEM, para candidatura oposicionista, o mercado partidário só tem a oferecer legendas inexpressivas em termos de estrutura e apelo eleitoral.
Pessoas muito próximas de Renata, confirmam ser verdadeiras as declarações dela de não ser candidata, mas que está aberta para uma vice.
Esses mesmos amigos indicam que a hipótese não se concretiza com Mauro, mas é possível vingar com Márcio Miguel.
Vereadores

O estado de indefinição no campo oposicionista, deixa livre para agir o candidato à reeleição, prefeito Marcio Miguel (PP). A situação aumenta seu poder de convencimento na atração de aliados para compor chapas de vereadores, dificuldade sentida em todos os partidos, devido às modificações na lei eleitoral e ao desencanto dos cidadãos com a política.

As duas semanas que se seguem antes de expirar o prazo de filiações para quem pretende ser candidato serão cruciais para todas as candidaturas. Os candidatos a vereador terão participação decisiva em uma campanha em que estarão proibidas concentrações de pessoas e com o eleitor fugindo do contato e do aperto de mão.

Mauro foi condenado e impedido de disputar a eleição por crime de improbidade administrativa em ato irregular de contratação de empresa de funcionário público, nas primeiras semanas de seu mandato. Mauro nomeou para cargo em comissão o engenheiro Marcelo Pampolim e em seguida contratou uma empresa, da qual Marcelo era sócio, para realizar o georreferenciamento da cidade, com vistas a revisão do Imposto Territorial, Predial e Urbano. Empresa da qual faz parte como sócio e/ou diretor funcionário público, nomeado em comissão ou mesmo concursado, fica impedida de prestar serviço a órgão públicos.

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