Parte do grupo de Márcio Miguel não aceita sequer discutir Renata de vice na chapa

Apesar de não haver restrição pessoal entre os candidatos, parte dos grupos se rejeita mutuamente

 

Pode não dar em nada a articulação do vereador Lelo Maset (PDT) de juntar numa mesma coligação o prefeito Márcio Miguel (PP), de quem se tornou próximo, e Renata Sant’Anna (DEM), de quem é parceiro político há décadas. Os dois grupos estiveram em lados opostos nos últimos trinta anos, havendo muitos ressentimentos, alguns de ordem pessoal, dificultando o consenso, apesar de Márcio e Renata admitirem diferenças, mas dizem não haver barreiras intransponíveis entre os dois.

Renata esclarece que a articulação do vereador é uma iniciativa pessoal dele, mas que não o desautoriza a falar em seu nome. Para ela, são discussões preliminares e que a palavra final será do partido e dos integrantes de seu grupo. “Eu reconheço as divergências políticas entre os dois grupos, mas estou à disposição para contribuir com a cidade. Não tenho nada pessoal contra o Márcio, não vejo nenhum problema em ser vice dele, como não vejo problema com o Toninho (Minuci, possível nome a disputar a eleição, ainda sem filiação partidária) se isso for bom para Monte Aprazível.”

Hélio Polotto, presidente do DEM, também diz não ter restrições ao prefeito, apesar do sabido desconforto, mas adianta que a definição cabe ao conjunto do partido. Renata diz que uma coligação com Márcio não depende da vontade de Lelo Maset, mas tem de ser uma posição de consenso do partido e de seus aliados mais próximos.

Segundo A Voz Regional apurou, no grupo de Renata, resistência tenaz mesmo é praticada pelo empresário Sata Maset, um dos articuladores mais influentes das campanhas eleitorais do grupo nos últimos vinte anos. Lelo Maset, parente consanguíneo de Sata em grau distante, mas por afinidade, muito próxima, são concunhados, garante que o convencerá “por ser o melhor para Monte Aprazível.”

Para o vereador, Márcio Miguel tem feito uma administração exemplar, segundo ele, com transparência e clareza em relação aos contratos de serviços e aquisições e tornado a prefeitura mais eficiente, defendendo a continuidade do governo.
Lelo avalia que Márcio, tendo Renata como vice, teria mais facilidade de se eleger. “Os dois grupos juntos desequilibram o jogo. O DEM, o PPS, o PV, o PSC, o PDT e outros partidos tem condições de lançar chapas muito fortes atrair muito mais apoio na sociedade”, acredita Lelo.

Ainda segundo Lelo, a contribuição de Renata não se limita ao campo eleitoral. “A Renata é uma grande administradora, é ela que cuida e administra os negócios da família, tem conhecimento da administração e conhece como ninguém os problemas sociais do município. Marcio e ela, dois jovens, podem fazer muito por Monte Aprazível”, conclui.

Restrições

O prefeito Márcio Miguel diz não ter restrição ao nome de Renata como sua vice e a proposta seria discutida na última segunda-feira, com partidos aliados e candidatos a vereador. A reunião não aconteceu para atender ao estado de isolamento social em vigor no Estado.

Para Márcio, a sabedoria política ensina a importância de se somar para ganhar a eleição e governar. Ele revela que a sua vontade pessoal não é de caminhar com alguns dos integrantes do grupo de Renata, identificando entre eles, justamente, Sata Maset. Porém, ele revela que não vai interditar o debate e que tem discutido a proposta, individualmente, com aliados, já que não pode discuti-la com o grupo. Para ele, a decisão de aceitar Renata é do seu grupo.

No grupo de Márcio, A Voz ouviu nomes que aceitam e torcem para que a articulação se consuma, mas preferem não se manifestar.
Para o vereador Ailto Faria (PV), as divergências são políticas e pessoais com o patriarca da família Sant’Anna, Wanderley, mas nem por isso se colocaria contra a uma decisão da maioria favorável a um acordo. Mas, ressalta ser uma coligação politicamente inoportuna. “O acerto do Márcio foi justamente fazer o contrário do que eles (família Sant’Anna) fizeram em trinta anos e a população não vai entender uma aliança desse tipo.”

Orides Idão da Silva, candidato a vereador e interlocutor muito próximo do prefeito, ameaça se rebelar. “Espero que isso nem seja discutido. Esqueça esse assunto. Lutamos trinta anos para tirar eles do poder e agora vamos ressuscitar esse povo. O Márcio está fazendo uma boa administração, tudo dentro da lei, tudo certo, não tem cabimento dar motivo para os adversários baterem”, disse ele referindo-se às condenações por fraude em licitação de Nelson Avelar, ex-assessor de Wanderley, cumprindo pena em regime semiaberto, do próprio Wanderley, que teve a pena prescrita por ser maior de 75 anos, e de Sata, cuja pena por improbidade também foi prescrita por decurso de prazo.

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