Adutora da Sabesp rompe de novo em vinte dias; para vereador, empresa faz “gambiarra”

Companhia tem instalado registros menos espaçados para falta de água atingir menos gente; é gambiarra”, diz Ailto

 

A adutora da Sabesp rompeu mais uma vez em menos de vinte dias em outro ponto da Rua Brasil, desta vez no trecho compreendido entre as ruas Presidente Vargas e Saudade, deixando moradores sem água durante praticamente todo o dia. No primeiro acidente, que provocou o rompimento do asfalto, moradores e proprietários de imóveis do entorno ficaram temerosos de danos à estrutura dos imóveis e até de desabamento de casas.

A empresa tem planos para substituição da rede, mas de imediato, tem instalado registros mais espaçados para evitar que a falta de água durante os reparos prejudique menos pessoas. Medida considerada pelo vereador Ailto Faria como gambiarra. Por ocasião do acidente, o vereador Ailto Faria (PV) apresentou requerimento à Câmara solicitando do prefeito Márcio Miguel apuração de responsabilidade e pedido de providência para resolver o problema. Para Ailto, é necessário a substituição de toda a adutora, “que está enterrada há oitenta anos e é de material inadequado.”

Na quarta-feira, o vereador Lelo Maset (PDT) apresentou requerimento solicitando da prefeitura que intime a Sabesp, companhia de saneamento responsável pela adutora, para que realize os reparos do asfalto no primeiro trecho durante a quarentena, quando o comércio está fechado. “Se deixar para depois a rua vai ficar fechada e os comerciantes terão prejuízos ainda maiores”, observou o vereador. Ele aponta ainda que pelo decreto de calamidade pública decretado pelo governador João Dória, a obra pode ser feita sem licitação, ganhando-se tempo.

Segundo Antônio Donizete Zioli, gerente da Sabesp em Monte Aprazível, a adutora forma uma espécie de anel no centro da cidade e é responsável pelo abastecimento de toda a parte baixa de Monte Aprazível, atingindo vários bairros.
Por essa razão, Donizete conta que está instalando registros em trechos menos espaçados da rede e recuperando outros já existentes e antigos para que na ocorrência de novo rompimento da adutora não haja falta d’água no geral, apenas no trecho quebrado. Para Ailto, a providência é uma “gambiarra” e pergunta: “Toda a semana vai ter rompimento e vai ter gente sem água, o que já é um transtorno muito grande e agora, com corona vírus, como fazer para lavar as mãos?”

Segundo Donizete, a adutora é construída de fibrocimento, material que não é mais usual em redes de água. Como é muito antiga, anterior a vigência do contrato da Sabesp na exploração de água e esgoto na cidade, Donizete pretende substituí-la. “Em razão das constantes quebras iniciamos um levantamento topográfico do trecho para substituição dessa adutora da Rua Floriano Peixoto até a Duque de Caxias com tubos de ferro fundido ou PVC Defofo (tubo azul), mesmo material que tem sido usado nos reparos da rede quando ela quebra.

O rompimento no trecho da Rua Brasil, entre as Ruas Amador de Paula Bueno e Presidente Vargas, provocou estragos no asfalto, ocasionando depressão na rua. O fato causou medo na população que manifestava receio de passar na rua e ter seus veículos dragados pelo asfalto, risco que Donizete descarta. Ele diz que engenheiro da Sabesp analisou o local e verificou que a depressão na rua já se estabilizou e a empresa de saneamento está providenciando o conserto do local. “Recebemos 3 empresas no local que orçaram o serviço de recape para deixar a rua como originalmente era. Não temos ainda previsão para início da obra, pois talvez tenhamos que licitá-la, mas já está em andamento”.

O vereador Lelo Maset protocolou na prefeitura documento solicitando que o prefeito interceda junto a Sabesp para que o serviço seja realizado em regime de urgência durante o período de quarentena, aproveitando que o comércio está fechado.
Ele acredita que aproveitando o decreto municipal de calamidade pública, a Sabesp possa realizar a obra sem necessidade de licitação. Alega que para efetuar o conserto a rua precisará ser fechada e que o correto seria fazê-lo durante o período de quarentena para não prejudicar ainda mais o comércio, quando ele for reaberto.

No segundo incidente o clima de apreensão entre moradores e comerciantes está mais ameno. Eles já não temem mais danos na estrutura de seus prédios, embora aguardem com expectativa o conserto da rua. O morador da rua Orlando Cortopassi Junior diz que “o asfalto já cedeu o que tinha que ceder, o que foi comprovado por um engenheiro da Sabesp que esteve no local. Agora estou mais tranquilo. O problema tem sido as interrupções no abastecimento de água”

Quanto a falta de água, a comerciante Kalu Alcazas Martins diz que “a gente sente mais quando está em casa, como agora, mas a Sabesp trabalha com muita eficiência, no entanto, acho que a empresa tem que tomar providências para sanar as constantes quebras da rede. Não tem que esperar quebrar para arrumar, tem que dar manutenção. Pelo tanto que a gente paga de água e pelo tempo que a Sabesp explora o serviço deveria ser feita uma manutenção constante da rede e não só reparos. Não digo por medo de abalar a estrutura do prédio, o que acho que não acontecerá, mas pelo transtorno de quebrar a rede constantemente e faltar água”.

A comerciante Karina Maia também não teme mais por danos na estrutura do prédio, como temia anteriormente, mas diz que o serviço precisa ser feito com urgência “porque o asfalto agora começou a afundar em frente à minha loja”.

Ela aponta a falta de água como outro problema decorrente das constantes quebras da adutora. “A gente não pode ficar sem água com frequência como vem ocorrendo, especialmente num momento como esse que é preciso higienizar-se com constância”.

A Sabesp passou a higienizar com água e produtos químicos a área externa da Santa Casa para combater o Coronavírus. Para o provedor da Santa Casa, João Roberto Camargo, neste momento, toda contribuição ao hospital é de importância vital.

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