A Propósito 28/04/2020

Jabuti
A prefeitura de Monte Aprazível necessitou de urgência para aprovar a recomposição salarial anual dos servidores a vigorar em abril. Para atendê-la, os vereadores foram convocados para sessão extraordinária ontem. O vereador Lelo Maset (PDT) tirou da pauta dois bichos rasteiros trepados em árvore, que não é lugar deles. O projeto do Executivo que trata do plano de carreira dos professores e outro, da Câmara, que trata dos subsídios dos vereadores.

Tem muita coisa boa na reformulação da carreira, como concurso para diretores e coordenadores, mas votá-la em surdina, para vigorar só ano que vem, não é de bom tom. Poucos enxergam algo de bom em aumento de “salário” de vereadores de R$ 3.400 líquidos para perto de R$ 4 mil, a valer de janeiro de 21 a dezembro de 24.

Acertou o vereador em tirar os dois jabutis da árvore para o debate em sessão ordinária, que tem mais luz.

Maluquice
Coisa de maluco é tudo aquilo que foge à razão e dá certo por ser impensável de tanta obviedade. Pode ser considerada coisa de louco, mas a articulação do vereador Lelo Maset em unir Márcio Miguel e Renata Sant’Anna em uma mesma chapa é eleitoralmente perfeita. Não estivesse o autor mais para doido comum, seria um gênio da política.

No mercado eleitoral de vice, Renata é jóia rara. Tem peso eleitoral mensurável. Via de regra, voto de vice é só uma hipótese que jamais será aferida. Se fosse, seria muito menos do que o próprio imaginou ter e menos ainda do que seu parceiro julgou que tivesse.

Um a um
O coronavírus atrapalhou a primeira reunião com os candidatos a vereador na chapa de Márcio Miguel, marcada para a segunda-feira da semana que passou. Ele passou a conversar pessoalmente com cada um deles. A ideia é ter ao menos duas chapas, com candidatos, com potencial de votação acima de 150 votos.

O ovo da serpente
Do alto de sua popularidade e de aparente eficiência (tem muito chão pela frente na condução do combate à pandemia), o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandeta, lançou a semente do mal: a prorrogação dos atuais mandatos de vereadores e prefeitos.

Eleição é o ar da democracia, é essencial em qualquer circunstância, especialmente, em tempos de crise. É imperioso que o eleitor faça o julgamento dos eleitos em 2016 pelo que fizeram até aqui e pelo que deixarem de fazer hoje em relação à saúde e à economia que, neste exato momento, estão sendo destroçadas por um vírus.

Perdão pela franqueza dolorosa. Só não haverá tempo de votar para aqueles que vão morrer. O único prazo a cumprir pelo eleitor é 5 de maio, somente para a ínfima parcela que não fez a biometria nas Comarcas onde ela é obrigatória. Todos os prazos a serem cumpridos por partidos são burocráticos, a exceção das convenções, em 31 de julho. O início da campanha está marcado para 16 de agosto.

Argumentar que a suspensão do Fundo Eleitoral, coisa de R$ 2 bilhões, divididos entre os partidos para a campanha, poderia ser transferido para o Ministério Saúde usar na pandemia, é mentira usada por aqueles que pretendem receber salários de vereador e prefeito, sem que o povo autorize. É velhacaria pura.

O orçamento 2020 do Ministério da Saúde é de R$ 125 bilhões, não estando previsto nenhum tostão para a Covid 19. O custo da doença e a reparação meia boca a empresas, trabalhadores e desempregados será 100, 200 ou muito mais vezes o valor do Fundo Eleitoral. Essa montanha de dinheiro o governo federal vai buscar vendendo títulos do Tesouro. Não fará sentido e nem efeito tirar a “mixaria” de R$ 2 bilhões das urnas de votação.

É insensato o movimento de adiar eleições, estamos precisando no momento, justamente do contrário, antecipar a eleição presidencial.

É fácil mentir para o povo. Colocaram na cabeça do povo que eleição em si é cara, gastam-se absurdos com o povo votando. Tirando o óleo diesel de barcos para transportar urnas na Amazônia e, certamente, as diárias que os juízes eleitorais dão um jeito de incluir no contracheque, eleição tem o mesmo custo do ar que democraticamente respiramos.

Prá debaixo da cova
Na guerra, a primeira vítima é a informação. Manipular a informação faz parte do jogo sujo da guerra convencional real. A “guerra” que começamos contra o novo coronavírus é figurada e nesse combate, a informação é uma arma poderosa para a vitória. O presidente imbecil que elegemos mirou justamente na informação, em vez de abrir fogo contra o inimigo.

Bolsonaro, através de Medida Provisória, alterou a Lei de Acesso à Informação. Com a medida, o governo fica desobrigado de atender pedidos de esclarecimento público de cidadãos e instituições no prazo estabelecido em lei. Está claro que Bolsonaro não pretende dar conta dos milhares de mortos por coronavírus que ele e seu sinistro Paulo Guedes vão enterrar.

Alexandre Moraes, revogou a MP

Obrigação de todos
Primeiramente, Fora, Bolsonaro. Lavar as mãos. Ficar em casa.

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