O Adeus a Brazílio Perezi

Brazílio Izidoro Perezi foi professor da rede pública e da Faculdade Dom Bosco por quase cinco décadas, formou-se bacharel em Direito, em breve incursão política, exerceu o mandato de vereador, de 1997 a 2000, como suplente do sobrinho Ernesto, e gozou de sólido conceito de seus conterrâneos monte-aprazivelenses.

Ao morrer, no dia 1 de abril, há oito meses de completar 90 anos, em 4 de dezembro, tinha plena consciência do dever cumprido como cidadão, de ter se dedicado a ensinar tanta gente, a cuidar da cidade. Mas o que, certamente, lhe dava orgulho foi o cuidado que teve com um cantinho do Mundo, localizado no bairro rural da Malvina, às margens do Córrego Água Limpa, que abastece a cidade.

Brazílio Perezi chamou a atenção da cidade para as coisas do solo, da fauna, flora, da geografia, da natureza que respeitava como ninguém. E temia. Branquelo, sardento, quase ruivo, só saia à rua em horários matinais e próximos do entardecer.

Ele foi professor de Geografia por quase cinquenta anos e tinha uma visão ambientalista que passava essa consciência ecológica aos alunos. Em 2000, resolveu passar da palavra à ação. “Passei a recuperar as nascentes de minhas propriedades (duas) que são pequenas, com reflorestamento das Áreas de Preservação Permanentes e da Reserva Legal”, contou ele a A Voz Regional, em entrevista, em 2016.

Os esforços foram mais concentrados na propriedade da Malvina, já que a outra faz divisa com o Rio São José dos Dourados, com mata ciliar mais preservada. Somente na Malvina, em 15 anos, o professor investiu mais de R$ 70 mil, o equivalente a quase R$ 5 mil, em valores não corrigidos, por alqueire do sítio. As práticas de recuperação de áreas degradadas e nascentes, conservação do solo e reflorestamento, deram como resultados o renascimento de minas, surgimento natural de espécies novas da flora e repovoamento de espécies da fauna tidas como desaparecidas como bicudos e veados.

“O investimento valeu a pena pela satisfação de contribuir espontaneamente com a natureza, com a oxigenação do rio, a melhoria do solo e ver os antigos moradores daquele lugar voltando, como os lindos casais de veadinhos, de tatus, de tamanduás bandeiras, de macacos, de pássaros. É uma grande satisfação ver esses bichos de volta”, revelou ele à época.

Família
Joana e Benedito Perezi, vindos de Sertãozinho, desembarcaram em Monte Aprazível, em 1930, contando os meninos Osvaldo, Antenor, Otávio, Adelaide, Eurides, Nair, Amélia, Adelino. Orestes, Ernesto Bem. O casal se estabeleceu com armazém de compra e venda de café e no mesmo ano nasceu o caçula Brazílio.

Brazílio deixou viúva a mulher Conceição e órfãos os filhos Brazilinho, Maria Cláudia e Ana. Amante da natureza, foi a inversão de um ciclo natural da vida que abalou profundamente o velho ecologista: a obrigação de velar o corpo de Ceiçãozinha, a sua caçula.

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